O nome de Josimar voltou à tona com o destaque de Vozinha na Copa do Mundo de 2026. O goleiro, que brilhou no empate sem gols de Cabo Verde com a Espanha, foi batizado pelo pai em homenagem ao ex-lateral direito da Seleção Brasileira, eleito o melhor da posição no Mundial de 1986, disputado no México. Essa história, no entanto, poderia ter sido bem diferente.
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A convocação de Josimar para a Copa daquele ano foi feita às pressas. O escolhido do técnico Telê Santana para o setor foi Leandro, então lateral do Flamengo, mas o ala pediu dispensa.
Pouco antes de Telê anunciar a lista final, Leandro foi pivô de uma polêmica com Renato Gaúcho. A dupla estava reunida com a delegação da Seleção no CT do Cruzeiro, em Belo Horizonte, mas burlou as regras da concentração ao deixar a Toca da Raposa no período da noite e retornar apenas de madrugada. Porém, apenas o então atacante do Grêmio foi cortado.
Leandro se sentiu culpado pelo corte do amigo e decidiu não defender o Brasil naquela Copa. Companheiros de Flamengo, Júnior e Zico foram até a casa do lateral para tentar demovê-lo da ideia. Eles conversaram por mais de uma hora, mas não tiveram sucesso e retornaram ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro para embarcar ao México, sem Leandro.
Segundo informou a Gazeta Esportiva em 10 de maio de 1986, a comissão técnica de Telê se reuniu já em Toluca para discutir quais medidas seriam tomadas. A decisão foi anunciada no dia seguinte: Josimar, então lateral do Botafogo, herdaria a vaga de Leandro. A convocação surpreendeu o próprio jogador.
“Foi uma situação muito interessante. Eu estava sem contrato no Botafogo. Em 1985 eu tinha sido eleito o melhor jogador do Campeonato Carioca e, em 1986, quando saiu a convocação, meu nome não estava na lista. Foi muito triste para mim, porque eu esperava pelo menos estar naquela relação, nem que fosse como reserva”, disse Josimar em entrevista exclusiva à Gazeta Esportiva.
“Com o desenrolar dos acontecimentos, o Leandro desistiu, houve aquele problema dele, que agora nem interessa mais comentar, e graças a Deus apareceu essa brecha. O falecido Telê me convocou, e o senhor Edson, supervisor do Botafogo, foi até a minha casa me dar a notícia. Eu até pensei que ele estivesse brincando, que tinha ido me dar alguma multa ou algo parecido, mas realmente eu tinha sido convocado”, acrescentou.
Capa da Gazeta Esportiva do dia 11 de maio de 1986
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Brilho inesperado
O substituto imediato de Leandro na lateral direita da Seleção era Édson Boaro. O jogador, contudo, se contundiu e abriu caminho para a titularidade de Josimar. O ex-atleta também conta que o seu físico privilegiado também chamou atenção de Telê.
“Fui o último a chegar em Toluca. Cheguei de noite e, logo no outro dia, tivemos um treinamento de corrida. E eu fui o primeiro a chegar. Aquilo chamou muita atenção, porque eles não entendiam como eu não sentia os efeitos da altitude. Não entendiam como eu conseguia correr normalmente. Se você procurar, existem fotos minhas cheio de aparelhos pelo corpo, porque o doutor Lídio Toledo e toda a comissão médica queriam me estudar para entender aquilo”, recordou.
“Graças a Deus, por causa do meu condicionamento físico, consegui me sair muito bem. Quando surgiu a oportunidade, com a lesão do Édson, eu também não acreditava que fosse jogar. Eu imaginava que o Alemão seria escolhido para a lateral. Inclusive, isso me desanimou um pouco. Mas, no vestiário, o falecido Chimbica chegou para mim e disse: ‘Quem vai jogar é você’. Aquilo foi um impacto enorme”, completou.
O Brasil não brilhou no México e caiu para a França nas quartas de final da Copa, mas Josimar foi um dos destaques da campanha com dois golaços. Contra a Irlanda do Norte, pela fase de grupos, acertou um belo chute no ângulo. Já nas oitavas de final, diante da Polônia, fez uma linda jogada individual e deixou o goleiro sem reação com uma bomba de perna direita. Este, aliás, é considerado pela Fifa um dos gols mais bonitos da história dos Mundiais.
As boas atuações colocaram o lateral entre os melhores jogadores da Copa de 1986, marcando presença inclusive no “time ideal” da competição. E o impacto foi imediato: o pai de Vozinha, goleiro de Cabo Verde, decidiu homenagear o ala da Seleção batizando o seu filho de Josimar.





