A Embrapa desenvolveu uma ferramenta digital que rastreia produtos agropecuários da origem ao mercado e reúne, em um único parecer, as informações e certificações necessárias para comprovar a conformidade ambiental e sanitária da produção. Chamada Embrapa Trace, a tecnologia atende inicialmente as cadeias de soja, café e carne bovina. Em breve, devem ser incluídos frango de corte, suínos, cacau, madeira, borracha, atum e tilápia.
“A Embrapa Trace padroniza informações autodeclaradas, valida e integra certificações existentes, consolidando evidências de sustentabilidade e rastreabilidade em um parecer único de conformidade, como um passaporte digital do produto”, explica Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.
Exigências internacionais
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A ferramenta foi pensada para atender a exigências como o Regulamento da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR) e o controle de antimicrobianos na produção animal. A partir de 30 de dezembro de 2026, os grandes e médios exportadores para o mercado europeu terão de comprovar que seus produtos não vêm de áreas desmatadas depois de 2020, com geolocalização de cada área produtiva. Os micro e pequenos produtores têm prazo até 30 de junho de 2027.
Os relatórios de conformidade, acessados por QR Code, também podem servir de base técnica para o Brasil negociar a abertura de mercados ou contestar barreiras comerciais. Os dados ficam sob controle nacional, com registros de auditoria que não podem ser alterados.
Como funciona
Os produtores fornecem os dados a indústrias, frigoríficos, esmagadoras e cooperativas, que usam a ferramenta para validar o processo. As empresas comercializadoras registram a origem e o destino dos produtos, e certificadoras independentes atestam a conformidade. O sistema acompanha todas as etapas, do cadastro da propriedade ao transporte, armazenamento e processamento.
A Embrapa Trace funciona em conjunto com outras ferramentas públicas: o TerraClass, da Embrapa e do Inpe, que monitora o uso da terra na Amazônia e no Cerrado, e o ElegiAgro, que cruza dados cadastrais, fundiários e geoespaciais. A solução também vai integrar a Plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura e Pecuária, e pode ser acessada pela plataforma AgroAPI.
Para o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira, a vantagem é criar uma base nacional de informações confiáveis, em vez de responder separadamente a cada comprador. Segundo ele, isso reduz custos, evita retrabalho e dá mais segurança a produtores, empresas e mercados. Para Luiza Kreimeier, assessora técnica do Conselho Nacional do Café (CNC), uma ferramenta gratuita e validada por instituições oficiais pode reduzir custos que hoje recaem sobre as cooperativas e acabam repassados ao produtor.
Fonte: Embrapa





