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A universidade que enfrenta: desafios contemporâneos e o papel da UNIMAR na formação de pessoas e no desenvolvimento regional

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O que significa, hoje, concluir um curso universitário? Em um cenário marcado por instabilidades econômicas, transformações no perfil dos estudantes e exigências crescentes por inovação e empregabilidade, a conclusão de um curso no ensino superior deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar também um desafio institucional.

Marília Cada vez mais, as universidades são chamadas a responder não apenas pela formação acadêmica, mas também pela capacidade de criar condições reais de continuidade, engajamento e sentido para seus alunos.

Esses desafios impactam diretamente as instituições de ensino superior. A evasão, as dificuldades de adaptação aos novos modelos de ensino, a pressão por resultados, a necessidade de integrar tecnologias sem comprometer a qualidade pedagógica e o compromisso com o desenvolvimento regional exigem estratégias claras, gestão eficiente e sensibilidade institucional.

Para as universidades localizadas no interior do País, essas questões tornam-se ainda mais complexas, pois envolvem também o contexto socioeconômico da região, as expectativas sociais e a responsabilidade de atuar como polos de transformação local.

Nesse contexto, a Universidade de Marília (UNIMAR) se apresenta não apenas como palco privilegiado dessas discussões, mas como agente ativo diante desses desafios. Compreender como a instituição reconhece tais impasses, quais estratégias institucionais são mobilizadas para enfrentá-los e de que forma a inovação, a gestão acadêmica e os projetos educacionais se articulam torna-se fundamental para compreender o papel da universidade no sucesso acadêmico e no desenvolvimento regional.

É a partir dessa perspectiva institucional que o presente artigo se desenvolve, abrindo espaço para a análise das respostas construídas pela universidade frente às exigências do ensino superior contemporâneo.

No ano de 2026, a UNIMAR completa 70 anos de história, reafirmando continuamente sua capacidade de responder institucionalmente às transformações do ensino superior contemporâneo. Mais do que oferecer cursos, a universidade assume o compromisso de construir um ambiente acadêmico que favoreça a permanência, o engajamento e o desenvolvimento integral dos estudantes.

Entre essas estratégias, destacam-se o fortalecimento de práticas pedagógicas centradas no estudante, com a implantação do Modelo UNIMAR de Aprendizagem, a integração entre ensino, pesquisa e extensão, a ampliação de experiências práticas de aprendizagem e o estímulo à inovação e ao empreendedorismo.

A universidade também investe em infraestrutura acadêmica, no apoio ao estudante e na criação de ambientes que conectam a formação universitária às demandas reais da sociedade e do mundo do trabalho.

O Modelo UNIMAR de Aprendizagem é um marco na política pedagógica da instituição. Baseado em metodologias ativas, personalização do ensino e integração curricular entre teoria e prática, esse modelo reposiciona o estudante como protagonista do processo formativo. A abordagem é centrada na aprendizagem por projetos e desafios, com o uso de tecnologias digitais, simulações, estudos de caso e vivências extensionistas.

Os cursos são planejados de forma a integrar competências técnicas e socioemocionais, valorizando o pensamento crítico, a empatia e a capacidade de resolver problemas complexos.

O resultado é uma formação que ultrapassa o conteúdo disciplinar e prepara o egresso para atuar em contextos dinâmicos, colaborativos e socialmente responsáveis. O diferencial está no equilíbrio entre rigor acadêmico e sensibilidade humana, o que a UNIMAR denomina educação com propósito, comprometida com a transformação das pessoas e da sociedade.

O ambiente de pesquisa é fortalecido por programas de iniciação científica e bolsas institucionais, que integram estudantes da graduação e da pós-graduação em redes colaborativas com o setor produtivo, órgãos públicos e centros internacionais de investigação.

Além da pesquisa, a inovação da UNIMAR também se expressa em projetos de extensão que fortalecem a interface entre universidade e sociedade. Entre esses projetos destacam-se o Projeto Amor de Criança, que mantém um ambulatório de doenças raras e atende mais de 600 crianças e adolescentes; o CENID – Centro Interdisciplinar em Diabetes, dedicado ao atendimento de pessoas com diabetes em parceria com o Hospital Beneficente UNIMAR; a Cátedra Luiz Gama, voltada ao desenvolvimento de práticas democráticas para estudantes do ensino médio; a INSOL – Incubadora Solidária, que promove iniciativas de desenvolvimento sustentável nas dimensões econômica, social e ambiental; e o FarmLab, projeto de inovação no agronegócio desenvolvido em parceria com empresas nacionais e internacionais.

