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João e a perda que pode salvar pessoas e serviços na cidade

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Marília A morte chocante do menino João, criança autista que perdeu a vida dentro de um prédio de serviços públicos em Marília, mostrou o melhor e alguma coisa do pior que a vida coletiva pode oferecer.

E a partir disso, a dor da família e amigos ou moradores que viveram essa angústia com eles pode ser caminho para salvar na cidade.

A busca por João mobilizou centenas, criou comoção, repercussão e engajamento físico e emocional de pessoas que nunca o viram.

Com certeza, grande parte dessas pessoas nunca interagiram com instituições, programas ou mesmo informações sobre o transtorno do espectro autista.

Mesmo nos casos em que mostrou o melhor do ser humano no envolvimento, João pode incentivar ainda mais avanços em informação.

A repercussão nacional mostrou, aliás, que acidentes, sustos, desespero de mães com crianças autistas, em especial com as de nível 3, não são incomuns.

E mesmo assim o caso mostrou algo do pior em condutas como boatos ou informações falsas em meio às buscas. Mais que isso, em julgamentos sobre a mãe e família. A internet pode ser cruel.

Há até indicação de vídeo com imagens do local em exposição do menino em meio à dor. Não recebi e agradeço por isso.

Para esse público, neste e em outros casos, a perda de João é lição de cuidado, empatia e de superar a ideia de mundo livre online.

Por fim, a perda é uma lição de cuidados públicos, de pensar ambientes, conscientização, informação e condutas.

A voz das ruas

As políticas públicas podem e precisam superar as barreiras entre os mundos do melhor e do pior. Como e o que fazer? Ouçam as famílias.

Deem a espaço de ação a quem já tem o lugar de voz e de fala: as mães, irmãos, pais, profissionais.

E isso vale para autistas, pessoas com qualquer deficiência, minorias, vítimas de violência, bullying, demandas emocionais.

A ideia é entregar serviços, estrutura e informação para que o melhor da cidade esteja nas ruas todos os dias, mesmo quando não há comoção.

Ouçam quem sofre, deem poder de decisão. E quando o cuidado não for a novidade em cada família, seremos todos muito melhores.



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