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Futuro das Indicações Geográficas passa por adaptação climática, tecnologia…

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Ao tratar do futuro das Indicações Geográficas (IG) no país, o pós-doutor no tema Jean-Louis Le Guerroué destacou mudanças climáticas, inovação, transição geracional e perfil do consumidor como os principais pontos de atenção. De acordo com ele, a IG precisa evoluir para além da proteção de produtos, e se consolidar como um instrumento de preservação territorial, sustentabilidade ambiental e desenvolvimento regional a partir de redes de cooperação.

Ele foi um dos principais palestrantes do Connection Terroirs do Brasil, maior evento do país de promoção das Indicações Geográficas que ocorre de 10 a 13 de junho em Gramado (RS) e do qual o Sebrae é correalizador. A IG é um selo concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) que indica um produto com qualidades e características únicas essencialmente ligadas à sua origem geográfica. Hoje, o Brasil tem 161 Indicações Geográficas, de produtos como vinhos, queijos, cafés, açaí, artesanato, torta, panela, cachaça.

“A mudança climática não pode mais ser ignorada e vai atingir todo o mundo. Independentemente se a IG é da área agrícola ou do artesanato, terá de se adequar”, afirmou Jean-Louis. De acordo com ele, modelos agroecológicos precisarão ser adotados, entre outras mudanças, para preservação de características tradicionais associadas às regiões produtoras. “A União Europeia já está tentando trabalhar essas transições dentro das IGs”, conta.

Jean-Louis mostrou resultados de indicações regionais francesas | Foto: Divulgação

Jean-Louis também destacou a necessidade de incorporar tecnologia sem que isso ameace a essência de uma IG, calcada muitas vezes em um fazer tradicional. Já sobre a mudança geracional, o especialista apontou o êxodo rural e dificuldades na sucessão como uma realidade que impacta parte desse tipo de produção, bem como o perfil do consumidor, cada vez mais exigente. “Ele quer saber de onde vem, como foi feito, se segue regras de sustentabilidade, rastreabilidade”, exemplificou Jean-Louis.

Durante sua exposição, o especialista compartilhou resultados de pesquisas realizadas com centenas de Indicações Geográficas na França e destacou desafios que também são observados no Brasil. Entre eles, a necessidade de ampliar investimentos, fortalecer a governança e promover maior integração entre os diversos atores locais.

Para Le Guerroué, o fortalecimento das IGs passa pela construção de redes de cooperação dentro dos territórios. Ele citou experiências que envolvem escolas, universidades, parques, restaurantes e outros segmentos econômicos, como o turismo, trabalhando em conjunto com os produtores locais. “Essa diversificação e integração entre diferentes setores é uma forma de superar dificuldades e fortalecer os territórios”, afirmou.

Ao encerrar a palestra, o pesquisador defendeu uma visão mais ampla sobre o papel das IGs. Para ele, esses instrumentos devem ser entendidos como bens coletivos, pertencentes aos territórios e às comunidades que constroem sua identidade.

Não é apenas uma questão de proteger produtos. É preciso proteger os ativos territoriais que dão o DNA do território. O desafio é unir preservação e prosperidade para garantir que esses lugares permaneçam vivos e resilientes para as futuras gerações.

Jean-Louis Le Guerroué

Ele mencionou uma pesquisa, que vem sendo feita com o Sebrae, para avaliar o grau de maturidade das Indicações Geográficas brasileiras, permitindo identificar pontos fortes e fragilidades, além de orientar estratégias mais eficientes para o fortalecimento desses territórios.

O Sebrae tem uma atuação sólida e consistente no apoio a empreendedores para obtenção da Identificação Geográfica (IG) junto ao INPI, e também na busca por mercado, após eles conseguirem o selo. Além de eventos como o Connection Terroirs do Brasil, de promoção das IGs, a instituição faz rodadas de negócios, missões comerciais fora do país e oferece uma série de capacitações para empreendedores desse nicho por meio do Sebraetec e outros projetos.



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