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Da agenda fiscal (vazia) ao resultado das eleições: três gestores analisam os cenários de mercado

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A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, gestores brasileiros notam um descompasso entre as demandas econômicas e as propostas dos candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro.

A agenda fiscal é a principal preocupação, com a falta de propostas concretas de ambos os lados. O cenário mais provável é um segundo turno entre os candidatos, mas há a possibilidade de uma definição antecipada devido a fatores como maior abstenção e migração de votos. Gestores acreditam ainda que o mercado não está adequadamente posicionado para uma possível vitória de Flávio.

A trajetória de juros também é uma preocupação, com a necessidade de uma Selic abaixo de dois dígitos para atrair investimentos. Contudo, há ceticismo sobre cortes de juros e a possibilidade de alta sob um novo governo Lula.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, gestores brasileiros ainda observam um descompasso entre as principais demandas econômicas do mercado e o que efetivamente tem sido discutido nas campanhas dos dois principais candidatos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu opositor, Flávio Bolsonaro (PL).

O maior ponto de atenção é a agenda fiscal e a falta de propostas concretas dos dois lados para endereçar a questão. A trajetória de juros e a expectativa com um potencial destravamento de valor dos ativos também estão no radar de gestores de Bradesco Asset, TAG Investimentos e do fundo Zaftra, que participaram do TAG Summit realizado na terça-feira, 29 de setembro.

Fiscal é um não-assunto

Na campanha, o principal descompasso entre as expectativas do mercado e o que vem sendo defendido pelos candidatos é a ausência de uma proposta fiscal clara para os próximos quatro anos.

“Não vamos ter essa discussão na eleição; não [é um tema que] ganha voto”, afirmou Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, durante painel.

Ainda assim, a gestora trabalha com a possibilidade de que algum pacote de ajustes será implementado a partir do próximo ano independentemente do vencedor.

“Algum pacote de ajuste para a gente não ter um desarranjo na economia — juros subirem, câmbio subir muito —, alguma coisa precisa ser feita”, afirmou.

Ao mesmo tempo, ele não espera que o assunto seja central na eleição: “Não vamos ver essa discussão na eleição — não ganha voto e não vai ter”.

Entre as alternativas mencionadas pelo gestor estão mudanças nas regras de despesas obrigatórias. “A lógica do desafio fiscal brasileiro é que a despesa cresce muito e o orçamento é muito rígido. Esse é o cerne”, disse. Na avaliação dele, uma solução passaria por “trazer flexibilidade para o orçamento”.

Na TAG Investimentos, o CIO André Leite vê uma diferença maior entre os dois principais cenários eleitorais. Para Flávio, a gestora espera um ajuste fiscal mais profundo. Já no caso de Lula, o gestor classifica a perspectiva como uma incógnita.

“Do ponto de vista do Lula, eu acho que é um grande ponto de interrogação”, afirmou Leite em entrevista ao NeoFeed.

Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra, estende a crítica à oposição. “Essa foi uma campanha que infelizmente o eleitor vai chegar na urna sem entender qual vai ser o projeto de Brasil da situação e o projeto de Brasil da oposição”, disse em painel.

Definição no primeiro turno?

O cenário-base dos gestores brasileiros é de um segundo turno entre Lula e Flávio, acompanhando as mais recentes pesquisas de intenção de voto que mostram os candidatos próximos a um empate.

Porém, o gestor do Zaftra alerta para a possibilidade de uma definição antecipada, ainda no primeiro turno. A explicação está na combinação de dois fatores: uma eventual abstenção maior, que reduziria o número de votos válidos, e a possibilidade de o antipetismo se concentrar na reta final, levando eleitores de candidatos menores a migrar para o principal nome de oposição.

Segundo Moura, cujo fundo acompanha eventos eleitorais no Brasil e no exterior, essa combinação poderia alterar significativamente a distribuição dos votos e abrir espaço para que Flávio saísse à frente no primeiro turno – ou até mesmo já vitorioso.

“A probabilidade de vitória da oposição no primeiro turno não é desprezível. Muito pelo contrário: é maior do que nos anos anteriores”, afirmou.

Já o CIO da TAG, aposta em um segundo turno entre os principais candidatos, mas acredita que uma eventual vitória de Flávio ainda é subdimensionada nos mercados.

“O mercado está pouco posicionado para esse evento, talvez tenha precificado de 15% a 20% desse movimento”, disse Leite.

Em caso de vitória de Flávio, o CIO vê bolsa e juros reais longos, como as NTN-Bs, com melhor desempenho ajustado ao risco. Com Lula, Leite diz que bolsa e NTN-Bs já negociam em nível de preço estressado e sofreriam menos do que a real, que seria o ativo mais vulnerável.

Trajetória de juros

A liberação de valor, porém, depende da trajetória de juros. Segundo ele, um nível de Selic abaixo de dois dígitos seria necessário para que o investidor deixasse o CDI e buscasse outras opções de investimento.

No entanto, o CIO vê o atual ciclo de cortes com ceticismo, e projeta que o país pode entrar em uma nova trajetória de alta de juros em caso de um novo governo Lula.

Leite avalia que o atual ciclo de redução tem um componente político relevante, especialmente por serem cinco cortes consecutivos mais brandos, de apenas 0,25 ponto percentual (p.p.), quando o usual é que o BC aumente o ritmo após os primeiros cortes.

Funchal, da Bradesco Asset, também reconhece pressões de alta da inflação. “Olhando friamente para os choques [inflacionários] esperados daqui para frente, a tendência seria aumentar os juros. Podemos ter choque de El Niño, fim da escala 6×1, petróleo. São vieses de alta”, afirmou.

A gestora do Bradesco, no entanto, projeta queda para os juros em 2027. Funchal considera razoável o argumento do Banco Central de que a desaceleração da economia contraída para o próximo ano possa abrir espaço para a continuidade dos cortes mesmo com as pressões contrárias.



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