14.4 C
Marília
HomeEsportesCoração e sorte: os rituais argentinos para a final contra a Espanha

Coração e sorte: os rituais argentinos para a final contra a Espanha

spot_img


A mesma roupa, a mesma poltrona, o cachorro do lado de fora ou a sogra tricotando: os argentinos, incluindo o presidente, seguem inúmeras superstições, com o coração acelerado e a esperança de erguer a taça da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva.

Após a vitória épica que eliminou a Inglaterra do Mundial, os argentinos se apegam aos seus rituais para lidar com a adrenalina durante os três dias intermináveis que antecedem a final contra a Espanha.

“Sou doente, sou obcecado por futebol”, declara Andrés González, um contador de 48 anos que diz “respirar, suar e sonhar futebol”, resignado a assistir à Copa pela TV, “mas com a mesma paixão de quem está no estádio”.

Em sua casa no bairro popular de Liniers, na zona oeste de Buenos Aires, “ninguém sai do lugar que ocupou da última vez”, explica ele.

“Se você foi ao banheiro e saiu um gol, a gente te tranca lá. Você fica lá até o jogo acabar”, diz ele à AFP com firmeza.

Não é brincadeira. Trata-se de uma ‘cábala’, uma superstição ou ritual ao qual se atribui a capacidade de trazer sorte.

Veja também:
Todas as notícias da Gazeta Esportiva
Canal da Gazeta Esportiva no YouTube
Siga a Gazeta Esportiva no Instagram

Até mesmo Javier Milei revelou nesta quinta-feira que tem a sua própria superstição: ele “de jeito nenhum” viajará para os Estados Unidos para assistir à final de domingo contra a Espanha. O presidente assistirá à partida na residência presidencial, “assim como no primeiro dia”, disse ele em uma entrevista de rádio. É para dar sorte? “Sim”.

Argentinos de todas as idades e classes sociais têm suas próprias superstições. Algumas vêm de Copas passadas, enquanto outras são novas.

Na casa de Estela Vargas, uma vendedora de 65 anos, todos usam as mesmas roupas, se sentam na mesma poltrona e o cachorro fica do lado de fora. “Para o jogo contra a Inglaterra, já que ele é um bulldogue inglês, colocamos uma camisa da Argentina nele e levamos sua cama para o pátio. Para o jogo contra a Espanha, faça chuva ou faça sol, ele vai ficar do lado de fora”, garante ela.

Na casa de Graciela Campos, quem fica longe da TV é a sogra. “Ela fica sentada na cozinha, tricotando um cachecol azul-claro e branco. Os pontos frouxos são todos os gols que comemoramos”, diz ela.

“Extremo”

No universo colorido das superstições e rituais, essas práticas para “atrair sorte” estão longe de ser vistas pelos argentinos como uma mera brincadeira.

“É uma parte profundamente enraizada no mundo do futebol, ligada a uma esfera quase religiosa de santos e ídolos, como Diego Maradona desde a sua morte”, em 2020, disse o sociólogo Diego Murzi à AFP.

O especialista cita o exemplo de Carlos Bilardo, ex-técnico da seleção que conquistou a Copa do Mundo no México, em 1986.

“Bilardo é médico, um homem da ciência, mas era extremamente supersticioso”, observou, relatando uma história daquele torneio.

“Durante a primeira partida da seleção argentina, um telefone no vestiário tocou e um jogador atendeu, mas não havia ninguém do outro lado. Bilardo viu aquilo e, como a Argentina venceu, passou a providenciar que alguém ligasse para aquele telefone antes de todos os jogos seguintes, fazendo com que o mesmo jogador atendesse, apenas para não haver resposta do outro lado”, contou.

“No futebol, os argentinos não se veem como meros espectadores, mas como protagonistas, e esses rituais fazem parte disso: sentir-se envolvido ao atrair a boa sorte e afastar a má”, explicou Murzi.

Chifres e velas

Nos bairros de Buenos Aires, quanto mais populares, mais enfeitados de bandeiras eles ficam num momento que mistura alegria e nervos à flor da pele antes de cada jogo.

“Sigo todos os rituais: quando o rival ataca, me levanto, aponto os dedos em sinal de chifre para a TV e ando de um lado para o outro dizendo: ‘Corta a jogada, corta a jogada'”, explica Lidia Otero, uma aposentada de 74 anos tão apaixonada pela seleção quanto pelo seu amado Boca Juniors.

“No jogo contra a Inglaterra, no primeiro tempo, minha cachorra ficou sentada de frente para a TV e a Argentina não marcou… Sabe de uma coisa? Para o segundo tempo, virei-a para o lado oposto, e foi aí que o resultado também virou”, afirma a torcedora fanática.

No repertório argentino de superstições, ‘congelar’ o adversário é um ritual clássico atualizado com a tecnologia.

“Pego a figurinha do jogador e a coloco no freezer. Meu avô me ensinou isso”, diz Rodrigo Serna, um fã de Messi de 11 anos.

Essa superstição antiga também se espalhou por correntes de WhatsApp, com imagens de jogadores rivais sendo congelados.

“Uma amiga minha sempre acende uma vela para um santinho de (Diego) Maradona”, conta Isabella Burgos.

Em uma esquina do bairro de Villa Devoto, onde ‘El Diez’ morou, o ritual é realizado antes de cada partida com velas, bandeiras, camisas e fotos dispostas em um altar profano dedicado ao ídolo que ergueu a Copa do Mundo em 1986.

E quanto às ‘mufas’? Esse é o termo para gestos, comentários ou ações que trazem má sorte. Simplesmente não se fala em ‘mufas’.

*Por AFP





Fonte Link

spot_img
spot_img
Fique conectado
16,985FansLike
2,458FollowersFollow
61,453SubscribersSubscribe
Deve ler
spot_img
Notícias Relacionadas
spot_img