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O primeiro turno das eleições presidenciais impulsionou a bolsa brasileira, especialmente as ações do varejo, que acumularam uma valorização de cerca de 12% nas últimas duas semanas, com destaque para o Magazine Luiza, que avançou 58%.
No entanto, o BTG Pactual alerta que essa alta se deve mais à expansão de múltiplos do que a uma revisão de lucros. Além disso, não há garantia de que novos cortes na Selic terão efeitos equivalentes sobre o valor das ações.
O banco traça dois cenários para a queda dos juros: um favorável, com credibilidade fiscal, e outro desfavorável, onde a desaceleração econômica poderia dificultar as vendas. Empresas como Smart Fit e Raia Drogasil estão melhor posicionadas para enfrentar um ambiente mais desafiador.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais impulsionou a bolsa brasileira e beneficiou especialmente algumas das ações mais pressionadas do mercado local: as redes varejistas.
O setor acumula valorização em torno de 12% nas últimas duas semanas, segundo cálculos do BTG Pactual. Entre os destaques, as ações do Magazine Luiza avançaram cerca de 58%.
A disparada recente, porém, não garante que o varejo tenha virado a página. “A primeira ‘pernada’ do rali se deve, quase que totalmente, à expansão de múltiplos, e não à revisão de lucros”, afirma a equipe de análise do banco em relatório divulgado na segunda-feira, 19 de outubro.
Isso indica que a alta dos papéis refletiu mais uma melhora na percepção geral de risco e nas perspectivas para o mercado do que uma revisão das expectativas de resultados das próprias empresas.
Segundo o BTG, a valorização recente foi compatível com uma redução de 100 a 150 pontos-base no custo de capital das varejistas. Cada queda de 100 pontos-base nesse custo corresponde a uma alta de cerca de 14% no valor da ação, considerando uma média do setor.
Essa sensibilidade ajuda a explicar por que a expectativa de juros menores favoreceu as ações. Mas não significa que cada corte de um ponto percentual na Selic irá provocar um efeito equivalente sobre o valor de mercado das empresas.
Uma nova rodada de valorização das ações, segundo os analistas, depende de resultados melhores, que abram espaço para revisões positivas das projeções de lucro.
“Olhando para frente, a combinação entre desalavancagem das famílias e o ‘reancoramento’ fiscal poderia, teoricamente, criar um ambiente de taxas de juros substancialmente mais favorável. Contudo, os caminhos para se chegar a esse cenário trazem implicações muito diferentes para os resultados corporativos”, escreveram.
O banco traça dois cenários distintos para a queda dos juros. No mais favorável, a redução das taxas em 2027 ocorreria em um ambiente de maior credibilidade fiscal, capaz de estimular tanto a valorização das empresas quanto o consumo das famílias.
Nesse cenário, as companhias mais beneficiadas seriam as de maior sensibilidade ao ciclo econômico, como Magazine Luiza, Assaí, Grupo Mateus, C&A e Renner.
Há, contudo, o risco de os juros caírem em resposta a uma desaceleração mais intensa da atividade econômica a partir do próximo ano. Nesse caso, as varejistas enfrentariam um “potencial paradoxo”: poderiam se beneficiar da redução das despesas financeiras, mas ainda teriam dificuldades para vender seus produtos.
“Uma recessão impulsionada pela desalavancagem, sem a devida consolidação fiscal, seria consideravelmente mais desafiadora – especialmente para varejistas de bens não essenciais que atendem a consumidores de menor renda e dependem de compras a crédito”, afirmou o relatório.
Na outra ponta, Smart Fit e Raia Drogasil aparecem como as empresas mais bem posicionadas para atravessar um período prolongado de consumo fraco, graças a “fatores próprios de crescimento e maior previsibilidade dos resultados”.





