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Na Minerva, cota chinesa terá impacto nulo (ou até positivo)

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Enquanto o Brasil pode amargar uma queda de 10% nas exportações de carne bovina devido às salvaguardas chinesas, a Minerva Foods prevê que os seus embarques à China permaneçam estáveis em relação ao ano passado, considerando todos os países em que a companhia atua. Em receita, o impacto das cotas chinesas pode até ser positivo para a empresa.

“Esperamos vender o mesmo volume do ano passado para a China a despeito da cota para o Brasil”, afirmou o diretor financeiro da companhia, Edison Ticle, em teleconferência com analistas nesta quinta-feira. A explicação está na diversificação geográfica.

“Obviamente, vamos vender menos do Brasil por causa da cota, mas teremos um crescimento importante vindo de Argentina, Uruguai e Colômbia, que são outros países que acessam a China e nos quais temos operação relevante”, acrescentou. “Com os preços muito maiores este ano, teremos um ganho muito maior em China este ano do que tivemos no ano passado.”

Enquanto a cota brasileira foi definida em 1,1 milhão de toneladas para este ano, uma queda ante as 1,7 milhão de toneladas exportadas à China no ano passado, Argentina e Uruguai foram agraciados com cotas mais generosas pelos chineses.

Para evitar a tarifa mais alta fora da cota, os frigoríficos brasileiros aceleraram as exportações nos primeiros meses deste ano. No primeiro trimestre deste ano, a China foi o principal destino da carne produzida pela Minerva, correspondendo a 24% das exportações totais da companhia.

Para o segundo semestre, a tendência é que a China perca relevância como destino para a empresa, sendo substituída pelos Estados Unidos e pelos mercados domésticos em que a companhia atua.

Com isso, a oferta de carne bovina deve aumentar no mercado interno, o que pode pressionar temporariamente os preços da carne e do boi gordo no Brasil, avaliou Ticle.

No acumulado do ano, no entanto, a Minerva trabalha com um preço médio de compra de gado aproximadamente 13% superior ao de 2025, fator que deve resultar em margens menores e maior necessidade de capital de giro.

Durante a teleconferência com analistas, Ticle reafirmou a expectativa de margens reduzidas em 2026, mesmo depois de um resultado acima das estimativas de analistas no primeiro trimestre.

A margem Ebitda ficou em 8,3% no período, uma leve queda em comparação à margem de 8,6% do mesmo período do ano passado, surpreendendo até mesmo a companhia. Segundo Ticle, isso foi possível graças a uma diluição nos custos possibilitada pela integração dos ativos da Marfrig.

“Essa é a beleza do ganho de escala. O fato de você colocar ativos para dentro, sem o respectivo custo fixo desse ativo, gera uma economia de SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas)”, disse o executivo.

Essa linha de despesas, inclusive, deve passar a representar entre 10,5% a 11,5% da receita líquida da empresa daqui para frente, uma queda significativa em relação ao intervalo de 13% a 14% anteriormente, sinalizou.

Segundo Ticle, a modulação de custos compensará parcialmente a queda na margem bruta que a Minerva espera para 2026 devido ao maior preço do gado. No primeiro trimestre, a margem bruta foi de 17,1%, caindo 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

Caixa mínimo

Além da melhora operacional, o primeiro trimestre foi marcado por um esforço da companhia na gestão do endividamento. A empresa usou cerca de R$ 3 bilhões para reduzir o endividamento bruto, reduzindo a sua posição de caixa para R$ 10,9 bilhões em caixa ao final do trimestre.

Segundo o analista Thiago Duarte, do BTG Pactual, o caixa está muito próximo do valor necessário para cumprir a política de caixa mínimo da empresa (equivalente a três meses de compra de gado), estimado em R$ 10 bilhões.

Durante a teleconferência, o analista perguntou aos executivos se a companhia estuda alterar essa política de caixa mínimo em razão de seu perfil mais diversificado atualmente — o que, teoricamente, implica riscos menores de operação.

Ticle disse que esse debate acontece dentro do conselho de administração, mas, por enquanto, a ideia é manter o caixa próximo do limite estabelecido pela política da companhia.

A Minerva encerrou o primeiro trimestre com alavancagem em 2,7 vezes, praticamente estável em relação ao quarto trimestre de 2025. O Ebtida aumentou 16% na mesma comparação, para R$ 1,1 bilhão, enquanto a receita líquida avançou 19,8%, para R$ 13,4 bilhões. O lucro líquido somou R$ 87,3 milhões, queda de 53% devido a uma piora no resultado financeiro.

***

Às 15h21, as ações da Minerva subiam 3,5% na B3, uma reação positiva dos investidores ao balanço do primeiro trimestre. O Ibovespa cai mais de 2%.

Na bolsa, a Minerva está avaliada em R$ 3,9 bilhões.



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