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Bill Gates: Big Techs estão escondendo os riscos da AI

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A transição para a era da inteligência artificial será um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade – e, neste momento, não estamos nos preparando adequadamente para essa revolução, advertiu Bill Gates.

Em um artigo publicado em seu blog, Gates disse que a AI poderá ser o maior instrumento de promoção de igualdade já inventado – ou a pior máquina de criação de injustiças. O resultado dependerá de como utilizarmos a tecnologia.

“O desafio é monumental,” disse o cofundador e ex-CEO da Microsoft. “Se o mundo der os passos certos, a AI será uma força para o bem e deixará todos em melhor situação. Infelizmente, neste momento, não estamos nos preparando para isso.”

Na avaliação de Gates, não há evidências de que os líderes mundiais e a comunidade da indústria de tecnologia estejam enfrentando os desafios de forma adequada.

Parte do problema, segundo ele, é que muitas pessoas ainda estão subestimando o alcance da AI.

“Gostaria que o mundo pudesse colher os benefícios rapidamente e adiar ao máximo os problemas, mas os benefícios e os problemas estão chegando simultaneamente,” escreveu.

O empresário e visionário de tecnologia disse que precisamos nos preparar para um período de turbulência social, política e econômica. “As pessoas que mais precisam de tempo são justamente as que menos o têm – o profissional de contabilidade substituído por um software, ou o trabalhador que ganha US$ 20 por hora e perde o emprego para um robô que custa US$ 10.”

Em uma entrevista ao New York Times, Gates disse que os executivos da indústria de tech revelam essas preocupações quando conversam reservadamente – mas poucos estão dispostos a falar publicamente.

“Eles dizem uns aos outros: ‘Hey man, não diga isso. É ruim para nós – para o próximo trilhão de dólares que estamos tentando captar’.”

Segundo Gates, “eles estão avançando em velocidade máxima, torcendo para que o lado bom supere o ruim.”

Na entrevista, Gates, de 70 anos, afirmou que, entre os avanços tecnológicos que presenciou ao longo dos anos, ficou impressionado de verdade em apenas três ocasiões: em 1980, quando viu pela primeira vez uma interface gráfica, o que levou ao computador pessoal; em 2022, quando os fundadores da OpenAI foram à sua casa para demonstrar o que se tornaria o ChatGPT; e neste ano, quando observou os avanços do Claude Code, da Anthropic.

A programação, disse ele, é a área que ele domina melhor, e as capacidades do Claude o deixaram impressionado.

No passado, os avanços tecnológicos criaram mais empregos do que eliminaram. Para Gates, muitos defensores da AI argumentam que o mesmo se repetirá agora – mas, em sua opinião, a AI é “completamente diferente.”

A perda de empregos em massa poderá ser inevitável caso o problema não seja enfrentado rapidamente, porque a disseminação da tecnologia deixaria pouco espaço para que outros setores absorvam os trabalhadores deslocados.

Gates disse que decidiu lançar o alerta porque os avanços recentes mostraram que a AI vem evoluindo mais rapidamente do que suas expectativas iniciais e vão-se ampliando os riscos, como o uso da tecnologia para a criação de armas biológicas ou mesmo a possibilidade de as máquinas escaparem do controle dos humanos.

Entre as suas propostas estão a criação de uma taxa sobre o uso de AI e a proibição de que alguns empregos sejam substituídos pelas máquinas.

Disse ainda serem necessários acordos internacionais para monitorar e restringir riscos de acidentes e uso criminoso.

Gates se mostrou cético com relação à efetividade de mecanismos de autorregulação que estão sendo discutidos pela Casa Branca e representantes das Big Techs – e disse ter ficado em “estado de choque” com a falta de urgência. “Autorregulação na ferramenta mais perigosa já inventada? No, thanks!

Gates ficou multibiliardário com a Microsoft e já esteve no banco dos réus acusado de monopolizar a indústria de software. Mas disse que agora não se orienta mais diretamente pelos incentivos do lucro financeiro.

“Não gosto de trazer más notícias às pessoas, nem de dizer que a inovação pode ter um saldo negativo,” disse ao Times. “Mas é essa a situação em que nos encontramos.”

 

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Giuliano Guandalini






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