Levar tecnologia brasileira para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência em diferentes partes do mundo. Foi com esse propósito que a Key2Enable transformou uma solução desenvolvida no Brasil em um negócio presente em mais de 16 países. A trajetória internacional da empresa, liderada pelo CEO José Rubinger, ganhou impulso a partir de programas e iniciativas apoiados pelo Sebrae, que ajudaram o negócio a entender novos mercados, estabelecer conexões e encontrar oportunidades fora do país.
A possibilidade de internacionalização começou a ganhar forma em 2017, após uma palestra do Sebrae em Minas Gerais. Naquele momento, a empresa já enxergava potencial para sua tecnologia fora do Brasil, mas ainda não tinha um plano estruturado.
O desafio era entender por onde começar, quais mercados faziam sentido, como chegar aos parceiros certos e como apresentar nossa solução em outro contexto.
José Rubinger, CEO da Key2Enable
Em 2019, a Key2Enable participou do StartOut Santiago, iniciativa conjunta da ApexBrasil, Sebrae e outras instituições, dando um dos primeiros passos para conhecer de perto um mercado internacional. Antes disso, uma experiência nos Estados Unidos já havia dado à empresa sinais do potencial global da solução.
Em 2018, durante uma imersão na Singularity University, a Key2Enable apresentou seu pitch e conquistou o primeiro investimento internacional. Na sequência, foi selecionada por uma aceleradora em Abu Dhabi, movimento que abriu caminho para que, mais tarde, a empresa estabelecesse sua sede global nos Emirados Árabes Unidos.
Ao longo desse processo, missões e experiências internacionais ajudaram a empresa não apenas a abrir portas, mas também a adaptar sua estratégia. Segundo Rubinger, o contato com diferentes mercados mostrou que, embora a necessidade por inclusão seja global, a maneira de atendê-la muda de um país para outro.
“É preciso ouvir as escolas, os profissionais e os parceiros locais”, afirma. As conexões também contribuíram para aprimorar a apresentação da solução, identificar interlocutores estratégicos e definir onde concentrar os esforços de expansão.
Um dos principais marcos dessa trajetória aconteceu na GITEX, em Dubai. Com apoio da ApexBrasil e do Sebrae, a startup apresentou sua tecnologia em uma das grandes vitrines internacionais de inovação e, em 2019, venceu o Supernova Challenge, conquistando o prêmio principal de US$ 100 mil.
“Além do valor do prêmio, havia o reconhecimento de que a inclusão também tinha espaço de destaque naquele ambiente de inovação e negócios”, lembra o CEO. A experiência fortaleceu a presença da empresa nos Emirados e contribuiu para o caminho que levou à instalação da sede global em Abu Dhabi.
O futuro é logo ali
Hoje, a Key2Enable está presente em mercados como Emirados Árabes Unidos, Índia, Armênia, Espanha, Portugal, Porto Rico, Iraque, Qatar e Turquia. A expansão resultou em relações com instituições públicas, universidades, escolas e empresas. Nos Emirados, a empresa fechou o patrocínio de um de seus laboratórios com um grande grupo de energia e água, além de conquistar o UAE Impact Seal na categoria Platinum, reconhecimento concedido pelo Majra, Fundo Nacional de Responsabilidade Social Corporativa dos Emirados.
A próxima fronteira é o Canadá. Depois de um primeiro contato com o país por meio do StartOut Toronto, a empresa se prepara para iniciar projetos-piloto no mercado canadense. Paralelamente, a estratégia é fortalecer a Key2Enable como referência para escolas que buscam ampliar a inclusão de alunos com deficiência no Oriente Médio e no Norte da África.
Para Rubinger, a experiência acumulada deixa uma lição para pequenos negócios brasileiros que também desejam atravessar fronteiras: internacionalizar exige abertura para adaptar o negócio e, principalmente, cultivar as conexões construídas.
“Participar de um evento pode abrir uma porta, mas é o trabalho que vem depois que transforma aquela oportunidade em negócio.” Para a Key2Enable, esse crescimento mantém o mesmo propósito que deu origem à empresa que é levar mais autonomia a mais pessoas.





