A proposta de mudanças na jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 tem gerado forte repercussão no agronegócio brasileiro. Representantes do setor se posicionaram com cautela sobre a medida, destacando a necessidade de um debate mais aprofundado diante das particularidades das atividades no campo.
De acordo com entidades do agro, a dinâmica da produção rural, que depende de fatores biológicos, climáticos e de manejo contínuo, torna difícil a aplicação de regras rígidas de jornada, como ocorre em setores urbanos. A principal preocupação é que a alteração na escala de trabalho possa comprometer a produtividade e elevar custos operacionais.
Setor alerta para aumento de custos e impacto na produção
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Estudos e análises apresentados por representantes do agronegócio indicam que o fim da escala 6×1 pode gerar aumento significativo nos custos de produção. Isso ocorre porque muitas atividades exigem operação contínua, o que demandaria a contratação de mais trabalhadores para manter o mesmo nível produtivo.
Em cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol, por exemplo, o impacto financeiro pode alcançar bilhões de reais, pressionando a rentabilidade do produtor rural e a competitividade das exportações brasileiras.
Além disso, especialistas apontam que a medida pode gerar efeitos indiretos, como aumento no preço dos alimentos ao consumidor final e possível redução de postos de trabalho no campo, caso produtores não consigam absorver os custos adicionais.
Particularidades do campo exigem flexibilidade
Outro ponto central levantado pelo setor é a necessidade de considerar a sazonalidade agrícola. Atividades como plantio, colheita e manejo animal seguem ciclos naturais que não podem ser interrompidos, exigindo maior flexibilidade na organização do trabalho.
Nesse contexto, representantes do agro defendem que qualquer mudança na legislação trabalhista leve em conta essas especificidades, evitando impactos negativos na produção e na sustentabilidade das propriedades rurais.
Defesa de diálogo e construção conjunta
Diante do avanço da discussão no Congresso Nacional, entidades do setor produtivo reforçam a importância de um diálogo amplo entre governo, trabalhadores e empregadores. O objetivo é construir soluções equilibradas que garantam melhores condições de trabalho sem comprometer a eficiência do setor.
O posicionamento do agro evidencia que, embora haja reconhecimento da importância de avanços nas relações trabalhistas, mudanças estruturais precisam ser acompanhadas de estudos técnicos e planejamento para evitar desequilíbrios econômicos.
A discussão sobre a escala 6×1 segue em debate e deve continuar mobilizando diferentes setores da economia, com o agronegócio ocupando papel central nas análises devido à sua relevância para o PIB, o emprego e a segurança alimentar do país.





