Existe um comportamento que todos nós compartilhamos: tendemos a acreditar que a melhor solução é sempre a mais rápida. Talvez porque tenhamos aprendido a associar rapidez à eficiência. Mas existem situações em que agir depressa não significa, necessariamente, agir bem.
Quando procuramos um médico, por exemplo, dificilmente esperamos que ele faça um diagnóstico antes da avaliação e solicitação de exames. Se oferecesse uma solução sem compreender a origem do sintoma, provavelmente desconfiaríamos de sua conduta. Uma resposta rápida pode trazer alívio. Mas é o diagnóstico correto que aumenta as chances de identificar a causa e tratá-la corretamente.
No saneamento, acontece algo semelhante. Muitas das ocorrências que chegam ao conhecimento da população são apenas a parte visível de uma realidade muito mais complexa. Um vazamento pode ser consequência do desgaste de uma tubulação instalada há décadas. Uma baixa pressão pode estar relacionada a um vazamento oculto ou ao crescimento desordenado de uma região inteira. Uma interrupção no abastecimento pode exigir uma investigação que vai muito além do ponto onde seus efeitos se tornaram perceptíveis.

Por isso, nem sempre a primeira equipe que chega ao local executa imediatamente o serviço. Em diversas situações, sua missão é compreender o que realmente está acontecendo, avaliando o cenário, realizando testes, identificando a causa e definindo a melhor solução técnica. Só então a intervenção mais adequada pode ser executada.
À primeira vista, esse processo pode parecer demorado. Mas há uma diferença importante entre oferecer uma resposta rápida e construir uma solução consistente. Essa diferença fica ainda mais evidente quando falamos de obras estruturantes.
Perfurar um novo poço profundo, modernizar sistemas, implantar adutoras ou substituir quilômetros de redes não são decisões tomadas para atender às demandas imediatas. São intervenções planejadas para acompanhar o crescimento da cidade, aumentar a segurança operacional e preparar o sistema para desafios que ainda nem chegaram.

Talvez esteja aí uma das maiores dificuldades de quem trabalha com infraestrutura: administrar duas expectativas que são igualmente legítimas, mas nem sempre caminham no mesmo ritmo. De um lado, está o cidadão que precisa de uma resposta para algo que afeta sua rotina. Do outro, está a responsabilidade de tomar decisões capazes de beneficiar milhares de pessoas durante anos. Ignorar qualquer uma dessas necessidades seria um erro.
O desafio não é escolher entre o presente e o futuro. É encontrar o equilíbrio entre ambos. Isso exige planejamento, investimento e também a compreensão de que algumas das obras mais importantes são justamente aquelas que passam boa parte do tempo longe dos olhos da população: integradas à infraestrutura da cidade, em redes de distribuição, reservatórios e estações de tratamento que operam silenciosamente todos os dias.
Diante de situações complexas, talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo uma solução levará para aparecer, mas por quanto tempo ela continuará funcionando depois de pronta.
Algumas respostas realmente podem ser rápidas. As soluções que transformam uma cidade, porém, quase sempre começam com um bom diagnóstico. Levam mais tempo para se concretizar, mas continuam produzindo resultados muito depois que a obra termina. É justamente essa permanência que faz toda a diferença.
Juntos por Marília e para Marília.
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Eng° Julio F. Neves
Superintendente Comercial e de Comunicação
RIC Ambiental – Água e Esgoto de Marília S.A.