O Parque Tecnológico TecUnimar constitui um dos pilares mais relevantes da universidade inovadora. Com mais de 30 empresas instaladas em suas dependências, o TecUnimar atua como ambiente de inovação e incubadora de startups, conectando pesquisadores, empreendedores e investidores em projetos de alto valor agregado.

Entre suas boas práticas destacam-se a promoção de eventos integradores, que aproximam academia, indústria e poder público, e a instalação recente do laboratório descentralizado de pesquisa do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).

O TecUnimar opera sob o conceito da quadrupla hélice (universidade, empresas, governo e sociedade civil organizada), articulando soluções para o agronegócio, a indústria 4.0, a saúde e a educação digital. Trata-se de um espaço vivo de experimentação e cocriação, no qual o aprendizado ocorre de forma contínua e colaborativa.

A inovação, na UNIMAR, também é indissociável da sustentabilidade. Projetos ambientais como o Meliponário UNIMAR, voltado à preservação de abelhas nativas sem ferrão, a implantação de usina fotovoltaica e a política institucional de gestão de resíduos sólidos demonstram o compromisso da universidade com a preservação ambiental.

Além disso, as clínicas de saúde, o hospital universitário e os diversos núcleos de apoio realizam milhares de atendimentos gratuitos à população de Marília e região, reafirmando a extensão universitária como instrumento de transformação social.

A UNIMAR também reconhece que ser inovadora significa ser colaborativa e global. Atualmente, a universidade integra sete redes de cooperação acadêmica lideradas pelo SEMESP, que conectam instituições comprometidas com a excelência, a inovação e a sustentabilidade no ensino superior. Recentemente, a UNIMAR também foi convidada a integrar a RealCup – Rede Internacional de Universidades, ampliando sua inserção em ambientes globais de cooperação acadêmica.

Essas conexões fortalecem a presença institucional em fóruns estratégicos e ampliam oportunidades de mobilidade acadêmica, parcerias tecnológicas e produção científica conjunta.

A UNIMAR foi reconhecida, em 2025, como Universidade Inovadora no FNESP (Fórum Nacional do Ensino Superior Particular Brasileiro). Por trás de cada iniciativa inovadora da UNIMAR está uma comunidade acadêmica inspirada e engajada. Professores, técnicos e estudantes são incentivados a propor soluções, liderar projetos e compartilhar boas práticas.

Um exemplo recente do engajamento estudantil foi a participação de três alunos do curso de Direito no HackLab FNESP, uma maratona empreendedora em que estudantes universitários são convidados a desenvolver soluções inovadoras para desafios reais do ensino superior brasileiro. As propostas elaboradas pelos estudantes são apresentadas a mais de mil gestores educacionais durante o FNESP, o maior evento de educação superior da América Latina. A experiência de um destes alunos, coautor deste artigo, é narrada a seguir:

“Os primeiros dias do HackLab aconteceram na sede do SEMESP, em São Paulo. Foi ali que nós, estudantes selecionados de diferentes partes do Brasil, começamos a desenvolver nossas ideias voltadas à sustentabilidade no meio acadêmico. Durante esses dias tivemos diversas palestras e momentos de discussão sobre os desafios que as universidades enfrentam atualmente, o que nos ajudou a entender melhor os problemas que precisávamos enfrentar na maratona.

Ao todo éramos 28 estudantes selecionados no Brasil inteiro, sendo três da Universidade de Marília (UNIMAR). Depois de uma dinâmica de integração, fomos divididos em sete grupos. A partir daí começava de fato o desafio: cada grupo precisava escolher um problema relacionado ao ensino superior e construir uma solução possível para ele.

O grupo do qual participei decidiu trabalhar com a questão da evasão no ensino superior. Entendemos que esse problema não afeta apenas as universidades, mas também a sociedade como um todo, já que muitos estudantes acabam interrompendo sonhos e projetos de vida quando deixam a graduação. A partir disso começamos um processo intenso de pesquisa, debates e construção de ideias. Em muitos momentos viramos a madrugada discutindo possibilidades, reescrevendo propostas e tentando encontrar uma solução que realmente fizesse sentido.

No dia seguinte fomos levados ao Distrito Anhembi, em São Paulo, onde acontece o FNESP, considerado o maior fórum de ensino superior da América Latina. Foi lá que tivemos que apresentar, em formato de pitch, tudo o que havíamos desenvolvido nos dias anteriores.

Quando chegamos ao local e percebemos que apresentaríamos nossa ideia diante de mais de mil gestores educacionais, a sensação foi difícil de explicar. Era um misto de surpresa, responsabilidade e entusiasmo. Naquele momento ficou muito claro para mim até onde a universidade pode nos levar e como experiências acadêmicas podem abrir portas que antes pareciam distantes. Estar ali, participando de um evento tão grande e cercado por pessoas tão importantes para a educação, foi algo que eu realmente não imaginava viver tão cedo.

