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Citi dobra negócio na América Latina e amplia aposta em atacado, diz CEO pa…

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Bloomberg Línea — O compromisso do Citi com seus negócios na América Latina está “mais forte do que nunca” no momento em que o gigante de Wall Street consolida sua estratégia para os segmentos de atacado e wealth, deixando de lado seus negócios de varejo na região.

Segundo o CEO regional Julio Figueroa, a operação latino-americana do banco quase dobrou de tamanho nos últimos cinco anos e hoje é maior do que no período quando a instituição atuava com mais vigor no segmento de varejo, cerca de 10 anos atrás.

“Nós estamos, na verdade, duplicando nosso compromisso com os países, porque todo o recurso obtido com os desinvestimentos foi mais do que reinvestido no negócio de atacado”, afirmou o executivo em entrevista à Bloomberg Línea, durante visita a São Paulo no mês passado para participar da Citi Brazil Equity Conference.

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Com cerca de 10.000 funcionários na América Latina, o banco agora se prepara para abrir um novo escritório na Guiana, elevando de 19 para 20 o número de países em que atua na América Latina e no Caribe.

Com abertura prevista para setembro, a nova operação segue a lógica do banco de expandir suas operações conforme a demanda de seus clientes que buscam crescer globalmente.

“Nossos clientes têm nos pedido auxílio porque estão investindo muito em petróleo e gás”, afirmou Figueroa, se referindo ao crescimento acelerado da produção de commodities energéticas no país.

Leia também: Novo presidente do Citi Brasil, André Cury quer aumentar em 50% o negócio de equities

Áreas de foco

Segundo o executivo, o banco tem hoje como foco a atuação em quatro linhas de negócio na região: banking (banco de investimento, fusões e aquisições), markets (câmbio, juros e ações), serviços financeiros (gestão de caixa, pagamentos e trade finance) e wealth (gestão de patrimônio para pessoas físicas).

A estratégia perseguida é ser líder em cada uma dessas áreas como o maior banco internacional nos países onde atua.

O executivo diz que hoje o banco é líder na área de serviços financeiros, com cerca de 25% do mercado na região, e também na área de markets, com 15%. Em investment banking, ele diz que o Citi costuma figurar entre as três maiores instituições e atualmente está em primeiro lugar, com 14% de participação.

Leia também: Gigante nos EUA, JPMorgan acirra disputa com fintechs por clientes de varejo na Europa

Na última década, o Citi se desfez de suas operações de varejo em países na região, incluindo a venda de seus negócios na área no Brasil para o Itaú Unibanco, em 2016, para se concentrar em seus negócios de atacado.

Mais recentemente, o banco de Wall Street vendeu em dezembro no ano passado uma fatia de 25% no Banamex para o empresário Fernando Chico Pardo. Outra participação de 24% no banco mexicano foi negociada a outros investidores em fevereiro, incluindo o BTG Pactual, em participações menores de 5% cada.

A saída do negócio de banco de varejo no México começou a ser desenhada em 2022, quando o Citi anunciou sua intenção de deixar o negócio voltado para consumidores, pequenas empresas e middle market no México. A operação mexicana passou por um spin-off, concluído em 2024, com a área de varejo ficando concentrada no Banamex.

Apostas

Para crescer, uma das principais apostas está no Brasil. O país é o mercado com maior potencial de crescimento para o Citi, na sua visão. A operação brasileira é a maior do banco na América Latina, seguida de perto pela mexicana, enquanto a Argentina e a Colômbia também representam um negócio importante.

Na área de investment banking, avalia que a América Latina pode ver um aumento da atividade de negócios, com perspectivas positivas para região e sem um calendário eleitoral que reduza o apetite para investimentos.

“Em países como o México, tem muita liquidez em fundos de pensão e os países estão pedindo a esses fundos de pensão para investir em empresas locais. Além disso, na maioria dos países não vamos ter eleições. Então, acredito que pode ser um bom ano para o mercado de investment banking”, disse.

Olhando para o médio e longo prazo, Figueroa também vê a América Latina bem posicionada para atrair investimentos por ser uma região importante para o fornecimento de matérias-prima e estar distante em relação a conflitos geopolíticos atuais.

O executivo diz que clientes na Ásia e na Europa têm buscado diversificar fontes de energia, alimentos e minerais críticos, e a América Latina se posiciona como fornecedora nessas frentes.

Um dos pilares dessa estratégia, segundo Figueroa, é o que o banco chama de “corredores de negócios”, como o formado entre China e América Latina. Ele citou que o comércio entre as duas regiões, somando importação e exportação, passou de US$ 20 bilhões em 2000 para US$ 550 bilhões em 2025.

“Deixando de lado a volatilidade de curto prazo que temos, com uma eleição aqui ou ali, ou uma inflação mais alta em algum lugar, eu acho que no longo e médio prazo, as perspectivas para a América Latina são muito boas”, afirmou.

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