As exportações brasileiras de sorgo devem ser recordes neste ano, de longe. Cerca de 1,8 milhão de toneladas devem ser embarcadas entre setembro e outubro, segundo dados compilados pela AgRural. Em agosto, as exportações já haviam alcançado a maior marca mensal, de 196 mil toneladas — bem inferior ao patamar projetado para os dois meses subsequentes.
Afinal, o que explica esse boom? Um conjunto de fatores, mas boa parte da explicação vem da China — como na maioria das commodities.
Do lado da oferta, o País encara uma produção mais farta, puxada tanto pelo aumento da demanda para produção de etanol como por questões climáticas. Na safra passada, alguns agricultores que perderam a janela ideal para o plantio de milho acabaram optando pelo sorgo na safrinha.
Do lado da demanda, os chineses vieram com tudo. Ao comprar sorgo, os chineses buscam evitar ou limitar as importações de milho, evitando uma alta mais pronunciada dos preços do cereal na Bolsa de Chicago. No final do dia, o objetivo é manter os preços internos atraentes e, assim, impedir uma redução na área plantada.
“Já fizeram muito isso nos Estados Unidos. Mas, por conta da guerra comercial, os chineses agora estão comprando sorgo no Brasil”, disse Siqueira, ao The AgriBiz.
No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil exportou 232 mil toneladas de sorgo, volumes enviados principalmente à China, responsável por absorver 196 mil toneladas desse total. O segundo maior comprador, em perspectiva, foi o Marrocos, com 35 mil toneladas.
Os estados que mais exportaram, ainda segundo os dados da AgRural, foram Goiás, com 39 mil toneladas, Bahia, com 35 mil toneladas, e Minas Gerais, com 33 mil toneladas. Mesmo assim, ainda há 85 mil toneladas de origem não declarada, que serão classificadas posteriormente pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).





