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O agro na eleição: o que os presidenciáveis pensam

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Quais são os principais problemas do agro, e quais são as suas propostas para resolvê-los?

Foi a partir dessas questões que The AgriBiz procurou os principais candidatos à Presidência da República para saber o que pensam para o setor, responsável por um quarto do PIB e um dos principais motores da segurança alimentar global.

Os candidatos com 1% ou mais nas pesquisas receberam cinco perguntas, que abordaram tópicos como crédito, seguro rural, geopolítica e mudanças climáticas, além de uma avaliação geral sobre o momento do setor.

Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ronaldo Caiado (PSD) enviaram respostas às perguntas. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) não responderam.

Em comum, os que compartilharam propostas defendem o fortalecimento do seguro rural para reduzir a exposição do produtor aos riscos climáticos. Também se repetiram propostas de renegociação de dívidas, para reduzir a dependência de fertilizantes importados e uma postura firme nas negociações com parceiros comerciais — ainda que as soluções nesse caso sejam divergentes.

Polarização

Entre os candidatos de oposição, a principal questão que atrapalha o agronegócio é, literalmente, a atual gestão.

“O maior problema enfrentado pelo setor é justamente o governo Lula, que sempre menosprezou o protagonismo do agronegócio brasileiro”, sintetiza Flávio Bolsonaro.

Ronaldo Caiado faz eco: “Hoje o setor está exposto a chuvas e trovoadas com o PT, os produtores rurais nunca tiveram tratamento à altura”.

Já para Lula, o maior problema do setor é o que vê como “descompasso” entre “exposição crescente a riscos climáticos, aumento dos custos de produção devido às guerras, redução do valor das commodities e diminuição da proteção de renda”, o que “deixa o produtor mais exposto a perdas e propenso a se endividar”.

O drama do endividamento

Um dos temas centrais nas respostas foi a necessidade de enfrentar o endividamento e a inadimplência no setor, em um cenário de crédito caro e escasso.

“O agro não está nessa situação porque quis, mas porque foi pego no contrapé pela explosão das taxas de juros, que impactou o endividamento de quem tinha tomado empréstimo para produzir mais alimentos”, respondeu Caiado. Uma renegociação das dívidas, defendeu, precisa partir de um “tratamento mais adequado ao setor”.

A possibilidade de uma renegociação é citada também pela campanha de Lula, mas ela defende um processo mais criterioso.

“É necessário reconhecer que não existe uma situação única de endividamento. Há produtores economicamente viáveis que foram afetados por perdas climáticas sucessivas, outros com dificuldades conjunturais de fluxo de caixa, e situações de desequilíbrio em que o simples alongamento da dívida apenas posterga o problema.”

Por isso, prossegue, “a orientação é adotar soluções focalizadas, com tratamento proporcional à situação”. As opções incluem “composição de dívidas, alongamento de prazos e concessão de carência compatível com o ciclo de geração de renda.”

Sobre o seguro rural, Flávio Bolsonaro projeta ampliar a subvenção e “criar ferramentas de securitização e reorganização das dívidas do setor”. Já Caiado promete elevar o repasse ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural para R$ 2,4 bilhões já em 2027, e para R$ 4 bilhões até o fim do mandato.

Lula também conecta o seguro rural à mitigação de risco, “fortalecendo a geração de caixa futura para irrigar o pagamento de dívidas”. Mas defende uma ampliação com previsibilidade, para evitar aumentos de custos ou restrições em ofertas de coberturas, e mais direcionada, para focar em produtores, culturas e regiões com maior exposição.

A questão ambiental

Os presidenciáveis falaram nas mudanças climáticas como prioridade em um eventual governo. Eles concordaram sobre a necessidade de reduzir o risco que o clima passou a representar para o agro, e discordaram em outros pontos.

Para Lula, a resposta ao risco crescente das mudanças climáticas “combina prevenção, adaptação dos sistemas produtivos e proteção financeira”, tendo como referência o zoneamento agrícola de risco climático, hoje em atualização pela Embrapa, que indica as janelas de plantio mais seguras por cultura, tipo de solo e região”.

Flávio promete criar incentivos econômicos à preservação, “ampliando o pagamento por serviços ambientais e desenvolvendo instrumentos capazes de remunerar” quem conserva vegetação nativa, recupera áreas degradadas e protege recursos hídricos.

Já Caiado retoma o seguro rural como medida de política ambiental, defendendo uma prevenção mais ativa frente ao crescente risco climático. Segundo ele, “com o PT, o País prefere remediar a prevenir”.

Leia, em reportagens separadas, as principais propostas de Flávio Bolsonaro, Lula e Caiado.



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