A abertura do mercado da Coreia do Sul para ovos e derivados brasileiros, anunciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no último dia 9, marca um avanço relevante para o setor de proteína animal em um momento de mudanças no cenário cambial. No mesmo dia, o dólar fechou a R$ 4,8999 (PTAX), atingindo o menor patamar em cerca de 28 meses, segundo dados de mercado, o que altera diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
A entrada no mercado sul-coreano representa a inclusão do Brasil em um destino de alto valor agregado e exigente em termos sanitários. Até então, os produtos brasileiros enfrentavam restrições técnicas e sanitárias, e a nova autorização abre caminho para embarques regulares, desde que atendidos os protocolos estabelecidos pelas autoridades do país asiático. De acordo com o MAPA, a ampliação do acesso reforça a estratégia de diversificação de mercados e consolida o posicionamento brasileiro como fornecedor global de proteína animal.
Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar traz efeitos ambíguos para o setor exportador. Se por um lado reduz a receita em reais obtida com as vendas externas, por outro diminui o custo de insumos importados, como lisina, metionina e outros componentes utilizados na nutrição animal. Esse equilíbrio entre perda de receita e redução de custos passa a ser determinante para a rentabilidade das empresas, especialmente em cadeias como as de aves e suínos.
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Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que as exportações de carne de frango e suína apresentaram crescimento em abril, sinalizando demanda internacional aquecida. Esse movimento ocorre em um contexto de preços globais de alimentos nos níveis mais elevados dos últimos três anos, o que sustenta a atratividade dos produtos brasileiros no mercado externo, mesmo com um câmbio menos favorável.
A combinação entre novos mercados e preços internacionais elevados tende a compensar parcialmente os efeitos da valorização cambial no curto prazo. Ainda assim, especialistas apontam que o desempenho das exportações nas próximas semanas dependerá da manutenção da demanda externa e da trajetória do dólar, além da capacidade do setor de atender às exigências sanitárias de mercados mais rigorosos como o sul-coreano.
Com isso, o setor de proteína animal entra em um novo momento, em que fatores estruturais, como acesso a mercados e preços globais, se somam a variáveis conjunturais, como o câmbio, para definir o ritmo e a rentabilidade das exportações brasileiras.
Fontes: MAPA/ABPA/Agência Brasil





