Marília – A Justiça transformou o empresário Carlos Eduardo dos Reis, o Dudu Reis, em réu por denúncia de falsificação de documentos para venda de veículos de empresário Walter Aparecido Luiz Marcondelli Júnior, assassinado meses antes das transações.
O Ministério Público acusa Dudu Reis de falsificar dados e registros para transferir uma Ford Ecosport e um Mercedes Benz.
O empresário negou os crimes em depoimento à Polícia. O advogado Luiz Fernando Marques Gomes de Oliveira, que representa Dudu Reis, disse que “é inocente da acusação e provará a inocência durante o processo”.
A abertura do processo penal dá a Dudu Reis prazo para contestar a acusação e apresentar relação de testemunhas. Só então a Justiça deve definir data de audiências e mais procedimentos
A acusação da fraude acompanha investigação policial que a filha de Marcondelli provocou com queixa de falsificação em cheques e negociação de carros. Perícia descartou fraudes nos cheques, mas a Polícia acusa falsificação nos veículos.
Transferências após a morte
A transferência do Mercedez envolve contrato online de despachante em Altinópolis (350km de Marília). Além disso, aprovação por servidor do sistema de trânsito em Itatiba e acusação de falsificação do selo de um cartório de Presidente Prudente.
A Polícia relata venda de veículo em nome de Walter -i nclusive cita que ele usava o carro até minutos antes de ser assassinado -. A transferência por terceiro ocorreu após o óbito, conforme consultas ao sistema DETRAN e envolve uso de selos falsos de autenticação
A venda da Ecosport tem relato de oferta em estacionamento de Andirá, no Paraná, e o responsável confirmou a compra diretamente de Dudu.
Diz que pagou pelo carro em dezembro de 2022, vendeu em abril de 2023 e só então pediu os documentos, que Dudu repassou. A transferência usou serviços de por despachante de Bandeirantes, no mesmo Estado.
O relatório de investigação da Polícia Civil pediu, inclusive, a prisão de Dudu Reis pelos dois casos e o Ministério Público concordou. Contudo, a 2ª Vara Criminal de Marília nega a prisão. Argumenta que o caso ocorreu há mais de três anos e envolve acusação de crime sem envolve violência física.
Além disso, citou que o empresário já cumpre prisão por condenação em outro caso, de extorsão, também em vínculo com a morte de Marcondelli.
Walter Marcondelli Júnior morreu quando chegava para trabalhar em estacionamento de veículos na zona leste, próximo ao HC Famema. Um homem em moto parou a seu lado, fez pelo menos cinco disparos, inclusive um à queima roupa.
A Polícia identificou Anderson Ricardo Lopes, o Ricardinho Kong, como autor dos disparos. Ele confessou o crime, porém, durante processo mudou sua versão. Além dele, a acusação aponta Bruno Rangel de Oliveira como homem que contratou Ricardinho para o ataque. Os dois esperam júri Popular sobre o caso.





