A utilização de IA agêntica no comércio com meios de pagamentos é bem-vinda, mas não é um passeio no parque. A head de produtos na Getnet, Mayra Borges de Souza, alertou que essas experiências precisam ser feitas de forma correta, com protocolos e segurança.
Durante o 19º CMEP, realizado nesta quarta-feira, 15, a executiva da adquirente afirmou que a IA agêntica e o comércio agêntico podem ser divididos em duas partes:
- A busca, que avança nos Estados Unidos;
- A finalização de pagamento no carrinho de compras (checkout, no jargão em inglês), que ainda não está pronto.
Para que o checkout esteja pronto na era da IA agêntica, Souza afirmou que é preciso que a IA respeite as regras impostas pelo usuário, tenha consentimento do consumidor e que tenha marcações (tags) para saber qual agente está comandando aquela operação e garantir que a transação não é uma fraude ou alucinação.
Desafios nos pagamentos agênticos
Para Felipe Sessin e Silva, superintendente de produtos de adquirência do Sicredi, um outro problema que pode surgir com os pagamentos agênticos é a mudança de comportamento do consumidor. Com compras mais fluidas, o executivo cita o risco do aumento de aquisições por impulso. O que demandará incorporar esses pontos na educação financeira dos brasileiros.
Já Daniel Tafelli, head of payments partnerships da Adyen na América Latina, afirmou que a chegada das IA nos meios de pagamentos precisa ter robustez em segurança, uma vez que a tecnologia traz uma complexidade para o segmento com a necessidade de analisar e validar a intenção de compra em tempo real.
Tafelli aponta também o risco dos lojistas não serem mais os intermediários das transações por pagamentos avulsos feitos pelos agentes. Em sua visão, a loja e os players do mercado ainda devem ser responsáveis por essa intermediação, uma vez que possuem experiência e arcabouço para tal. Lembra ainda que a OpenAI recuou no mês de março de fazer o checkout próprio e começou a atrair parceiros de pagamentos e do comércio eletrônico para sua iniciativa de pagamento agêntico.
Neste cenário, com diversas IAs agênticas com os testes iniciados, a executiva da Getnet aponta que falta um padrão único de comunicação, pois, atualmente cada solução de IA trabalha com um protocolo diferente que pode dificultar a orquestração do processo de compra.
Pagamentos com IA agêntica

Rogério Panca, sócio de banking & financial services and customer innovation & growth da Oliver Wyman (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
O pagamento agêntico é uma das quatro tendências de pagamentos inteligentes que a Oliver Wyman enxerga para o futuro, ou seja, os tipos de pagamentos que “incorporam parametrização e inteligência aos fluxos transacionais, viabilizando programabilidade e automação para tornar as transações mais rápidas, simples, seguras e eficientes” – vide a evolução recente do débito automático para o Pix Automático.
Encomendado pela Abecs, o estudo da consultoria mostra que os outros elementos são:
- Economia instantânea com a união entre Pix e open finance, que pode potencializar a programabilidade, transferência inteligente e transações sem redirecionamento;
- Tokenização: inclusão de tokens nas credenciais de cartões (card-on-file, no jargão em inglês do mercado), carteiras digitais e de infraestrutura criptográficas, as stablecoins;
- Interoperabilidade com a capacidade de Pix e cartões: hoje são vistos como competidores, mas podem trabalhar de forma cooperada em um ‘smart checkout’, com o sistema de pagamento parametrizado para cobrar a transação inteligente no crédito, mas, se não houver limite na tarjeta, o Pix pode ser o transbordo para garantir a transação e vice-versa.
“Falamos muito sobre isso durante todo o CMEP sobre os três ‘Ss’ da indústria de comércio de pagamento: o simples, o smart [que é o inteligente] e o safe. E é fundamental que o setor evolua e trabalhe cada vez mais para integrar essas infraestruturas”, disse Rogério Panca, responsável pela pesquisa e sócio de banking & financial services and customer innovation & growth da Oliver Wyman.
“Na minha opinião, nós (indústria de pagamentos) temos uma ideia cada vez mais holística dos diferentes arranjos de pagamento. Isso está cada vez mais conectado em uma visão muito menos de concorrência entre esses arranjos e como pensamos em cooperação. Porque temos aqui uma grande possibilidade de ganha-ganha”, completou.
Pagamentos inteligentes na prática
O presidente do conselho de administração do banco Original, Raul Moreira, acredita que as infraestruturas de pagamentos vão coexistir e ser interligadas em várias estruturas, plataformas e conjunto de soluções que não envolvem apenas o Pix. Em outras palavras, os mesmos consumidores que usam o cartão de plástico são os que usam o Pix e o open finance.
O vice-presidente de inovação e produtos da Visa no Brasil, Frederico Succi, afirmou que embora pareça que os pagamentos inteligentes estejam no futuro, eles já acontecem. Isso é feito por meio de três pilares:
- Ancoragem em regras de negócios;
- Aplicação e uso em contextos específicos;
- Objetivo final focado na melhora drástica da experiência do usuário.
Um exemplo que Succi apresentou foi o pagamento por aproximação em catracas de transporte público: “No momento que você dá o tap (aproxima o aparelho ou cartão), a catraca abre automaticamente. Mas a autorização, baseada em regras de negócio, só ocorre instantes depois. E o usuário sai dessa jornada com uma experiência melhor de uso”, detalhou.
Imagem principal: Painel de adquirência e IA no 19º CMEP (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)





