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Na Espanha, Lula defende terras raras brasileiras e critica a ONU

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O Brasil está disposto a negociar terras raras com qualquer país que queira colaborar, mas ninguém será dono das riquezas minerais brasileiras. É o que disse nesta sexta-feira (17) o presidente Lula, depois de assinar acordos com o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, incluindo os que envolvem a cadeia de minerais estratégicos.

“O Brasil, se não tirar proveito das suas terras raras e dos seus minerais críticos, nós iremos jogar fora uma oportunidade. É uma questão de segurança nacional. Nós iremos construir parceria com quem quiser construir, quem quiser compartilhar tecnologia conosco, e o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral.”

Lula e a comitiva brasileira participaram da primeira Cúpula Brasil-Espanha ao lado de membros do governo espanhol. Após o encontro, foram assinados acordos também em áreas como ciência, tecnologia e inovação. O presidente Lula destacou iniciativas como o chamado ECA Digital no Brasil, voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, e afirmou que a proposta é um primeiro passo para a regulamentação das redes no país.

“É um primeiro passo de regulamentação que nós precisamos fazer sobre vários outros assuntos. Uma das coisas que está endividando a sociedade são as apostas no mundo digital. E nós precisamos agora regular tudo o que for digital para que a gente dê soberania ao nosso país. Queremos dizer em alto e bom som: o ECA Digital foi apenas um primeiro passo. Outra regulação vai acontecer no Brasil.”

Os acordos entre Brasil e Espanha incluem ainda áreas como economia social, combate ao tráfico de pessoas, igualdade de gênero, saúde e cultura, entre outros. Segundo o governo brasileiro, a Espanha é a oitava maior parceira comercial do Brasil e foi, no ano passado, o quinto maior destino das exportações brasileiras.

Em meio aos conflitos globais, como a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o presidente Lula voltou a classificar como enfraquecido o Conselho de Segurança da ONU, porque os países que o criaram não o respeitam. Ele também demonstrou preocupação com o avanço de ameaças à democracia no mundo.

“Quando a ONU foi criada, se criou o Conselho de Segurança da ONU, que era para garantir a paz. E não é o que está acontecendo. E a ONU hoje, ela está muito enfraquecida. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU. As decisões da ONU não são cumpridas. Então você vai percebendo que aquilo que foi criado para fortalecer o processo democrático está se esvaindo.”

Ainda na Espanha, Lula e Sánchez participam neste sábado da quarta reunião de alto nível do fórum “Democracia Sempre”. A ideia, segundo o presidente brasileiro, é pensar formas de fortalecer a democracia no mundo e não dar espaço ao extremismo.

“O que nós queremos é discutir para ver se a gente consegue encontrar uma solução para fortalecer o processo democrático no mundo. Para que a gente não permita um retrocesso. Porque quando há um retrocesso, acontece um Hitler, acontece o nazismo, acontece o fascismo. Então, eu acho que nós temos que aproveitar o cargo que nós temos para que a gente possa tentar fazer um chamamento ao mundo de que a democracia é o melhor sistema de governo.”

A duas semanas do início da vigência temporária do acordo entre Mercosul e União Europeia, Lula destacou a importância da articulação entre Brasil e Espanha para a aprovação da medida. Ele também voltou a defender o fim da escala 6×1 de trabalho no Brasil.

Da Espanha, Lula segue para a Alemanha, onde participa da abertura da feira industrial de Hannover, considerada a maior feira do setor no mundo. O Brasil entra este ano como parceiro do evento, com a participação de 300 empresas brasileiras. Lula também participa do Encontro Econômico Brasil-Alemanha de número 42, uma forma de aproximar a relação entre os setores econômicos dos dois países. A Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil; no ano passado, o comércio entre ambos passou dos U$ 20 bilhões.

Depois, o presidente ainda cumpre agenda em Portugal antes de retornar ao Brasil. 



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