A África do Sul passou a ocupar a segunda posição entre os produtores de aves mais competitivos do mundo, superando os Estados Unidos e ficando atrás apenas do Brasil. A conclusão consta no mais recente relatório de competitividade do Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA, que analisa custos, eficiência produtiva e estrutura do setor em diferentes países.
Apesar de ainda apresentar custo de produção superior ao brasileiro, o país africano conseguiu reduzir despesas a um patamar inferior ao norte-americano e significativamente menor do que o observado em países europeus analisados, mesmo diante de subsídios governamentais nesses mercados. A avaliação do Escritório de Políticas Alimentares e Agrícolas (BFAP) aponta que a mudança é resultado direto de avanços técnicos e operacionais na produção.
Entre os principais indicadores está a taxa de conversão alimentar, que mede a quantidade de ração necessária para produzir um quilo de carne. Os produtores sul-africanos registraram o melhor desempenho entre os países analisados, com uma melhora de 14,1% na última década. O ciclo produtivo também se destaca pela rapidez, com média de 31,5 dias, a menor entre os concorrentes globais.
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Esse desempenho, no entanto, vem acompanhado de um ponto de atenção: o peso das carcaças. Embora tenha crescido 4,5% nos últimos anos, o índice ainda é considerado baixo, com média de 1,77 quilo no abate, abaixo dos níveis registrados no Brasil e nos Estados Unidos.
Custos e mercado
Os custos de produção seguem concentrados principalmente na ração e nos pintinhos de um dia, que juntos representam mais de 80% das despesas totais — proporção semelhante à média global. A expectativa é de que melhorias no processamento local de soja contribuam para novos ganhos de competitividade. A redução de custos de abate e de mão de obra também ajudou a compensar despesas mais elevadas com insumos e estrutura.
Em termos de volume, a produção sul-africana ainda é distante das principais potências. Em 2024, o país produziu 1,8 milhão de toneladas de carne de frango, enquanto o Brasil atingiu 15 milhões e os Estados Unidos, 21 milhões de toneladas.
A política comercial tem papel relevante nesse cenário. A África do Sul mantém tarifas elevadas para proteger o mercado interno, com alíquotas de 62% sobre carne com osso e 82% sobre aves inteiras, além de medidas antidumping contra nove parceiros comerciais, incluindo Brasil e Estados Unidos. Já países da União Europeia têm acesso facilitado por meio de acordo comercial com a região.
As medidas foram adotadas após reclamações da indústria local sobre práticas de dumping, que levaram ao fechamento de granjas e perda de empregos. Desde então, o setor conseguiu manter as tarifas por mais tempo do que o prazo inicial previsto.
Mesmo diante de desafios sanitários, como o surto de influenza aviária altamente patogênica em 2023, o setor apresentou recuperação financeira. Empresas como a Rainbow Chicken e a Astral Foods registraram crescimento de receita e lucro nos últimos balanços, impulsionadas por maior eficiência produtiva e melhora nos preços de venda.
Fonte: The Poultry Site





