O interesse de grupos empresariais chineses pela suinocultura brasileira tem se traduzido, até o momento, em um movimento de aproximação, busca de informações e conhecimento do mercado. A análise foi apresentada por Alexandre Rosa, diretor Superintendente da Agroceres PIC e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS), durante reunião da Bolsa de Suínos do Estado de São Paulo, promovida pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS).
Questionado sobre o interesse de grupos chineses pelo setor, Rosa observou que o Brasil tem despertado a atenção de empresas interessadas em compreender melhor as características da produção nacional. Segundo ele, trata-se, neste momento, de um movimento de aproximação e avaliação das possibilidades existentes no país.
Um movimento ainda em avaliação
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Na análise de Alexandre Rosa, decisões de investimento dessa dimensão exigem tempo e conhecimento aprofundado do mercado. Além das condições produtivas, entram nessa avaliação fatores relacionados ao ambiente de negócios, à estrutura tributária e aos diferentes modelos de operação.
Uma eventual participação de grupos chineses na suinocultura brasileira poderia assumir diferentes formatos, desde investimentos próprios até parcerias ou participação em empresas já estabelecidas no país.
Rosa citou como referência movimentos realizados por outros grupos internacionais que encontraram no Brasil oportunidades de associação com empresas nacionais. Na avaliação do executivo, esse tipo de parceria pode combinar conhecimento do ambiente local, capacidade produtiva e acesso a mercados internacionais.
Segundo Rosa, os contatos realizados até agora indicam interesse, busca de informações e avaliação do mercado brasileiro, mas ainda não apontam para uma decisão de investimento definida.
Diferentes caminhos para investimentos
Para Rosa, a análise de eventuais investimentos internacionais passa necessariamente pelas particularidades do ambiente de negócios brasileiro. Estrutura tributária, legislação e organização das cadeias produtivas são elementos que precisam ser considerados por empresas interessadas em estabelecer operações no país.
O executivo ressaltou que diferentes modelos de participação internacional já foram construídos no agronegócio brasileiro e que cada movimento depende das estratégias, características e objetivos das empresas envolvidas.
Como exemplo de parceria de longo prazo, mencionou a própria Agroceres PIC, joint venture entre o grupo brasileiro Agroceres e a inglesa PIC, que completa 50 anos em 2027. Na avaliação de Rosa, relações dessa natureza dependem da construção de interesses comuns, do alinhamento de estratégias e do conhecimento das particularidades do mercado local.
Transformação da produção chinesa
Durante a reunião, Alexandre Rosa também comentou transformações recentes observadas na suinocultura chinesa, mercado que conhece a partir de visitas e contatos com empresas do país.
Segundo o executivo, o setor passou nos últimos anos por um intenso processo de tecnificação e concentração da produção. Sistemas de menor escala perderam participação, enquanto avançaram operações profissionais e tecnologicamente mais estruturadas.
Esse processo permitiu ganhos expressivos de produtividade. De acordo com os números apresentados por Rosa, sistemas que anteriormente produziam em torno de 14 a 15 leitões desmamados por fêmea ao ano deram lugar, progressivamente, a estruturas capazes de alcançar médias próximas de 25, com operações mais recentes chegando a aproximadamente 30.
Os ganhos de produtividade também têm sido considerados nas avaliações sobre a dimensão necessária do plantel chinês para atender à demanda do país, contribuindo para mudanças na estrutura de produção.
Escala e eficiência produtiva
Outro ponto abordado foi o desenvolvimento de instalações de múltiplos andares para produção de suínos na China. Rosa relatou ter visitado uma dessas estruturas e conversado com empresas que avaliaram ou implantaram esse modelo.
Segundo ele, essas instalações surgiram, entre outros fatores, como resposta à disponibilidade limitada de áreas para licenciamento em determinadas regiões. A experiência acumulada com essas estruturas também tem evidenciado desafios operacionais, sanitários e ambientais, especialmente em sistemas de grande escala.
Na avaliação de Rosa, modelos baseados em unidades de produção segregadas por fase continuam oferecendo alternativas eficientes para grandes operações, especialmente sob a perspectiva sanitária.
As experiências internacionais, afirmou, também oferecem referências para a evolução da própria suinocultura brasileira, especialmente na busca por modelos capazes de combinar escala, eficiência produtiva e controle sanitário.
Da Redação





