A tentativa do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), de consolidar uma candidatura de centro-direita à Presidência da República ganhou um novo elemento nesta quinta-feira (2), durante passagem por Marília.
Diante de prefeitos, vereadores e lideranças políticas da região, o pré-candidato afirmou que, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) dispute o segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será reeleito em outubro.
“Com todo respeito que o Flávio (Bolsonaro) merece, mas o que está aí hoje, colocado (nas pesquisas), é que se ele for para o segundo, o Lula ganha as eleições. Esta é a análise que precisa ser feita neste momento”, afirmou Caiado.
Questionado sobre o desempenho nas pesquisas, o pré-candidato procurou relativizar os números atuais e afirmou confiar no processo eleitoral. “Eu me curvo à decisão da urna, a que chamo de vossa excelência. Eu não brigo com a vontade da população”, disse, ao definir-se como “um homem de campanha.”
Baixa intenção de votos
A avaliação ocorre justamente em um momento em que Caiado busca espaço como alternativa à polarização nacional, embora apareça entre os últimos colocados nas principais pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento.
A fala coincide com pesquisas recentes que apontam vantagem de Lula em eventuais confrontos de segundo turno contra Flávio Bolsonaro e mostram Caiado distante dos dois principais polos da disputa ao Palácio do Planalto.
Nos levantamentos nacionais mais recentes, o ex-governador de Goiás aparece com índices entre aproximadamente 3% e 5% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula e Flávio concentram a maior parte das preferências do eleitorado.
Agenda municipalista
A estratégia apresentada em Marília busca diferenciar sua pré-candidatura pelo discurso municipalista. Durante seu pronunciamento, Caiado recordou que foi eleito governador de Goiás contando inicialmente com o apoio de apenas 14 dos 246 prefeitos do Estado e prometeu, caso eleito presidente, ampliar a autonomia das administrações locais. “Darei soberania aos municípios e condições de governabilidade”, afirmou.
A declaração ocorreu durante o Conexão APM, evento promovido pela Associação Paulista de Municípios (APM), que reuniu representantes de 51 cidades da região administrativa de Marília para debates sobre gestão pública, reforma tributária, comunicação institucional e fortalecimento do municipalismo.

O discurso dialogou diretamente com a pauta defendida pela Associação Paulista de Municípios, organizadora do encontro. A entidade tem percorrido o Estado promovendo debates sobre financiamento das cidades, reforma tributária e fortalecimento institucional das prefeituras. Antes de Marília, o Conexão APM passou por cidades como Sorocaba, Bauru e Presidente Prudente.
A agenda integra a série de encontros que a entidade realiza pelo interior paulista e serviu também como palco para a primeira agenda conjunta de Caiado com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciado na véspera como seu pré-candidato a vice-presidente.
Ao comentar a composição da chapa, Caiado descartou qualquer possibilidade de mudança. “É uma decisão que não tem volta”, afirmou. Em seguida, justificou a escolha: “o Kassab é respeitado no Brasil como um grande articulador político.”
Pedido de Vinicius
Anfitrião do evento, o prefeito de Marília, Vinicius Camarinha (PSB), aproveitou a presença do presidenciável para reforçar uma antiga reivindicação dos municípios brasileiros. “50% da arrecadação do país precisa ir para os municípios. Eu sei que é difícil fazer isso do dia para noite. Faça uma transição para implementação”, afirmou.

Em seguida, acrescentou: “senão, a gente não consegue sobreviver. Os serviços básicos estão conosco. É uma dica humilde de um prefeito do interior de São Paulo para o senhor pôr em seu plano de governo.”
Vinicius também agradeceu a interlocução de Gilberto Kassab, a quem atribuiu papel importante nas demandas apresentadas pelos prefeitos. Disse reconhecer sua “parceria” para “dizer sim ou não” às reivindicações dos municípios.
Perfil administrativo
Kassab, por sua vez, procurou reforçar o perfil administrativo de Caiado e defender sua capacidade de liderar o país. “É a melhor alternativa do Brasil para os próximos anos” e “ele está mais do que preparado para dar as respostas”, afirmou.

O dirigente nacional do PSD também utilizou o encontro para destacar sua futura participação na chapa presidencial, anunciada na véspera. “É uma proposta que tem um vice de São Paulo, amigo de vocês, que fará a diferença na atenção com as lideranças”, disse aos prefeitos presentes.
Ao final, pediu apoio político, sem solicitar votos de forma direta. “O que eu peço a vocês, porque não posso pedir votos, é o apoio de vocês no começo da campanha.”





