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Conselho do São Paulo marca data para votar expulsão de Casares

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O Conselho Deliberativo do São Paulo agendou a data para votar a expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube. O pleito se dará no próximo dia 9 de setembro, uma quarta-feira.

O edital de convocação foi publicado nesta sexta-feira pelo presidente do Conselho, Olten Ayres de Abreu Júnior. A reunião será realizada no auditório do Morumbis, de maneira hibrída. Ou seja, os conselheiros poderão votar presencialmente ou online.

A primeira chamada da reunião está prevista para as 18h30 (de Brasília), enquanto a segunda e final está marcada para as 19h. A votação, por sua vez, terá início a partir das 22h, com encerramento previsto para as 17h da quinta-feira, dia seguinte.

Os conselheiros irão analisar o parecer final sugerido pela Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo, que recomendou, por unanimidade, a expulsão de Casares do quadro de associados.

O parecer final da Comissão de Ética

A Comissão de Ética do São Paulo é composta por cinco membros: Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja. Todos votaram a favor da expulsão de Julio Casares, que renunciou à presidência do São Paulo em janeiro deste ano após supostos escândalos financeiros envolvendo sua gestão.

A decisão da Comissão de Ética baseou-se em apurações internas que sugerem uma possível gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas por Casares durante o período em que presidiu o clube, entre 2021 e 2026. Ele também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta lavagem de dinheiro e possível exploração clandestina de um camarote no Morumbis.

A apuração do caso foi mantida mesmo após a renúncia de Casares ao cargo de conselheiro e à função de associado, em julho deste ano. Em carta aberta, o ex-presidente alegou ter sido alvo de perseguições, ataques pessoais e disputas políticas que o transformaram em “vilão” e, por isso, tomou a decisão de abrir mão dos postos.

(Foto: Rubens Chiri/São Paulo)

O ex-presidente, vale lembrar, teve a chance de se defender perante os membros do órgão em audiência no último dia 31 de julho, mas optou por não comparecer, mandando apenas sua defesa em seu lugar. Com isso, o processo teve andamento, e no parecer final elaborado pela Comissão de Ética, Casares foi enquadrado no parágrafo 8 do Artigo 34 do Estatuto Social do clube, que versa o seguinte:

§ 8º Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo“.

Além disso, a Comissão de Ética também recomendou que Casares faça o ressarcimento, aos cofres do São Paulo, dos eventuais despesas particulares no cartão corporativo. O ge revelou que o presidente, durante sua gestão, teria gastado R$ 1 milhão no cartão do clube para fins pessoais. O órgão ainda pediu que Casares indenize o São Paulo com base no Artigo 11 do estatuto social.

O parecer da Comissão de Ética e Disciplina, vale lembrar, é meramente recomendatório. Os conselheiros, neste sentido, não são obrigados a acatar a sugestão do órgão e têm direito a votos divergentes.

As investigações sobre supostas irregularidades

As investigações sobre possíveis irregularidades na gestão Julio Casares tiveram início ainda em dezembro de 2025 com a revelação, feita pelo ge, de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e tanto Mara como Douglas foram expulsos do clube em votação conduzida pelo Conselho Deliberativo.

Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares.

Já no início de janeiro de 2026, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O ex-presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.

Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil também passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.

Também em janeiro, o MP-SP, juntamente com a Polícia Civil, instaurou um novo inquérito para averiguar um possível caso de corrupção no departamento social do São Paulo. O principal alvo da investigação é António Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que atuava como diretor social do clube até deixar o cargo em janeiro deste ano, em comum acordo com o presidente Harry Massis.



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