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Agro oscila entre otimismo e cautela com 2027

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Reunidos no megaevento GAFFFF (Global Agribusiness Festival), em São Paulo, líderes do agronegócio mostraram, neste ano, uma ligeira mudança de humor com relação a 2025.

O evento é uma rara oportunidade de reunir na mesma sala — ou melhor, no mesmo estádio, o Nubank Parque — os distintos pontos do ecossistema. De financiados, como produtores, indústrias, cooperativas e associações, a financiadores, com foco no mercado de capitais, passando por reguladores e autoridades políticas.

Na edição passada, o clima majoritário entre esses públicos era de que o cenário de margens comprimidas iria perdurar e que o pior talvez estivesse por vir — mesmo sem visibilidade, à época, da possibilidade de uma guerra no Irã, cujos efeitos sobre o fornecimento de insumos e diesel ajudaram a comprimir ainda mais as margens.

Já na edição deste ano, o sentimento geral captado pelo The AgriBiz é de uma possível “virada” a partir do ano que vem.

“Definitivamente estamos mais otimistas. Nos últimos 60 dias, começamos a ver uma relação mais apertada de oferta e demanda nos grãos que é uma alavanca de mudança, refletindo em preços melhores e fazendo subir as empresas na bolsa”, sintetiza Fernando Capra, CEO da Baldan, fabricante paulista de máquinas e implementos.

Na visão dele, as cadeias de insumos e fretes “começam a se acomodar” após o pico causado pelo conflito no Oriente Médio. “Há uma junção de fatores que faz as nuvens começarem a sair um pouco, e o entusiasmo agora vem em cima de fundamento, não de expectativa ou de política”, afirma.

A dinâmica afeta diretamente as máquinas e implementos, “que são as primeiras a ficarem para trás quando o momento é ruim”. Segundo Capra, após bater no “fundo” em julho e agosto, o setor começou a ver uma retomada de contatos e pedidos em setembro. O desafio, diz, é estar preparado para quando o “represamento” de negócios que marcou 2026 “abrir” de vez.

O clima de leve otimismo se manifesta nos números do GAFFFF. Neste ano, o evento projeta reunir 35 mil pessoas, contra 30 mil em 2025, e prevê girar R$ 2,2 bilhões em negócios, 20% acima dos R$ 1,8 bilhão do ano anterior.

Eleição é vetor determinante

Um executivo de uma empresa de terras que preferiu falar nos bastidores também relatou uma percepção “levemente otimista”, mas depositou na eleição presidencial, cujo primeiro turno acontece no próximo domingo (4), um “vetor determinante”.

Capra, da Baldan, também identifica no pleito uma variável importante para o humor do agronegócio. “Com o cenário muito empatado, o jogo de torcida fica grande. Há reconhecidamente uma opção do agro pela oposição. Se ela ganhar, o entusiasmo vai se expandir, com reflexos em mais investimentos.”

A eleição também norteia os juros, ele diz. “A expectativa é que se a oposição ganhar, pode haver redução mais acelerada, porque o mercado veria com mais benevolência. Mas se o governo atual se reeleger, o entendimento é de que o ajuste também virá, ainda que em velocidade menor. Seja como for, começa a se criar um ânimo novo.”

Pedro Freitas, sócio da XP responsável pelas operações de agronegócio no investment banking, chama a atenção para outra questão pós-eleitoral: o crédito, ou, mais especificamente, a necessidade de renegociar dívidas.

“Como é que vai se comportar a disponibilidade de crédito nos próximos dois anos? A gente sabe que é necessária alguma rolagem de crédito. No fim das contas, o grande risco do agro é a alavancagem.”

Comedimento ou pessimismo

Mas houve espaço no GAFFFF também para quem ainda vê o horizonte com comedimento, ou mesmo antevendo preocupações e sobressaltos.

Para Plínio Nastari, presidente e fundador da Datagro, organizadora do megaevento, a percepção ainda é de comedimento. Segundo ele, apesar da “ligeira melhora” nos preços em algumas cadeias, como soja e açúcar, “permanece a preocupação”.

“A agropecuária do Brasil está começando a sair de um momento muito delicado. Juros muito altos, endividamento recorde, preços baixos das commodities até recentemente: não podemos deixar de considerar isso.”

Já para Carlos Eduardo Hammerschmidt, o Dudu, vice-presidente de Novos Negócios, Investimentos e Relações Institucionais do Grupo Potencial, um dos maiores produtores de biodiesel no País, a perspectiva ainda é de preocupação.

Segundo ele, projeções apontam para a possibilidade de os fertilizantes terem uma nova alta de preços no primeiro semestre de 2027, puxada por problemas na oferta causados pelo prolongamento da guerra no Irã para além do previsto — e, na visão dele, do já precificado — pelo mercado.

Nesse contexto, ele acredita que, se em 2026 muitos conseguiram passar parcialmente ilesos da alta nos preços dos fertilizantes, pois estavam majoritariamente comprados, no ano que vem a pressão para ir às compras com preços mais altos será maior.



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