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O fundo que vai além dos emergentes e aposta em Egito, Argentina e Uzbequistão

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Egito, Armênia, Uzbequistão, Argentina e Nigéria estão entre os países cuja dívida soberana compõe a carteira do fundo da gestora Global Evolution voltado a mercados de fronteira – economias consideradas um estágio abaixo dos mercados emergentes.

O veículo, chamado Global Evolution Frontier Blended Currency Debt, chega ao Brasil por meio de uma parceria entre a gestora Gama e a Capital Strategies, distribuidora da Global Evolution na América Latina.

O fundo investe em dívida soberana de 37 países, com limite de 5% de exposição por geografia, e será oferecido por meio de um fundo feeder da Gama, que investe no veículo internacional.

“Não temos nada parecido atualmente no mercado brasileiro”, afirma Bernardo Queima, CEO da Gama Investimentos, ao NeoFeed. “É um fundo líquido, altamente diversificado e que, na média, tem rating BB, que é igual à dívida soberana do Brasil.”

A tese original existe há 16 anos no portfólio da Global Evolution, gestora especializada em dívida soberana e corporativa de países emergentes e de fronteira. Com escritórios em Kolding, cidade portuária localizada no leste da Dinamarca, Londres, Nova York e Singapura, a casa conta atualmente com US$ 20,7 bilhões sob gestão. Desde 2020, a Global Evolution faz parte do grupo Generali, uma das maiores seguradoras do mundo, com mais de 759 bilhões de libras esterlinas em ativos.

“Diferente de estratégias de mercados emergentes, onde há uma concentração grande em China, e às vezes até mesmo em Brasil, esse é um portfólio ultradiversificado, com research proprietário nesses países para extrair o maior valor possível da estratégia”, diz Leonardo Lombardi, sócio da Capital Strategies.

A aposta chega em um momento em que a diversificação internacional ganha relevância diante das incertezas globais e domésticas.

Na França, a instabilidade política e as dificuldades para avançar no ajuste das contas públicas têm alimentado preocupações sobre a capacidade do governo de aprovar medidas fiscais e manter a confiança dos investidores. Nos Estados Unidos, as disputas políticas e comerciais também ampliam a incerteza sobre os mercados.

No Brasil, a concentração em ativos domésticos pode tornar as carteiras mais vulneráveis a mudanças bruscas de cenário. O resultado das eleições presidenciais, por exemplo, provocou uma reação expressiva nos mercados locais.

Levantamento do NeoFeed mostrou que a indústria de fundos de investimento perdeu mais de R$ 100 bilhões no dia seguinte à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em um episódio que evidenciou a sensibilidade dos investidores às mudanças políticas.

“O home bias é o que muitas vezes gera esses pânicos nesse ambiente mais volátil do Brasil. Se as pessoas não estivessem tão concentradas e tivessem feito um bom dever de casa em termos de diversificação, haveria muito menos apreensão”, afirma Queima.

Nos cálculos da gestora, a correlação média do novo fundo com os principais índices de crédito locais foi de apenas 0,01 na janela entre março de 2014 e junho deste ano. No mesmo período, o retorno anualizado do fundo foi de 13,43% ao ano em dólares, o equivalente a CDI + 3,5% ao ano, segundo a Gama.

Com R$ 7 bilhões sob gestão, a Gama tem atualmente no portfólio quatro estratégias de retorno absoluto, sete de bolsa e outras seis voltadas para a renda fixa – o fundo feeder da Global Evolution será o sétimo do segmento no portfólio.

O desafio, porém, começa antes de chegar aos mercados de fronteira. O investidor brasileiro ainda mantém pouca exposição internacional e costuma concentrar seus investimentos no próprio país. Quando decide diversificar no exterior, a preferência geralmente recai sobre os Estados Unidos, sobretudo por meio de índices de ações e ETFs.

“Os primeiros meses serão de trabalho educacional, em que vamos apresentar o fundo. Alguns grandes alocadores já conheciam o produto e estavam apenas esperando um veículo local para investir”, diz Lombardi.

Os gestores não abrem meta de captação para o produto, mas reforçam que estão em reuniões com todos os grandes players do país. “Não gostamos de trabalhar com números pequenos. Temos grandes planos para a estratégia no Brasil”, complementa o sócio da Capital Strategies.

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