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Telebras vai ouvir fornecedores para comprar novo satelite geoestacionário …

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A Telebras lançou uma consulta internacional ao mercado para conhecer as tecnologias mais avançadas disponíveis e os modelos de desenvolvimento capazes de sustentar uma nova geração da infraestrutura espacial brasileira. Embora não tenha caráter de licitação, a Request for Information (RFI) publicada pela estatal revela uma visão significativamente mais ampla do que a adotada no SGDC-1 e indica a intenção de transformar o novo satélite no núcleo de uma arquitetura nacional permanente de comunicações estratégicas.

A estatal de TI quer ouvir fabricantes de satélites, integradores de sistemas e fornecedores de equipamentos de todo o mundo antes de definir os requisitos da missão, a arquitetura do sistema, o conceito operacional e a futura estratégia de aquisição. O objetivo é identificar soluções tecnológicas capazes de atender às necessidades do governo federal, das Forças Armadas e da infraestrutura crítica brasileira nas próximas décadas, preservando a operação soberana do sistema espacial nacional. As contribuições terão de ser enviadas até o dia 15 de setembro.

A consulta estabelece que o novo satélite deverá ter uma vida útil operacional mínima de quinze anos em órbita geoestacionária, operando na posição orbital brasileira de 57° Oeste, assegurando, assim, a continuidade dos serviços estratégicos do Estado, ofertado pelo SGDC 1. Deverá ainda reaproveitar a infraestrutura existente, particularmente nas unidades de Brasília e Rio de Janeiro, mas, ao mesmo tempo, terá de avaliar a utilização de outras áreas disponíveis na rede nacional de teleportos — como Campo Grande, Florianópolis e Salvador — para ampliar a diversidade geográfica e a resiliência do sistema.

A estatal de TI evidencia a escolha por tecnologias de última geração. Entre os temas abordados estão satélites definidos por software, processamento digital de cargas úteis, formação eletrônica de feixes, redistribuição dinâmica de capacidade, reutilização intensiva de frequências e arquiteturas abertas que evitem dependência tecnológica de um único fornecedor. A Telebras também solicita informações sobre inteligência artificial aplicada ao monitoramento do satélite, manutenção preditiva, detecção automática de falhas e operação autônoma da missão, acompanhando tendências já presentes em programas espaciais internacionais.

Na área civil, o SGDC-2 deverá ampliar significativamente a capacidade nacional de comunicações por satélite. A expectativa inicial é operar entre 80 Gbps e 100 Gbps, com cobertura de todo o território brasileiro e da chamada Amazônia Azul, priorizando especialmente a Região Norte, onde a dependência de enlaces via satélite permanece elevada devido à limitada infraestrutura terrestre. O documento também prevê que o sistema atenda não apenas programas de inclusão digital, mas serviços estratégicos relacionados aos setores de energia, transporte, controle do tráfego aéreo, segurança pública, saúde, sistema financeiro e outras atividades consideradas essenciais para o funcionamento do Estado brasileiro.


A missão militar também ganha dimensão mais sofisticada. O RFI estabelece requisitos para comunicações nas bandas X e Ka Militar, com mecanismos de proteção contra interferências deliberadas, técnicas para reduzir a probabilidade de interceptação e detecção dos sinais, criptografia, segurança das comunicações, geolocalização e capacidade de adaptação dinâmica da rede. O documento ainda solicita estudos sobre a eventual incorporação de cargas úteis adicionais, como comunicações em UHF e sensores ópticos voltados ao monitoramento do ambiente espacial e prevenção de colisões em órbita.

O uso da tecnologia nacional é requisito. A Telebras solicita que os participantes detalhem propostas de transferência de tecnologia, programas de absorção de conhecimento, treinamento de engenheiros brasileiros, participação de universidades e centros de pesquisa, além da possibilidade de realizar no país atividades de engenharia, integração, testes, fabricação de equipamentos terrestres e manutenção do sistema ao longo de sua vida útil. Também pede que sejam identificadas eventuais restrições decorrentes de controles de exportação, propriedade intelectual ou licenciamento internacional que possam limitar essa cooperação tecnológica.

Lançada a proposta de consulta,o cronograma prevê a assinatura dos acordos de confidencialidade até 31 de julho, período para esclarecimento de dúvidas até o fim de agosto e entrega das respostas pelos fabricantes até 15 de setembro. Após a análise das propostas, a Telebras poderá promover workshops técnicos individuais com os participantes para aprofundar a avaliação das soluções apresentadas.



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