Bloomberg — O presidente Donald Trump assinou uma ordem que flexibiliza as tarifas sobre algumas importações de carne moída, uma medida destinada a reduzir os custos para os consumidores que acabou por irritar os pecuaristas e os republicanos dos estados rurais antes das eleições intermediárias de novembro.
As sobras de carne bovina magra ficarão temporariamente isentas de uma alíquota tarifária mais elevada caso excedam uma cota pré-estabelecida. A isenção tarifária terá duração de 90 dias e está limitada a 100.000 toneladas por mês.
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A medida visa “garantir carne bovina a preços acessíveis para os consumidores americanos, tendo em vista os atuais desafios de abastecimento”, de acordo com um comunicado da Casa Branca divulgado na noite de quarta-feira (26).
“Essa ação inclui salvaguardas essenciais para maximizar a redução de custos, ao mesmo tempo em que protege os pecuaristas americanos das importações estrangeiras e lhes dá espaço para aumentar o rebanho nacional.”
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Trump anunciou pela primeira vez seus planos de conceder isenção tarifária em 21 de agosto, afirmando que os EUA permitiriam a entrada de até 300.000 toneladas métricas de carne moída no país sem que fossem sujeitas a tarifas de importação que excedessem uma determinada cota.
Um funcionário da Casa Branca afirmou na época que os exportadores estrangeiros de carne bovina concordaram em oferecer um desconto de 25% em troca da redução tarifária e que essa economia seria repassada aos consumidores americanos.
A medida foi apenas a mais recente iniciativa de Trump para reduzir os preços da carne bovina em meio à escassez de gado, aos custos de produção mais elevados e às pastagens secas que têm prejudicado o abastecimento.
O preço da carne moída aumentou quase 80% desde 2020. De maneira mais ampla, pesquisas mostram que os eleitores estão preocupados com o alto custo de vida, inclusive com os preços dos alimentos, a poucos meses das eleições que determinarão o controle do Congresso.
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A campanha do presidente para reduzir os preços por meio da redução de tarifas, no entanto, gerou reação negativa por parte dos pecuaristas, afastando um grupo cujo apoio é importante para as esperanças eleitorais dos republicanos.
Legisladores republicanos que representam estados com grande número de pecuaristas criticaram duramente a decisão, afirmando que ela prejudicaria os produtores americanos e não abordaria os desafios relacionados ao aumento do rebanho bovino dos EUA.
O deputado Jason Smith, republicano do Missouri que lidera a influente comissão da Câmara responsável pela elaboração de leis tributárias e comerciais, criticou a medida em uma postagem nas redes sociais na quinta-feira.
Smith é um aliado ferrenho de Trump e raramente se afasta do apoio às políticas da Casa Branca.
“Obrigar nossos criadores de gado — que enfrentaram anos de seca, além dos altos custos de alimentos, combustível e fertilizantes — a arcar com o ônus da redução dos preços da carne bovina não resolverá a questão”, afirmou Smith.
As ações da Tyson Foods caíram até 2,6%, atingindo o preço mais baixo desde 3 de agosto, enquanto as ações da JBS caíram cerca de 2,8%.
Os EUA vêm aplicando cotas à importação de carne bovina proveniente de vários países há anos.
O anúncio desta quarta-feira não alterará os compromissos anteriores relativos à carne bovina para países com acordos de livre comércio e também não se aplica a nações com cotas específicas para cada país, informou a Casa Branca. Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai possuem cotas específicas por país, e os EUA mantêm acordos de livre comércio com o México e o Canadá.
Outros importantes fornecedores de carne bovina para os EUA incluem o Brasil e o Paraguai.
A Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (Abiec) afirmou em um comunicado que seus exportadores poderiam se beneficiar da proclamação de Trump, embora os ganhos nas margens sejam limitados pela exigência de um desconto de 25%.
— Com a colaboração de Ilena Peng, Jeff Mason, Romy Varghese e Laura Curtis.
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