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Brad Pitt entra para o clube dos “sessentões da ação”

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San Sebastián –  Brad Pitt escolheu a casa dos 60 para viver a sua “era de ouro” de ação nas telas. Mesmo já tendo se arriscado em papéis de força muscular ao longo da carreira de quase quatro décadas, como em Clube da Luta (1999), Tróia (2004) ou Guerra Mundial Z (2013), o astro deixou as maiores proezas físicas para a fase atual.

Até rodar seu último trabalho, Coração Selvagem, lançamento desta semana nos cinemas, Pitt ainda não tinha se submetido a tantas provações em um set de filmagem. Desta vez, a trajetória de seu personagem foi marcada por uma série de desafios, incluindo queda em corredeira de rio, risco de afogamento, sintomas de hipotermia, desastre de avião, confronto com lobos e até ataques de ursos.

O papel que obrigou o ator a verdadeiramente testar os seus limites foi o do ex-soldado das Forças Especiais que, após acidente aéreo, precisa sobreviver na natureza selvagem do Alasca. A seu favor, o militar aposentado James Belmont tem apenas a fidelidade de Odin, o pastor alemão que foi o seu companheiro de combate. Ambos sofrem de transtorno de estresse pós-traumático, causado pelo que vivenciaram e testemunharam juntos em guerras.

Com a presença do ator e do diretor, David Ayer, a produção de US$ 82 milhões foi exibida em caráter hors concours no SSIFF, como é conhecido o Festival Internacional de Cinema de San Sebastián. Pitt foi o maior astro que pisou nesta 74ª edição do evento, realizado na região basca, no norte da Espanha, com encerramento neste sábado.

“Trouxeram vários especialistas para nos ajudar no filme, como experts em sobrevivência, militares, socorristas e treinadores de cães de combate. Também tivemos de aprender ‘bushcraft’ [habilidades da mata]”, contou Pitt, de 62 anos, em encontro com jornalistas no Palácio de Congressos Kursaal, do qual o NeoFeed participou.

“James e Odin são criaturas extremamente capazes. Foram treinados, endurecidos e testados pela vida. Mas o cuidado, o amor e a lealdade entre eles é o que mantém a dupla firme”, disse o ator.

“Era normal passarmos 12 horas por dia molhados e com frio. Como não tínhamos trailers, ficávamos sentados em troncos”, completou Pitt, relembrando as filmagens realizadas em cadeias de montanhas remotas da Nova Zelândia. O aspecto mais penoso da experiência foi suportar a umidade e o frio extremos, além do desgaste físico nas cenas de ação intensas.

O ex-soldado enfrenta um infortúnio atrás do outro. Para começar, ele sofre um ataque cardíaco enquanto pilota um hidroavião. Em uma travessia sobre troncos escorregadios, cai em uma correnteza, sendo arrastado violentamente até se chocar contra pedras afiadas e quebrar o braço. Há ainda um combate feroz com lobos e um confronto com um urso.

Embora tenha se esforçado para rodar todas as peripécias do personagem, Pitt foi obrigado a recorrer a dublês, sobretudo nas sequências mais perigosas. “Preciso agradecer o espanhol Joel Abadal. Ele foi simplesmente incrível, fazendo as coisas difíceis por mim”, elogiou.

“Era normal passarmos 12 horas por dia molhados e com frio. Como não tínhamos trailers, ficávamos sentados em troncos”, disse o ator em encontro com jornalistas no festival de cinema espanhol (Foto: Josune Martinez de Albeniz)

Pitt volta a interpretar Cliff Booth em “As Novas Desventuras de Cliff Booth”, sequência de “Era Uma Vez em… Hollywood” com estreia prevista para dezembro (Foto: themoviedb.org)

Em cena de “Guerra Mundial Z”, de 2013, o ator vive Gerry Lane, papel que voltará a viver na sequência confirmada pela Paramount (Foto: themoviedb.org)

Em “F1: O Filme”, Pitt interpreta o piloto Sonny Hayes, papel que exigiu treinamento intenso em carros de corrida e marcou o início de sua fase mais voltada à ação (Foto: themoviedb.org)

A fase de ação mais intensa de Pitt teve início com F1: O Filme (2025), no papel do piloto Sonny Hayes, o que exigiu um exaustivo treinamento em carros de corrida. E mais dois filmes devem fazer o ator botar para quebrar novamente.

O primeiro deles é a sequência de Era Uma Vez em… Hollywood (2019), batizada de As Novas Desventuras de Cliff Booth — com direção de David Fincher, roteiro de Quentin Tarantino e estreia agendada para dezembro.

A história é ambientada oito anos depois do original, quando Booth, o dublê interpretado por Pitt, agora trabalha como um “studio fixer’’, um tipo contratado pelos estúdios para resolver problemas clandestinamente, como evitar escândalos, o que aqui pode exigir o emprego de violência.

Pitt também já se comprometeu em rodar a continuação de Guerra Mundial Z, em filme dirigido por Edward Berger, que acaba de ser anunciado pela Paramount Pictures. Será mais uma chance para o astro, na pele do ex-investigador da ONU Gerry Lane, correr muito para salvar a própria pele e o mundo da avalanche de zumbis.

É bastante ação para um ator que nunca investiu seriamente nesse filão. Sua filmografia traz mais thrillers psicológicos, como Seven: Os Sete Pecados Capitais (1995) e Os 12 Macacos (1995), comédias policiais, como Snatch: Porcos e Diamantes (2000) e a franquia Onze Homens e um Segredo (iniciada em 2001), dramas, como Sete Anos no Tibet (1997) e O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), e filmes de guerra, como Bastardos Inglórios (2009) e Corações de Ferro (2014).

“Uma pequena vitória”

Outros atores também se arriscaram em sequências de perseguições, brigas ou acrobacias depois dos 60. Talvez Tom Cruise seja o caso mais óbvio, com a diferença de que o ator sempre se dedicou ao gênero, principalmente na franquia Missão: Impossível, iniciada em 1996.

Esse é o cenário mais comum, com atores que, por já terem se estabelecido na indústria nesse filão, voltam como heróis de ação sexagenários. Foi assim com Arnold Schwarzenegger, que rodou O Último Desafio (2013), aos 65 anos, e Keanu Reeves, com Bailarina: Do Universo de John Wick (2025), realizado em seus 61 anos.

Foi a mesma situação de John Wayne e de Clint Eastwood, que mantiveram o fôlego até praticamente o final das carreiras diante das câmeras, em papéis que exigiam preparo físico. Até filmar o seu trabalho, aos 69 anos, O Último Pistoleiro (1976), um faroeste mais psicológico (embora traga confrontos violentos), Wayne insistiu nas cenas de ação, principalmente nos tiroteios.

O último papel de Eastwood no gênero foi o do agente do FBI de Dívida de Sangue (2002), com 72 anos. Para os puristas, no entanto, Na Linha de Fogo (1993) traz a sua última performance eletrizante como herói de ação, quando ele estava com 62 anos.

“Você vai sofrer, mas precisa resistir até conseguir uma pequena vitória”, contou o ator, ao explicar a sua atração por heróis com tantos sacrifícios pelo caminho. “E isso se assemelhava à vida, no sentido de que, quando estamos lutando e passando por muitos desafios, precisamos entender que isso acontece até alcançarmos a próxima pequena conquista.”

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