29.9 C
Marília
HomeAgronegócioNo suco de laranja, mercado estocado pesa sobre os preços

No suco de laranja, mercado estocado pesa sobre os preços

spot_img



Com chuvas acima da média no principal cinturão citrícola brasileiro entre maio e agosto, a produção de laranja deve ficar acima do estimado inicialmente para a safra 2026/27. Mas a notícia teve impacto praticamente nulo nos preços do suco, pois manteve a leitura de um mercado “estocado” para os atuais padrões reprimidos de demanda.

A análise é de especialistas ouvidos por The AgriBiz, após o Fundecitrus divulgar, nesta quinta-feira (10), a sua primeira revisão na estimativa para a safra 2026/27. A projeção para a produção aumentou 3,1% em relação à estimativa inicial, divulgada em maio. O crescimento corresponde a 7,95 milhões de caixas, totalizando 263,15 milhões de caixas (de 40,8 kg cada uma) — o que ainda representa uma queda de 10% na comparação anual.

Mais do que o tamanho da produção no Brasil, que representa mais da metade da oferta global de suco de laranja, o fator que está pesando mais sobre os preços é o nível de estoque da indústria local, estimado no mercado em mais de 600 mil toneladas de FCOJ ao final de junho. Em 12 meses, o preço do suco de laranja acumula queda de 40% na Bolsa de Nova York.

“A questão principal não é o tamanho da safra. Como as exportações ainda caminham em ritmo lento, o estoque permanece elevado. Então mesmo com uma safra 10% menor que no ano passado, a leitura continua sendo de boa disponibilidade”, diz Wharlhey Nunes, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Ibiapaba Netto, CEO da CitrusBR, que reúne as indústrias exportadoras, explica que o mercado segue guiado pelo cenário de queda na demanda, estimada em 29% desde 1997, segundo levantamento da entidade.

“Tem dois fatores estruturais de pressão. O primeiro é a queda da demanda. O outro é que tivemos três safras boas de preço, mas alavancadas na escassez: pequenas e com estoques baixos. Isso fez os preços se elevarem. Hoje, temos uma safra mais confortável para os padrões de demanda atuais”, afirma.

Um estudo da CitrusBR confirma a maior influência do nível de estoques, em contexto de baixa demanda, sobre o mercado. “As cotações do suco apresentaram relação mais clara com os níveis de estoque do que com o tamanho da safra”, diz o estudo, que comparou a cotação média nos cinco anos de menor estoque e nos cinco anos de estoque maior e confrontou as oscilações com os volumes nesses anos.

A cadeia tinha, em 2025, 48% mais semanas de consumo estocadas do que em 2012/13. “A demanda anual atendida pelas exportações brasileiras caiu de 1,11 milhão de toneladas em 2012/13 para 746 mil toneladas em 2024/25. A mesma quantidade de suco passa a durar mais quando há menos mercado a abastecer.”

Por que a produção será maior

Segundo o Fundecitrus, associação que representa citricultores e indústrias de suco no estado de São Paulo, a principal razão para o aumento na previsão para a produção em 3% foram as chuvas entre maio e agosto — que superaram a média histórica para o período em 51%.

Choveu mais que o histórico em rodas as microrregiões do cinturão citrícola. Com isso, a projeção de peso médio dos frutos cresceu de 160 gramas por fruto para 166 gramas. E esse aumento mais do que compensa a esperada elevação da taxa de queda prematura.

Segundo Nunes, a revisão para cima do Fundecitrus já era esperada e chama a atenção mais pelo fato de que nos últimos anos os ajustes foram para baixo — por conta principalmente do greening, a doença que há uma década vem afetando os laranjais e pondo em risco o negócio.

“Neste ano, o clima foi mais favorável. Não está claro ainda se isso é efeito do El Niño ou não, mas a planta se fortalece e o fruto fica mais pesado. Não necessariamente vai ter mais laranja, mas o peso delas fica maior.”

Atraso na colheita preocupa

Já entre os fatores altistas de preço, ou seja, de risco para a produção brasileira, Nunes destaca o atraso na colheita — salientado também pelo Fundecitrus.

Segundo a entidade, a colheita atrasou no ano passado, mas agora “o comportamento está mais acentuado”, com apenas 27% da safra colhida até agosto. “O ritmo está associado à priorização da colheita no ponto ideal para obter suco de qualidade e à elevada proporção de frutos de segunda florada”, diz o relatório da entidade.

Nunes, do Itaú BBA, explica: “Quando a laranja passa mais tempo no pomar, incorpora mais açúcar, diminui a acidez e fica melhor para o processamento”. Além da busca por maturação, outro fator que faz a indústria esperar para colher é o estoque alto.

Porém, prolongar a permanência dos frutos nas árvores guarda riscos: “associada à alta intensidade de pragas e doenças”, a colheita tardia refletiu em uma revisão para cima da projeção da taxa de queda prematura de frutos, de 23,7% para 24,1%. E o indicador é mais intenso onde há alta incidência de greening, segundo o Fundecitrus.

Nunes pontua que é preciso acompanhar como será o clima no restante da safra, principalmente sob eventuais efeitos do El Niño, cuja possibilidade de incidência muito forte ainda em setembro foi revisada para 97%.

“Setembro, outubro e novembro são críticos por conta da pegada da florada da laranja. Em outros anos, houve calor excessivo, sem chuva e com ventos fortes, contribuindo negativamente. Neste ano, por enquanto as lavouras estão indo bem. E para a região Sul e São Paulo, o El Niño tende a não impactar tanto; pode até ser mais chuvoso e favorável. Mas ainda é cedo, é preciso olhar os próximos meses”, diz.



Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img