Casar dá trabalho pra caramba – e a questão aqui nem é o matrimônio (if you know what I mean), mas a festa mesmo.
Uma festa pode exigir a contratação de até 40 fornecedores, entre espaço, comida, decoração, música e roupas, além de uma lista quase infinita de detalhes para decidir.
O orçamento também ganha uma espécie de vida própria. Do nada aparece o custo de um gerador que não estava incluído no aluguel. A iluminação escolhida custa mais do que o previsto. E aquela flor de que a noiva tanto gostou não cabe mais na conta.
É nessa confusão que a Welucci enxergou uma oportunidade de negócio. A empresa aposta numa espécie de industrialização dos casamentos: padronizar os bastidores para simplificar a organização, sem abrir mão, promete o CEO Alexandre de Luca, de uma festa com a cara dos noivos.
O modelo é o chamado turnkey – ou chave na mão.
Em vez de contratar cada fornecedor, os noivos compram a entrega completa do evento. A Welucci concentra o atendimento e organiza a execução, mas não produz tudo internamente: desenvolve o produto e homologa fornecedores para entregá-lo.
“O produto sou eu que desenvolvo: faço a lista de materiais, opções de comida e bebida e uma estrutura de qualidade para os noivos não terem com o que se preocupar,” Alexandre disse ao Brazil Journal.
Nos bastidores, há planejamento e controle da operação, documentação de todas as preferências do casal e acompanhamento do atendimento: um profissional conduz o casal durante uma jornada que costuma durar de 12 a 18 meses, acionando especialistas em gastronomia, decoração e audiovisual nas etapas necessárias.
Isso não significa que o casal vai passar um ano em reuniões. Segundo Alexandre, o fluxo da venda à entrega pode ser resolvido em seis encontros.
“Clientes mais práticos concentram as decisões em três ou quatro, inclusive em encontros online,” disse o CEO.
A padronização também exige entender o que é realmente importante para o cliente.
A empresa percebeu que oferecer uma lista de opções de mesas e cadeiras, por exemplo, nem sempre era essencial, já que muitos casais nem se atentavam a esse tipo de detalhe.
Outros mimos, porém, fazem diferença. Alexandre conta que a equipe viabilizou a entrada de um noivo com a moto do pai da noiva, que havia morrido.
“A personalização estava no significado daquele gesto,” disse o CEO.
Foi assim que a Welucci percebeu um nicho. A empresa nasceu de fato em 2018 quando Vanessa Figueiredo – a esposa de Alexandre, que trabalhava com a decoração de casamentos – viu uma oportunidade: a possibilidade de assumir um espaço no Morumbi para ela mesma organizar as festas.
Alexandre, que era engenheiro mecânico e empreendedor no setor de refrigeração industrial, decidiu ajudar a esposa no negócio.
“Eu era resistente à ideia de ajudar no negócio, mas percebi que era uma grande oportunidade de expandir,” disse.
Ele se inspirou na empresa americana Wedgewood, que opera mais de 70 espaços nos EUA, atendendo a 11 mil casais por ano. A Wedgewood foi comprada em 2025 pela gestora de private equity TJC e fatura cerca de US$ 250 milhões.
Com essa informação em mãos, o casal decidiu entrar no negócio em 2022 com a ideia de consolidar um mercado fragmentado. Vanessa deixou a operação cotidiana, mas seguiu como acionista majoritária.
O negócio escalou. A empresa saiu de um faturamento de R$ 8 milhões em 2022 para R$ 70 milhões no ano passado. Para este ano, a expectativa é chegar a pelo menos R$ 125 milhões com 1.200 eventos organizados.
Hoje, para se casar pela Welucci, um casal investe cerca de R$ 1.000 a R$ 1.200 por convidado. Ou seja, num casamento para 150 pessoas, que é o contingente médio para uma festa, o aporte vai de R$ 150 mil a R$ 180 mil.
Segundo Alexandre, a margem fica em aproximadamente 55%.
O modelo chamou a atenção da EB Capital, que investiu R$ 50 milhões no ano passado e se tornou um minoritário relevante.
Uma das principais apostas da companhia para continuar crescendo é ampliar a rede de espaços.
A Welucci arrenda os imóveis, assume a gestão e estabelece seu padrão de operação. Para atrair os donos de espaços, a companhia oferece contratos de dez anos e remuneração aos proprietários vinculada às vendas. Em alguns casos, o dono pode continuar como sócio operador.
Hoje a companhia tem 20 espaços espalhados em 12 cidades. A meta é terminar o ano com 25 espaços e chegar a 100 unidades até 2030. (Há 200 espaços no pipeline.)
A Welucci também já abriu uma outra avenida de crescimento: os eventos corporativos. Segundo o CEO, a mesma estrutura utilizada nos casamentos atende empresas que querem terceirizar a organização de palestras, premiações e confraternizações.
Entre os clientes da Welucci estão companhias como Riachuelo, Itaú e Bradesco. Neste mercado, mais disputado, a Welucci quer se diferenciar com uma proposta que concentra espaço, alimentação, audiovisual e execução numa só contratação.
A companhia também tem a ambição de ampliar sua participação nas comemorações dos casais – aumentando o lifetime value dos clientes.
Além de outras celebrações, a Welucci prepara uma oferta que vai das alianças à lua de mel, com joias, vestuário e viagens.
“O nosso projeto é ‘do sim à lua de mel’: queremos entregar da aliança até a viagem, tudo por meio de parceiros e para facilitar a jornada do casal,” disse Alexandre.
A conveniência tem um limite que nenhum processo resolve: escolher com quem casar.
Se organizar a festa ficar tão fácil quanto a Welucci promete, resta torcer para que os casais não tenham a mesma pressa na hora de se separar.





