Depois de alguns dias de tempo seco, o sul do Brasil volta a receber temporais, que devem persistir até domingo (25). Além dos três estados da região, as chuvas também devem atingir São Paulo e o sul de Minas Gerais.
As tempestades, acompanhadas de rajadas de vento e granizo, podem provocar acumulados superiores a 100 milímetros no norte do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná, sul e leste de São Paulo e sul de Minas Gerais — áreas produtoras de soja, trigo, milho, café, laranja e cana-de-açúcar.
A partir da próxima segunda-feira, a chuva avança para o Matopiba, mas deve durar poucos dias e voltar a apresentar má distribuição.
Na virada de outubro para novembro, entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro, a previsão indica chuvas mais intensas no Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
Seca no norte
Na maior parte da região norte, não há previsão de chuvas fortes nos próximos 14 dias. A essa altura, já deveríamos registrar precipitações mais intensas na região, mas o El Niño dificulta a organização dos sistemas meteorológicos.
As consequências imediatas são o atraso no plantio, o aumento expressivo das queimadas e a redução do nível dos rios. No último sábado (17), o rio Tapajós atingiu a marca de 1,67 metro, após recuar 24 centímetros em cinco dias.
Santarém, por sua vez, não registra chuva desde 23 de julho. No porto de Miritituba, a redução do calado na rota até Santarém aumenta o risco de as barcaças transportarem volumes de grãos inferiores aos habituais.
As previsões mais otimistas apontam para chuvas mais regulares na região Norte apenas entre o fim de dezembro e o início de janeiro.
Mesmo assim, a expectativa é de que o chamado inverno amazônico dure menos do que o normal, prolongando os problemas no transporte de cargas e de pessoas por boa parte de 2027.
Pouca chuva no Matopiba
Entre 14 e 21 de outubro, as precipitações migraram para o centro e o norte do Brasil. Mas em diversas fazendas do Matopiba e do centro e norte de Minas Gerais, os volumes registrados não foram suficientes para elevar a umidade do solo e garantir condições adequadas para o plantio de soja.
Os acumulados médios foram de 25 mm na Bahia, 35 mm no Tocantins e 20 mm no Cerrado mineiro. Muitas áreas, no entanto, receberam menos de 5 mm.
No Centro-Oeste, as chuvas se distribuíram de forma mais ampla, com acumulados de 50 mm no Vale do Araguaia, 55 mm no nordeste de Mato Grosso do Sul e 30 mm no norte de Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, onde as chuvas já vinham ocorrendo com frequência nas semanas anteriores, o excesso de umidade levou à suspensão temporária do plantio na maior parte do estado. Em boletim divulgado nesta semana, a Conab também relatou a ocorrência de plantas encharcadas e amareladas no sul do estado.
Apesar desse problema pontual, o plantio da soja no Brasil avançou significativamente em uma semana, passando de aproximadamente 15% para 30% da área prevista para a oleaginosa.
O avanço foi favorecido tanto pelo deslocamento das chuvas para o centro e o norte do País como pela trégua nas precipitações no Sul, que permitiu a retomada dos trabalhos em algumas áreas do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Colheita do trigo avança
Pouco mais de 45% da área cultivada com trigo no País havia sido colhida até 16 de outubro, ante 40% na semana anterior, segundo a Conab, que estima a produção brasileira em 5,73 milhões de toneladas, queda de 27,2% em relação à safra anterior.
Além da menor produção nacional, a qualidade de muitos lotes colhidos no Paraná e em São Paulo está abaixo dos padrões exigidos pelos moinhos.
O histórico climático também recomenda cautela. Considerando as safras de trigo em anos de El Niño entre 1996 e 2025, a produtividade no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina foi prejudicada pelo excesso de chuva em 80% dos casos.





