Organizar o produtor para comprar melhor e produzir com mais eficiência é o caminho mais seguro para atravessar os ciclos de preço da suinocultura. A avaliação é de Olinto Rodrigues Arruda, vice-presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) e fundador do Grupo Água Branca e da Gran Corte Agroindustrial, em entrevista à Agrimídia durante a AveSui 2026, em Cascavel (PR).
Produtor de suínos e também ligado à indústria frigorífica, Olinto destaca o papel da associação em levar tecnologia e informação de mercado ao produtor. A APCS mantém uma bolsa semanal de suínos, que serve de referência para que o criador negocie um preço justo, e o Consórcio Suíno Paulista, que reúne os associados em compras conjuntas de insumos.
“O mercado é muito grande e disperso. Apesar de você informar, você não tem uma ingerência sobre ele. Agora, sobre o custo, você pode ter uma ingerência maior”, explica. “Então a gente foca muito em orientar o produtor e associá-los para que todos nós, como produtores, façamos compras melhores.”
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Consumo em alta e preço competitivo
O dirigente lembra o trabalho de base conduzido pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) para desmistificar a carne suína junto a médicos, nutricionistas e consumidores. Segundo ele, nas últimas duas décadas o consumo per capita saiu de cerca de 6 quilos para perto de 20 quilos por ano.
Para Olinto, o momento é favorável. “A carne suína tem qualidade excelente e um preço oportuno. Se você comparar com outras proteínas, principalmente a bovina, ela tem um preço extremamente convidativo”, afirma. A expectativa é de que o consumo interno siga crescendo de forma consistente. “Ele não vai explodir, mas a gente espera que continue aumentando significativamente todo ano.”
Exportação como complemento
O mercado externo, na visão do vice-presidente da APCS, é indispensável para absorver a produção de um setor que cresceu muito, especialmente no Paraná. Ele estima que o Brasil deve exportar cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne suína, diante de uma produção total entre 5 milhões e 5,5 milhões de toneladas. “São duas coisas complementares: o aumento do mercado interno e o aumento do mercado externo através da exportação.”
Juízo na hora de crescer
Olinto reconhece que a suinocultura, assim como a avicultura, está sujeita a oscilações expressivas e que boa parte delas depende das decisões dos próprios produtores. “Se os produtores aumentam a produção demais, muito rápido, acumula excesso de oferta. Aí não tem jeito, cai o preço mesmo”, diz. “Cabe muito juízo a nós, produtores. Se aumentarem demais a produção, não vai ter milagre.”
Ele também deixa uma mensagem para o próximo governo. Espera que a agropecuária seja tratada “sem rancor” e que, em conjunto com a iniciativa privada, o poder público trabalhe na abertura de novos mercados, no estímulo ao consumo interno e em um tratamento tributário adequado, que viabilize a atividade tanto na exportação quanto na produção para o mercado doméstico.
Da Redação





