15.9 C
Marília
HomeCiência & TecnologiaBilionário colombiano terá controle de petroleira que avança na Venezuela

Bilionário colombiano terá controle de petroleira que avança na Venezuela

spot_img



O bilionário colombiano Jaime Gilinski, um dos homens mais ricos da América Latina, está prestes a assumir o controle da GeoPark, uma petroleira independente que explora e produz petróleo e gás na América Latina. A mudança ocorre após a companhia fechar um acordo para operar um campo de petróleo pesado na Venezuela.

A operação dá à GeoPark acesso ao bloco Bare, na Faixa do Orinoco, uma das principais regiões produtoras de petróleo do país. O campo produz atualmente cerca de 11 mil barris por dia, mas tem potencial para chegar a até 95 mil barris diários.

O negócio também amplia a presença de Gilinski no setor de petróleo venezuelano, em meio à tentativa do país de atrair capital estrangeiro para recuperar sua indústria de energia.

O que é a GeoPark

A GeoPark é uma empresa independente de exploração e produção de petróleo e gás criada em 2002. Com ações negociadas na bolsa de Nova York, a companhia possui operações em países da América Latina, incluindo Colômbia e Argentina.

A entrada na Venezuela representa uma mudança relevante no tamanho da empresa. Segundo as estimativas divulgadas no negócio, a produção total da GeoPark pode chegar a 75 mil a 85 mil barris de óleo equivalente por dia em 2030, incluindo o crescimento no campo Bare e na operação de Vaca Muerta, na Argentina. Isso representa cerca de 2,7 vezes a produção atual.

Como será o negócio

A operação prevê que a GeoPark inicialmente adquira 5% da empresa que detém os direitos sobre o bloco Bare. Depois, comprará os 95% restantes do Grupo Gilinski por meio da emissão de 42,1 milhões de novas ações.

Os papéis serão emitidos a US$ 12,22 cada, valor 26% superior ao preço médio da ação da GeoPark nos 30 dias anteriores.

Com a conclusão do negócio, o Grupo Gilinski deverá deter 56,3% da GeoPark e se tornar seu acionista controlador. Um mecanismo de ajuste poderá elevar essa participação para cerca de 58,4%, caso haja melhora nas condições contratuais do projeto antes da conclusão da operação.

Para os atuais acionistas, isso significa diluição: a participação proporcional de quem já possui ações será reduzida após a emissão dos novos papéis.

O acordo também prevê uma oferta de compra de até US$ 100 milhões em ações da GeoPark pelo Grupo Gilinski, pelo mesmo preço de US$ 12,22 por ação.

Quem é Jaime Gilinski

Jaime Gilinski é um empresário colombiano com negócios principalmente nos setores financeiro e de alimentos. Segundo o Bloomberg Billionaires Index, sua fortuna é estimada em US$ 40,3 bilhões.

A família Gilinski já vinha ampliando sua presença na Venezuela. No início deste ano, comprou uma participação de 20% na GeoPark para entrar no setor de petróleo do país.

Por meio da Nutresa, grupo colombiano controlado pela família, os Gilinski também avançaram no mercado de alimentos venezuelano, incluindo a compra da fabricante de sorvetes Tío Rico.

Agora, com o novo acordo, a família passará de acionista relevante a controladora da petroleira.

Por que o campo Bare é importante

O bloco Bare possui cerca de 1.100 poços e infraestrutura já instalada. O campo produziu mais de 700 milhões de barris ao longo de sua história e chegou a superar 100 mil barris por dia.

O ativo também tem uma grande quantidade de petróleo ainda não recuperado. A estimativa é de cerca de 15,7 bilhões de barris de petróleo originalmente no local. Atualmente, apenas 4% a 5% desse volume é recuperado, e a GeoPark pretende elevar a taxa para entre 8% e 9%.

O plano de desenvolvimento prevê produção bruta de 18 mil a 20 mil barris por dia em 2027, 31 mil a 33 mil em 2028 e 44 mil a 56 mil entre 2029 e 2030.

Para a GeoPark, a produção líquida do campo ficaria entre 28 mil e 37 mil barris por dia em 2029 e 2030.

Potencial financeiro

O BTG Pactual estima que o campo Bare possa gerar entre US$ 40 milhões e US$ 70 milhões em resultado operacional em 2027. Esse valor pode subir para até US$ 310 milhões em 2028 e chegar a US$ 630 milhões por ano em 2029 e 2030.

O indicador usado pelo banco é o EBITDA, que mostra quanto uma empresa gera com sua operação antes de considerar juros, impostos, depreciação e amortização. Em outras palavras, ajuda a medir a capacidade do negócio de gerar recursos com suas atividades.

Considerando toda a GeoPark, o BTG estima que esse resultado operacional possa chegar a até US$ 1,3 bilhão por ano em 2029 e 2030, caso os planos para o campo venezuelano sejam executados conforme o esperado. As estimativas foram calculadas considerando o preço do petróleo Brent entre US$ 70 e US$ 80 por barril.

Quanto a GeoPark terá de investir

O potencial de produção vem acompanhado de uma necessidade elevada de capital. A GeoPark será responsável por 100% dos investimentos de capital aprovados para o desenvolvimento do bloco, embora tenha direito a 65% da participação econômica.

O BTG estima investimentos de US$ 325 milhões a US$ 365 milhões em 2027 e de US$ 435 milhões a US$ 485 milhões em 2028.

A empresa, porém, possui cerca de US$ 310 milhões em caixa e aproximadamente US$ 700 milhões em liquidez, considerando recursos disponíveis e financiamentos comprometidos ou negociados.

O banco estima que a relação entre dívida líquida e EBITDA da companhia possa ficar entre 0 e 0,5 vez em 2029 e 2030.

Como funciona o acordo com a Venezuela

A GeoPark vai operar o Bare por meio de um Contrato de Participação na Produção (CPP) de 25 anos com a PDVSA, estatal venezuelana. A empresa será responsável pelos investimentos e pela operação do campo e terá direito a 65% da participação econômica, além de poder comercializar diretamente sua parcela do petróleo.

Os CPPs ganharam espaço na nova estrutura regulatória da Venezuela, que ampliou a participação de empresas privadas na operação dos campos e na comercialização do petróleo, embora o Estado continue sendo o proprietário das reservas.

O contrato do Bare ainda não tem data efetiva. A operação depende de aprovações regulatórias e do cumprimento das regras de sanções dos Estados Unidos, em um processo que pode levar até 120 dias.

Venezuela tenta recuperar produção de petróleo

O acordo ocorre em meio à tentativa de reabertura do setor de petróleo venezuelano para empresas estrangeiras. Empresas como Chevron, Eni e GE Vernova também avançaram em acordos relacionados ao setor de energia do país.

A expectativa de novos investimentos aumentou após mudanças na legislação venezuelana, que deram mais espaço para empresas privadas participarem da operação dos campos.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img