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Os testes começam em maio. Mas o B16 deve ficar para 2027

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Aviso aos navegantes — ou melhor, aos transportadores: O B16 deve ficar para 2027.

Os testes necessários para viabilizar o aumento da mistura do biodiesel ao diesel devem começar em maio e ser concluídos até fevereiro. A expectativa foi compartilhada nesta quinta-feira por representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e de produtores de biodiesel durante evento do setor, em São Paulo.

Concluídos os trabalhos, os resultados ainda precisarão ser ratificados pelo Ministério de Minas e Energia e, na sequência, encaminhados para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que decidirá sobre o aumento da mistura.

Apesar de a Lei Combustível do Futuro prever a adoção do B16 já neste ano, ela também exige que testes confirmem a viabilidade da mistura. Para dar escala ao processo, os testes já serão realizados para B20 e B25, o que permitirá uma evolução até mais rápida do blend futuramente. Mas, até lá, existe um longo processo.

Com o objetivo de aperfeiçoar o protocolo de testes, o MME envolveu dezenas de stakeholders para a elaboração de um novo modelo, o que aumentou a complexidade do processo, na avaliação da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

“Ao ouvir todo mundo, o MME gerou um protocolo mais completo e complexo, sem a preocupação de prazo”, disse Nassar a jornalistas durante o seminário, promovido pela entidade e pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo).

Para viabilizar o B16 ainda neste ano, a Abiove chegou a propor ao MME elevar a mistura apenas alterando especificações da ANP para o biocombustível, já que o aumento seria marginal e a indústria já estaria preparada para atender especificações mais rígidas. “Mas isso não teve ressonância dentro do governo”, disse Nassar.

A segunda proposta foi validar o B16 e o B17 apenas em laboratórios, sem a necessidade do testá-los numa grade ampla de equipamentos e motores — o que também foi recusado pelo MME, que exige a aprovação com a mistura de 20%.

“Sem a conclusão desses testes não tem aumento de mistura”, afirmou Nassar.

Segundo Marlon Arraes, secretário substituto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, o ministério está empenhado para que o cronograma seja iniciado em maio e concluído no “menor tempo possível”.

Confiança no B20

O presidente da Abiove demonstrou confiança na aprovação dos testes. “Podem ocorrer resultados que eventualmente requeiram mudança de alguns processos dentro das usinas. Nesse caso, a intervenção vai ser feita. Isso já ocorreu nos testes do B15”, disse Nassar, admitindo que eventuais mudanças podem resultar em maiores custos de produção.

Ao lado de outras associações do setor, a Abiove vai coordenar a execução dos testes. Segundo Nassar, a entidade está em contato com laboratórios que serão contratados para os trabalhos. O custo dos testes, estimado em R$ 8 milhões, deve ter a maior parte financiada pelas usinas de biodiesel.

O aumento da mistura de biodiesel é visto como uma alternativa para o Brasil reduzir a dependência de combustíveis importados, especialmente em um momento de alta volatilidade do petróleo e derivados.

Pietro Mendes, diretor da ANP, disse durante o evento que o aumento de 1 ponto percentual no teor de biodiesel do diesel significa uma redução anual de 700 milhões de litros nas importações do combustível fóssil.

O que pensam os fabricantes

Também presentes ao evento, representantes do setor automotivo e de autopeças destacaram a necessidade de testes detalhados, levando em conta que diferentes atores atuam na cadeia de distribuição (entre a usina e o consumidor final) e que boa parte dos veículos movidos a diesel no Brasil não está preparada para um teor elevado de biodiesel.

“A importância dos testes para se avançar para o B16, B17 ou até mesmo o B20, é entender se a mistura ou a especificação vai ter que ser alterada, ou até mesmo o programa de manutenção dentro dos postos de combustíveis”, disse Gilberto Martins, diretor de assuntos regulatórios da Anfavea.

Gábor Deák, diretor de tecnologia e sustentabilidade do Sindipeças, lembrou que grande parte da frota brasileira é antiga. “Mais de 40% dos veículos a diesel foram desenvolvidos sem qualquer consideração para a existência de biocombustíveis. Portanto, não sabemos se os sistemas são resistentes e capazes”, disse.  

“É importante que a gente dê o passo para frente e se assegure de que não vai precisar tomar um passo para trás ou achar uma nova solução para fazer um projeto viável”, destacou o representante do Sindipeças, lembrando dos problemas enfrentados durante o Pró-álcool, que evoluiu para a solução dos veículos flex.



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