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Acionistas da Vale elegem novo presidente do conselho nesta quarta-feira

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Bloomberg — Os acionistas da Vale (VALE3) votarão nesta quarta-feira para eleger um novo presidente do conselho, após semanas de turbulência na diretoria provocada por uma pressão de um dos maiores investidores da gigante mineira brasileira para reformular a liderança.

A disputa teve início em junho, depois que o fundo de pensão Previ, há muito considerado próximo ao governo federal, tentou destituir Daniel Stieler do cargo de presidente antes do término de seu mandato. Embora a maioria dos conselheiros tenha se oposto à medida, Stieler renunciou. Agora, os acionistas devem votar para escolher seu substituto.

Os acionistas escolherão entre o vice-presidente Marcelo Gasparino da Silva, que alertou que a proposta da Previ acarreta o risco de interferência política, e o diretor independente líder Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, que conta com o apoio do fundo de pensão, para exercer o cargo até abril de 2027.

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A disputa abre caminho para um possível confronto entre os antigos acionistas controladores da Vale e um grupo mais recente de investidores institucionais globais, ao mesmo tempo em que reacende preocupações sobre a influência política na maior mineradora do Brasil. A Previ, a Mitsui e a Bradespar — membros do antigo bloco controlador da Vale — historicamente votaram em conjunto.

Leia também: Vale entra na mira da CVM por compensação a presidente do conselho que renunciou

As consultorias de voto ISS e Glass Lewis apresentaram opiniões divergentes quanto à presidência, o que significa que o resultado poderá depender de investidores institucionais, incluindo a Capital Group e a BlackRock.

A ex-executiva da BP, Ieda Gomes Yell, indicada pelo conselho, e José Maurício Pereira Coelho, apoiado pela Previ, disputam uma vaga no conselho. A Previ administra os fundos de aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, de capital estatal.

Uma contagem preliminar das instruções de voto à distância mostra Oliveira na liderança com 1,29 bilhão de votos, contra 746 milhões de Gasparino. A contagem exclui os detentores de American Depositary Receipts (ADRs) e representa 48,5% do capital votante da Vale, deixando o resultado incerto.

Oliveira atuou por mais de quatro décadas no setor de mineração, incluindo cargos de alta direção na Anglo American Plc e na De Beers Consolidated Mines Ltd., e integra o conselho da Vale Base Metals, unidade da empresa dedicada ao cobre e ao níquel. Seus colegas o descrevem como um executivo sério e discreto, com perfil técnico.

Leia também: Daniel Stieler renuncia ao comando do conselho da Vale após pressão da Previ

Gasparino, advogado corporativo com vasta experiência em conselhos de administração, também é diretor da gigante petrolífera brasileira Petróleo Brasileiro S.A. e já atuou nos conselhos do Banco do Brasil, da Usiminas e da Axia, onde conduziu uma eleição controversa para o conselho em 2025.

Apesar da privatização da Vale em 1997, os investidores continuam sensíveis a sinais de influência governamental. Brasília detém uma ação de ouro com direitos de veto limitados, e o Estado pode exercer influência indireta por meio de licenciamentos e concessões ferroviárias importantes.

A Previ, que detém cerca de 7% da Vale, afirma que Oliveira garantiria um processo mais independente e transparente para a seleção de candidatos antes da renovação do conselho no próximo ano. Stieler, que liderou o fundo de pensões durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem visto sua influência diminuir desde as mudanças na liderança da Previ neste ano.

A ISS, no entanto, afirmou que a Previ não apresentou uma justificativa convincente para destituir Stieler antes do término de seu mandato ou para alterar a liderança do conselho fora do ciclo eleitoral normal.

A campanha foi marcada por vazamentos de mensagens do conselho e por uma investigação conduzida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Vale também descartou investir na empresa de minério de ferro do bilionário Joesley Batista depois que o jornal O Globo noticiou que Oliveira havia sugerido a possibilidade de uma joint venture.

Separadamente, o Valor Econômico informou que a renúncia de Stieler incluiu um acordo de indenização. Um acionista minoritário solicitou à Comissão de Valores Mobiliários que investigasse as circunstâncias de sua saída.

A disputa ecoa a controversa sucessão do diretor-presidente da Vale em 2024, quando alegações de influência política levaram dois conselheiros a renunciar e reacenderam questionamentos sobre a governança da mineradora.

Embora seja improvável que a votação sanie as divisões entre os principais acionistas, analistas do BTG Pactual afirmaram que é improvável que ela altere a estratégia ou a alocação de capital da Vale, citando o risco limitado de interferência direta do governo.

–Com a colaboração de Gisele Fernandes.

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