Neste 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, os números mostram que o Brasil tem atributos reconhecidos internacionalmente, mas ainda não transforma todo esse potencial em resultados
O Brasil tem praias, natureza, biodiversidade, cultura, gastronomia, patrimônio histórico, grandes cidades, eventos e uma diversidade capaz de oferecer experiências para praticamente todos os perfis de viajantes. Temos, portanto, os ingredientes de uma grande potência mundial do turismo. Mas, então, por que ainda estamos tão atrás de países que possuem muito menos diversidade e atrativos?
A pergunta ganha ainda mais relevância neste Dia Mundial do Turismo.
Como profissional de marketing com forte conexão ao setor e membro da Skål Internacional São Paulo, maior rede global de profissionais de turismo e viagens do mundo, fundada em 1934 em Paris, com centenas de clubes e milhares de membros associados que promovem negócios no setor, tenho acompanhado de perto os desafios e as oportunidades do turismo brasileiro. E não faltam razões para acreditar que o país pode avançar muito mais.
Os números recentes mostram uma evolução importante. Em 2025, o Brasil recebeu 9,28 milhões de turistas internacionais, um crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior. Em 2026, o fluxo internacional continua em patamar elevado, monstra que podemos estar no caminho certo. O setor comemora a data impulsionado por um forte crescimento econômico, registrando faturamento recorde de R$ 143 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, segundo o jornal Folha de São Paulo.
Qual é o tamanho do turismo que o Brasil poderia ter?
A pesquisa Marca Brasil – Imagem e Reputação 2026, realizada pela empresa européia OnStrategy e apresentada pela CNN Brasil, ajuda a responder parte dessa questão. A pesquisa contou com a curadoria do Biomarketing e o apoio do Alagro, da FBM, da ADVB e da Skål Internacional Brasil. O estudo ouviu mais de 470 mil pessoas em 26 países e mostrou que atributos como cultura, recursos naturais, turismo e qualidade de produtos e serviços contribuem positivamente para a percepção do Brasil no exterior.
Ou seja: o mundo reconhece muitos dos ativos que o Brasil possui.
O problema parece estar menos na falta de atrativos e mais na capacidade de transformar esses ativos em destinos competitivos, experiências qualificadas, infraestrutura, conectividade, promoção internacional e negócios.
Por que destinos como França, Espanha, Estados Unidos, Itália, México e outros países conseguem transformar turismo em uma poderosa indústria internacional, enquanto o Brasil ainda recebe uma parcela relativamente pequena do turismo mundial?
Essa não é uma pergunta apenas para o governo. É uma reflexão para toda a cadeia: empresas, destinos, companhias aéreas, hotéis, operadores, agentes de viagens, entidades do setor e profissionais de marketing.
O turismo pode gerar empregos, renda, investimentos, desenvolvimento regional e valorização da cultura brasileira. Pode também contribuir para melhorar a percepção internacional do país.
O Brasil não precisa descobrir novos atributos. Precisa aprender a transformar melhor os que já possui em valor turístico.
Neste Dia Mundial do Turismo, talvez a melhor celebração seja justamente fazer essa pergunta: se temos tantos motivos para o mundo nos visitar, o que ainda estamos fazendo de errado para que ele não venha em maior número?
Beto Marques é vp de comunicação da ADVB, conselheiro da Fundação Brasileira de Marketing, associado ao Skal Internacional São Paulo e sócio-diretor de criação da agência Gorilla Comunicação. Formado em Design pela Belas Artes São Paulo.
beto.marques@advb.org
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