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A Nike está encolhendo. E o mercado financeiro já cobra a conta

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A Nike está encolhendo. E o mercado financeiro já sente o impacto. Depois de dois trimestres consecutivos de queda na receita, a maior fabricante de artigos esportivos do mundo decidiu reduzir sua estrutura, reorganizar a operação global e, de certa forma, permitir uma deterioração maior das vendas antes de esperar uma retomada.

A companhia espera reduzir seus custos em cerca de US$ 2,5 bilhões até o ano fiscal de 2031 com o novo programa de reestruturação. Para implementar o plano, porém, a companhia estima gastar cerca de US$ 1 bilhão, principalmente com indenizações e outros custos trabalhistas. Desse total, aproximadamente US$ 300 milhões já foram contabilizados no exercício fiscal encerrado em maio.

A dimensão do problema ficou mais evidente na quinta-feira, 1º de outubro, a partir da divulgação dos resultados financeiros. A Nike agora espera que a receita do ano fiscal de 2027, encerrado em maio do próximo ano, caia em um dígito alto (entre 7% e 9%). Até então, a empresa havia indicado uma queda concentrada no primeiro semestre.

A mudança de projeção ajudou a derrubar as ações. Nas negociações pré-mercado desta sexta-feira, 2 de outubro, os papeis da gigante americana chegaram a cair cerca de 9%. Com base isso, as ações da Nike caminham para registrar seu pior ano da história, com queda de cerca de 45% até o momento, em 2026.

“Essas medidas resultarão em menos vagas em toda a Nike”, escreveu o CEO Elliott Hill, em um comunicado aos funcionários, segundo informou o Wall Street Journal. Ele afirmou que as decisões sobre quais cargos serão eliminados começarão em 2027. “Ainda não sabemos o número de vagas nem a localização específica dos cargos.”

A redução da estrutura é a mais recente etapa de um processo iniciado desde que Hill assumiu o comando da empresa, em outubro de 2024. O executivo, que começou sua carreira na Nike como estagiário de vendas em 1988 e voltou da aposentadoria para assumir o posto de CEO, já comandou o corte de quase 800 vagas, em janeiro, e de cerca de 1.400 cargos corporativos, em abril.

Agora, porém, a companhia pretende apertar o passo na direção de cortes de custos. A Nike pretende fundir negócios regionais e reorganizar sua estrutura global para se adaptar a uma empresa que, pelo menos no curto prazo, será menor.

O resultado do primeiro trimestre dá o tom do desafio de Hill daqui para a frente. A receita caiu 4%, e chegou a US$ 11,2 bilhões, enquanto o lucro líquido recuou de US$ 727 milhões para US$ 712 milhões.

A Nike continua enfrentando dificuldades na China, seu segundo maior mercado depois dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que tenta recuperar o negócio de lifestyle e da marca Jordan Brand, em parceria com o ex-jogador da NBA Michael Jordan.

O próprio Hill reconheceu que ainda há um longo caminho pela frente. “Estamos tomando medidas deliberadas para fortalecer esses negócios da maneira correta, visando o longo prazo”, afirmou o executivo.

Na prática, a China é hoje o maior problema imediato. O país foi durante anos um dos motores de crescimento da Nike, mas a empresa vem perdendo espaço para marcas locais. Também não conseguiu capturar o crescimento de categorias esportivas, como tênis de corrida, que beneficiou concorrentes como a suíça On e a francesa Hoka.

A dificuldade no mercado asiático se soma a uma mudança de comportamento do consumidor americano. Nos Estados Unidos, as vendas cresceram apenas 2%. A Dick’s Sporting Goods, uma das maiores redes esportivas do país, afirmou em setembro que alguns modelos clássicos da Nike haviam perdido velocidade.

O exemplo mais emblemático é o Air Force 1. Segundo executivos da varejista, versões clássicas do tênis nas cores vermelho, azul e preto tiveram um trimestre particularmente fraco, enquanto algumas versões mais recentes apresentaram desempenho melhor.

A empresa também decidiu rever a estratégia de distribuição. Durante os últimos anos, a Nike havia privilegiado o relacionamento direto com o consumidor, por meio de suas lojas e plataformas digitais, reduzindo a importância de grandes varejistas. Sob Hill, a companhia passou a focar no atacado.

No acumulado de 12 meses, as ações NKE registram queda de 52% na Nyse. O valor de mercado da Nike é de US$ 52,1 bilhões.

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