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Com juro nas alturas, BrasilAgro prefere pagar dívida a comprar terra

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Diante de uma perspectiva de juros altos na curva de longo prazo, o melhor investimento que a BrasilAgro faz, hoje, é pagar dívida, segundo o CEO André Guillaumon.

“Uma fazenda nova tende a ter um retorno de 6%, 7%, enquanto pagar dívida rende de 9% a 10% ao ano, já descontada a inflação”, afirmou o executivo a jornalistas. “Isso é muito ruim, porque se tem grande parte do capital do Brasil trabalhando no capital especulativo, na taxa de juros, em vez de trabalhar na produção.”

Para manter as finanças sob controle, a BrasilAgro tem feito um esforço para reduzir o capex, segundo o executivo. Atualmente, a dívida líquida da companhia equivale a uma vez Ebitda de doze meses. Há um ano, a alavancagem estava em 2,8 vezes.

A taxa de juros alta por mais tempo traz um impacto negativo sobre os ativos reais, reconheceu Guillaumon, mas não deve impedir a companhia de realizar novas vendas de terras.

Em setembro, a BrasilAgro vendeu 2,5 mil hectares na Bahia, uma região que continua na mira da companhia por ser considerada um “bolsão de liquidez”, nas palavras do CEO.

A operação ajudou a companhia a apresentar um lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do ano-safra (de julho a setembro), revertendo prejuízo de R$ 64,3 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado aumentou 47%, para R$ 94,6 milhões, segundo o balanço divulgado nesta terça-feira (3).

Apesar da retomada nas vendas, a quantidade de compradores está menor. A leitura do CEO é que produtores capitalizados e menos endividados estão conseguindo aproveitar a alta do preço da soja em Chicago e a apreciação do câmbio para melhorar a rentabilidade. Dessa forma, o apetite por consolidação deve continuar.

“Vou tentar exemplificar. Se eu tinha 100 clientes para [comprar] uma fazenda, hoje eu acho que tem 30. Mas esses 30 estão ávidos, são importantes. Vão suprir um pedaço dos outros 70”, afirmou Guillaumon.

O bolso mais apertado do produtor também deve motivar uma redução no valor dos arrendamentos, segundo o CEO.

O custo de produção no Mato Grosso está em torno de 37 sacas de soja por hectare, enquanto o arrendamento consome outras 15, segundo Guillaumon. Já houve uma redução no valor dos arrendamentos em áreas marginais, mas esse movimento ainda não chegou às áreas mais valorizadas.

“Não estamos focados em aumentar arrendamento, ainda não acho que seja o momento. Se sair de 15 sacas para 12 ou 11 em áreas ‘núcleo’, daí vamos começar a olhar isso com mais intensidade”, frisou.

A exceção é o Paraguai, onde a companhia tem procurado arrendamentos com uma estratégia de diversificação climática, disse o CEO.

Safra 2026/27

Sob o ponto de vista de plantio, o Paraguai — onde a companhia opera 32 mil hectares — segue com chuvas adequadas e com uma estratégia de aumento de produção. “A gente tem dado um foco enorme para melhorar a capacidade de gado na fazenda. Também está se desenhando uma janela muito boa. O El Niño favorece o clima no Paraguai”, disse Guillaumon.

No Brasil, a companhia também acelerou o plantio, principalmente de soja no Mato Grosso, que corresponde a cerca de 30% da área agrícola total da BrasilAgro. Hoje, 91% da área da empresa no estado já foi plantada, percentual que chega a 70% quando considerados os demais estados.

O plantio ainda não começou no Maranhão e no Piauí, onde não choveu o suficiente para viabilizar os trabalhos, contou Guillaumon. Nos estados, que tendem a ser um dos mais afetados por falta de chuvas devido ao fenômeno El Niño, a empresa reforçou a palhada no solo com o objetivo de mitigar os possíveis efeitos da seca.

Apesar de ter se preparado para o clima mais adverso, Guillaumon não descarta a ocorrência de uma La Niña de grande intensidade se instalar em seguida, o que poderia aumentar a ocorrência de chuvas na região, além de trazer benefícios para a safrinha no Mato Grosso. O executivo ressalvou, contudo, que esse acontecimento seria inédito no País.

Cana até dezembro

Ainda no Matopiba, a companhia colheu um volume histórico de cana-de-açúcar no Maranhão. Foram mais de 215 mil toneladas, com a expectativa de que outras 190 mil sejam colhidas em novembro.

Em contrapartida, o Sudeste é uma preocupação, especialmente em São Paulo. Com as chuvas intensas em setembro, a companhia ainda tem 170 mil toneladas para serem colhidas, de uma produção de 300 mil toneladas.

“A gente ainda tem novembro inteiro, tem dezembro até o dia 20. Pouca coisa de cana deve ficar para ser colhida no início da safra que vem”, minimizou Guillaumon.



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