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Raízen abre o que está na mesa em negociação com credores

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As negociações para a recuperação extrajudicial da Raízen continuam, mas, no final da noite de ontem, a companhia trouxe ao mercado detalhes até então desconhecidos sobre as conversas com os credores financeiros, dando mais transparência ao processo.

Em linhas gerais, a reestruturação baseia-se numa injeção de capital primário, conversão de 45% da dívida em ações e alongamento do restante — propostas já conhecidas. Um fator novo (e até surpreendente) no documento divulgado ontem é a proposta de segregação dos negócios de Energia e Combustíveis — prevista, inicialmente, para o final de 2027.

Do lado do capital novo, a empresa aponta uma injeção de capital por parte da Shell de R$ 3,5 bilhões a R$ 0,25 por ação. Os outros R$ 500 milhões a serem injetados pela Aguassanta, veículo de investimentos de Rubens Ometto, são descritos como um potencial aporte, a ser feito em conjunto com a Shell.

Nos bastidores, fontes a par das negociações afirmam que o empresário estaria condicionando o aporte à sua manutenção na presidência do conselho de administração, o que será definido pelos credores. De acordo com o documento, o novo conselho da Raízen terá quatro membros apontados pelos credores, incluindo o chairman, enquanto os acionistas ficarão com três cadeiras (uma delas assegurada à Shell).

Olhando para o perfil das dívidas, a companhia pretende renegociar R$ 65,4 bilhões no âmbito da recuperação extrajudicial — valor que inclui bonds, EPPs, CRAs, debêntures, crédito rural, empréstimos e derivativos.

Desse valor, 45% serão convertidos em equity, o que também parece estar consolidado nas negociações. O preço de conversão, de R$ 0,25 por ação, é a novidade — e representa um desconto alto em relação ao último fechamento, quando os papéis foram negociados a R$ 0,42. Como consequência, as ações da companhia operam em forte queda nesta quinta-feira, chegando a 20%, para R$ 0,33 na mínima do dia.

Os credores vão receber Units, formadas por uma ação ordinária e uma preferencial. A companhia vai, ainda, criar um programa de ADRs, a fim de permitir a negociação dos papéis nos Estados Unidos.

Novos títulos

Os 55% remanescentes serão alongados em novos instrumentos de dívida, que podem ser em real, dólar ou euro, dependendo do passivo de cada credor. Ambos os títulos têm garantias de alienação fiduciária.

Cerca de 17% dessa dívida será transformada em títulos da Raízen Energia, que vão remunerar investidores locais a CDI+1,25%. A dívida vai ser dividida em dois títulos: um vai vencer em 2033 e o outro, em 2035, cada um compreendendo metade da dívida.

O restante da dívida vai virar outros títulos da Raízen Combustíveis, remunerando investidores locais a CDI+2,75%. Um deles vence em março de 2032 e, o outro, em março de 2034 (também na proporção de 50% e 50%).

Além dos novos títulos, a Raízen também colocou na mesa outras duas opções de pagamento. Uma delas é um título emitido pela Raízen Energia, com deságio de 80% sobre o saldo da dívida, corrigido pela TR, a ser pago em março de 2047.

A outra opção — uma praxe em reestruturações — refere-se ao pagamento à vista, em dinheiro, a credores que tenham dívidas de até R$ 9.750,00 (ou 75% do valor da dívida deles, sendo válido o menor entre essas opções) com um limite máximo de R$ 150 milhões.

Spin-off

A Raízen também prevê no documento a segregação entre Raízen Energia (Etanol, açúcar e Bioenergia, além da distribuição na Argentina) e Raízen Combustíveis (distribuição de combustíveis), a ser implementada, num cronograma almejado para dezembro de 2027.

A ideia de segregar os negócios chegou a ser proposta pelo BTG Pactual, maior acionista da Cosan, logo após a apresentação do pedido de recuperação extrajudicial da Raízen. Mas, por resistência da Shell, acabou não avançando — o que levou o BTG a se retirar das negociações diretamente.

Segundo uma fonte que acompanha de perto as conversas, a proposta de separar energia e biocombustíveis busca dar foco a cada negócio e facilitar futuras captações ou um possível follow-on.

No documento, a companhia menciona uma possível busca por um sócio para a divisão de combustíveis, podendo ser tanto uma tranche primária (focada em desalavancagem) como uma oferta secundária.

A Raízen trabalha para obter a aprovação da maioria dos credores e apresentar formalmente o seu plano de recuperação até 9 de junho, quando termina o prazo de 90 dias obtido pela companhia para o congelamento do pagamento de dívidas (standstill). Caso a empresa não consiga a aprovação dentro do prazo, pode pedir uma extensão do standstill por 90 dias.



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