O Ministério da Defesa, por meio do Comando da Aeronáutica e do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV), realizará no próximo dia 28 de julho, a partir das 13h, uma das etapas consideradas fundamentais da investigação sobre a queda da aeronave PT-MDB, ocorrida em 10 de junho, em Marília. Os pilotos Gabriel Maloni Mendes da Cruz, de 24 anos, e Henrique Guariente Filho, de 47, morreram no local.
A análise do grupo motopropulsor da aeronave será realizada na Oficina Marília de Aviação, localizada no Aeroporto de Marília. A avaliação integra a investigação conduzida pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer). A Polícia Civil foi convidada e acompanhará os trabalhos.
A expectativa é que a inspeção técnica ajude a esclarecer se houve alguma falha mecânica nos motores ou em componentes do sistema de propulsão. Essa hipótese será confrontada com os demais elementos já reunidos durante a investigação.
A queda ocorreu por volta das 11h50, no campo de futebol da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em uma área próxima ao Aeroporto de Marília. A aeronave envolvida no acidente era um Beech Aircraft 58 Baron, prefixo PT-MDB, de operação privada e pertencente a Carlos Eduardo Alves.
Segundo sobrevivente, pilotos realizavam simulação de voo monomotor
O único sobrevivente da queda prestou depoimento à Polícia Civil. Ele afirmou que, na noite anterior ao acidente, os pilotos Gabriel e Henrique comentaram que pretendiam realizar uma simulação de emergência, conhecida como voo “monomotor”.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil, durante o voo, os pilotos teriam desligado alternadamente cada um dos motores da aeronave como parte do treinamento.
O sobrevivente informou que, durante a aproximação para pouso, foi necessária uma arremetida e, nesse momento, Gabriel tentou religar o segundo motor. Ainda conforme o relato, foi nesse momento que ocorreu a queda da aeronave.
Ele disse não se recordar de qualquer falha mecânica e afirmou acreditar que a queda tenha ocorrido em razão da própria simulação. Também declarou que, pelo que conhece dos procedimentos operacionais, o treinamento não teria seguido o protocolo recomendado, já que o correto seria reduzir a potência de um dos motores ao mínimo, e não desligá-lo completamente.
O sobrevivente ainda afirmou que tinha conhecimento de que a aeronave havia passado por uma pequena manutenção no trem de pouso e que é comum a realização de um voo após esse tipo de serviço para verificar o funcionamento da aeronave.
A análise técnica marcada para o fim do mês deverá representar um dos principais passos para confirmar ou descartar, de forma definitiva, a existência de falha no conjunto motopropulsor. Os resultados periciais serão confrontados com os depoimentos colhidos ao longo da investigação.





