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A nova “pepita” da Aura Minerals: como a IA está gerando até 10% mais ouro para a mineradora

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Encontrar ouro nunca foi uma tarefa simples, já que é preciso investigar cerca de uma tonelada de rocha para encontrar apenas meio grama do metal precioso, sendo que parte do volume descoberto pode ainda se perder no processo. Para conseguir otimizar a descoberta, a Aura Minerals decidiu usar inteligência artificial.

Em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed, Richard Massari, diretor de Excelência Operacional, Inovação e Tecnologia da Aura Minerals, afirmou que os ganhos de produção proporcionados pela tecnologia podem chegar a 5% a 10%, dependendo da unidade operacional.

Uma das aplicações está no processamento do minério. Como a composição das rochas varia, os equipamentos precisam ser constantemente ajustados para maximizar a recuperação do ouro. Antes, essas regulagens dependiam principalmente da experiência dos operadores.

Agora, modelos de IA analisam as características do material e recomendam ajustes praticamente em tempo real. A tecnologia também ajuda a calibrar a dosagem de reagentes químicos utilizados na separação do metal, reduzindo perdas durante o processamento.

A aposta em inteligência artificial acontece em um momento de forte crescimento da Aura Minerals. No segundo trimestre de 2026, a mineradora registrou receita líquida de US$ 336 milhões, alta de 76% na comparação anual.

O Ebitda ajustado avançou 85%, para US$ 196,7 milhões, enquanto o lucro líquido atingiu o recorde de US$ 217,7 milhões, impulsionado também por um ganho contábil não realizado de US$ 126 milhões com operações de proteção do preço do ouro.

No primeiro semestre deste ano, a companhia produziu 157,6 mil onças equivalentes de ouro, alta de 27%, e manteve a projeção de produção entre 340 mil e 390 mil onças equivalentes em 2026. O avanço reflete principalmente a expansão das operações e a valorização do ouro, cujo preço médio realizado subiu 53% no período.

De acordo com Massari, porém, a principal preocupação da companhia é reduzir custos para preservar as margens quando o ciclo de preços favoráveis chegar ao fim.

A transformação começou com a estruturação dos dados da companhia, em 2022. Diferentemente de empresas que dependem de fornecedores externos, a Aura decidiu desenvolver a maior parte das soluções operacionais internamente, aproveitando profissionais que já conheciam o negócio.

Segundo o executivo, a maioria dos projetos se paga no primeiro ano, ou até antes, embora a companhia não tenha divulgado valores de investimento ou de retorno financeiro.

A IA também começa a ganhar espaço na exploração mineral, combinando informações geológicas e geofísicas para aumentar a precisão das análises e potencialmente reduzir a necessidade de sondagens.

Para ele, a tecnologia deverá deixar de ser uma ferramenta complementar e passar a integrar permanentemente as equipes a fim de transformar esses ganhos de produtividade em uma vantagem competitiva duradoura.

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