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O desembarque da Nutrien do varejo agrícola: vem mais por aí?

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O futuro do negócio de distribuição da Nutrien no Brasil voltou à berlinda nesta semana, com a confirmação do encerramento das operações nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ao que tudo indica, o movimento não deve parar por aí.

Fontes ligadas à empresa disseram ao The AgriBiz que a companhia também decidiu suspender a operação de varejo em Goiás. Procurada, a Nutrien limitou-se a dizer que só iria se manifestar por meio do comunicado divulgado nesta quarta-feira, no qual confirmava o fechamento das lojas em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

No setor, há quem diga que a empresa canadense, dona de um negócio gigantesco de distribuição na América do Norte, finalmente decidiu sair do varejo agrícola no Brasil.

Aos investidores, o CEO da companhia, Ken Seitz, disse em maio que a expectativa era ter uma definição sobre o futuro do negócio ainda este ano. “Esse será, de fato, o foco para o restante de 2026: definir como pretendemos sair desse negócio de varejo. Estamos trabalhando nisso neste momento”, disse Seitz, na ocasião.

Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, em agosto, Seitz afirmou que a companhia continuava avaliando “opções estratégicas para cada componente do negócio de varejo no Brasil”, sem dar mais detalhes.

A companhia também está em meio a um processo de venda da Sementes Goiás, o seu negócio de sementes de soja no Brasil, com conclusão prevista para o segundo semestre deste ano, segundo Seitz.

Nos últimos anos, a empresa também decidiu deixar o negócio de mistura de fertilizantes no Brasil, um processo que está mais adiantado. Das cinco unidades que possuía no País, três já foram vendidas: Itapetininga (SP), Araxá (MG) e Cristalina (GO).

Mesmo assim, ressaltou o CEO, o País continua sendo um mercado estratégico para a Nutrien. A companhia quer continuar fornecendo potássio e produtos proprietários ao Brasil, onde a demanda continuará crescendo, afirmou o CEO. Mas não está claro se, para isso, ela continuará com algumas lojas no Brasil.

Seja qual for o desfecho do que restou da Nutrien no setor de distribuição, a evolução do caso confirma o fracasso da tese de consolidação de revendas no Brasil.

Assim como Agrogalaxy e Lavoro — hoje em recuperação judicial e extrajudicial, respectivamente —, a Nutrien cresceu no varejo agrícola brasileiro por meio de aquisições. Além da Casa do Adubo, o maior M&A do setor no Brasil, estimado em R$ 1,5 bilhão em 2022, a Nutrien adquiriu outras revendas locais.

E, assim como nas outras duas candidatas a consolidadoras, o negócio vem minguando em meio à redução de pessoal e corte de custos — o que tem fortalecido outros players no setor de distribuição no País, com destaque para as cooperativas.

(Colaboraram Luiz Henrique Mendes e Rafael Gregório)



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