Para mim, tudo aquilo também era completamente novo. Foi a primeira vez que tive contato com um hackathon. Então, de certa forma, tudo foi aprendizado: aprender a trabalhar em equipe com pessoas que eu nunca tinha visto antes, aprender a lidar com a pressão do tempo e aprender a transformar ideias em algo concreto em poucas horas.

Trabalhar com pessoas desconhecidas no começo parecia um desafio enorme. Mas foi justamente nesse momento que valores que sempre ouvimos dentro da UNIMAR, como empatia, cooperação e respeito pelas diferenças, fizeram toda a diferença. Cada integrante do grupo trazia uma história de vida, uma formação e uma forma de pensar diferente, e foi justamente dessa mistura que surgiu nossa solução

Durante todo o desenvolvimento da atividade também contamos com o apoio constante da equipe da universidade. A pró-reitora Fernanda Mesquita Serva e o professor Jefferson Dias estiveram presentes durante todo o processo, acompanhando nosso trabalho e nos apoiando nos momentos mais difíceis. Isso fez com que, mesmo estando em um ambiente completamente novo e cheio de desafios, não nos sentíssemos sozinhos.

Quando o resultado final foi anunciado e o nosso grupo foi reconhecido entre os destaques da maratona, o sentimento que tomou conta de mim foi o de orgulho. Orgulho por representar a UNIMAR, orgulho por perceber que toda a preparação que a universidade nos oferece realmente faz diferença quando somos colocados diante de desafios reais.

Durante o evento também tive a oportunidade de viver momentos que dificilmente vou esquecer. Entre eles, o encontro com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, uma das figuras mais importantes da política ambiental do país, e também a conversa com Deborah Nusche, especialista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, uma das instituições internacionais mais respeitadas quando se fala em políticas públicas e educação.

Em vários momentos durante o evento eu me peguei pensando: “Eu não imaginava que estaria aqui”. Não era apenas pela dimensão do evento, mas pelo significado que aquilo tinha para mim enquanto estudante.

Participar do HackLab foi muito mais do que participar de uma maratona de inovação. Foi uma experiência que mudou a forma como eu enxergo a universidade e também o meu próprio caminho dentro dela.

Existem lugares que muitas vezes sonhamos em ocupar, mas que parecem distantes demais da nossa realidade. Para muitos jovens, esses espaços acabam ficando apenas na imaginação. Estar naquele ambiente, participando de um dos maiores eventos de educação superior da América Latina, me fez perceber que esses lugares também podem ser nossos.

Essa conquista não representa apenas algo pessoal. Ela também carrega um significado coletivo. Penso muito nos meus ancestrais, nas pessoas que vieram antes de mim e que enfrentaram tantas dificuldades para que hoje jovens como eu pudessem acessar espaços de educação, conhecimento e transformação. Estar ali também era, de certa forma, honrar essa história.

Ao mesmo tempo, essa experiência reforça o papel que a universidade pode ter na vida das pessoas. Para muitos jovens de baixa renda, a universidade é muito mais do que um lugar de estudo. Ela se torna um espaço de oportunidades, de descobertas e de construção de novos caminhos.

No meu caso, a UNIMAR teve um papel fundamental nessa trajetória. Foi dentro da universidade que surgiram oportunidades que eu jamais imaginei viver quando comecei minha caminhada acadêmica. Por isso, olhar para essa experiência também é reconhecer o impacto que uma instituição comprometida com seus estudantes pode gerar.

Se hoje tive a oportunidade de ocupar um espaço como esse, é porque existiu uma universidade que acreditou no potencial de seus alunos e criou caminhos para que eles pudessem chegar até lá. E o meu desejo é que cada vez mais jovens possam viver experiências como essa e descobrir, através da educação, que os lugares que pareciam distantes também podem se tornar possíveis.

Experiências vividas no ambiente universitário mostram que permanecer na universidade hoje significa muito mais do que concluir uma graduação. Significa ter acesso a oportunidades que ampliam horizontes, desafiam limites e permitem que os estudantes se reconheçam como parte ativa na construção de soluções para problemas reais da sociedade. Quando esses espaços de participação existem, a universidade deixa de ser apenas um lugar de formação técnica e passa a se tornar também um espaço de descoberta, pertencimento e construção de novos caminhos”.

A experiência de Vinícius demonstra como a UNIMAR tem enfrentado os desafios do mundo moderno, criando oportunidades para que todos os membros da comunidade acadêmica desenvolvam suas potencialidades, tendo em foco, como dito, uma educação com propósito, comprometida com a formação das pessoas e com o desenvolvimento regional.



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