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Ele trabalhou no Lehman Brothers e largou tudo para “popularizar” o Ironman…

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Quando Carlos Galvão organizou sua primeira edição do Ironman Brasil, em 2001, apenas 476 atletas apareceram para a largada. Mais da metade vinha de fora do País.

Vinte e cinco anos depois, essa proporção se inverteu. Hoje, são cerca de 2,2 mil atletas, dos quais 80% são brasileiros, segundo Galvão. O restante da lista é composto por participantes de mais de 30 países.

Por trás dessa transformação está a Unlimited Sports, empresa comandada por Galvão e responsável pela organização das provas Ironman no Brasil. Atualmente, são sete eventos por ano no País.

Nos últimos dois anos, a operação cresceu 112% e já fatura cerca de R$ 60 milhões por ano. Metade dessa receita vem das inscrições dos atletas, enquanto os patrocínios respondem por outros 40%. Os 10% restantes vêm do Ironman Village, marketplace que comercializa produtos oficiais da marca.

A história da companhia começou longe do esporte como negócio. Galvão trabalhava no mercado financeiro e havia passado um ano em Chicago, onde atuou no Lehman Brothers com futuros financeiros. O triatlo, naquele momento, era uma atividade paralela.

Foi num almoço com os donos da Track&Field que Galvão teve a ideia de assumir a operação do Ironman, que já havia realizado provas no Brasil. O grupo viajou aos Estados Unidos, apresentou um projeto e, em 2000, conseguiu a licença. A primeira competição sob a nova gestão aconteceu no ano seguinte.

Galvão deixou o mercado financeiro e montou a empresa. A sede foi instalada em um imóvel do pai, a quem pediu dois ou três anos de carência para começar a pagar o aluguel, já que seu plano era apostar em um mercado que praticamente não existia no Brasil.

“Eu tinha a percepção de que um dia isso podia virar, podia pegar tração e cada vez mais pessoas começarem a entender o que é a modalidade”, disse Galvão, em entrevista a Carlos Burle no Bravamente, programa em parceria com o NeoFeed.

A porta de entrada

Um dos movimentos que ajudaram nessa expansão foi o Ironman 70.3. Galvão considera a versão mais curta um ponto de virada para a modalidade porque ela reduziu uma das principais barreiras para o atleta amador: o tempo necessário para treinar.

Não por acaso, o amador é quem sustenta a escala das provas. Segundo Galvão, 99% dos participantes de Ironman e Ironman 70.3 não são profissionais. E essa base tem impacto direto no negócio: as inscrições são hoje a maior fonte de receita da Unlimited Sports, com 50% do faturamento.

O Ironman completo exige 3,8 quilômetros de natação, 180 quilômetros de ciclismo e, para terminar, apenas uma maratona de 42 quilômetros. Já o 70.3 é composto pela metade dessas distâncias. Por isso, Galvão estima que alguém que já tenha alguma familiaridade com os esportes consiga se preparar em cerca de seis meses, se tiver um treinamento adequado.

A ampliação do público, porém, trouxe o desafio de fazer a operação acompanhar o crescimento, porque a logística começa muito antes da largada.

O negócio por trás da prova

Das sete provas realizadas pela Unlimited Sports no Brasil, quatro têm trechos de natação no mar. Uma mudança nas condições climáticas pode obrigar a empresa a alterar a competição. Para isso, há protocolos e planos de contingência preparados previamente.

Em uma prova, são usados, em média, 5,5 mil cones. A quantidade levou a companhia a criar uma função específica: o supervisor de cones. No Rio de Janeiro, outra dimensão ajuda a mostrar o tamanho da operação: são mais de 13 quilômetros de grades para organizar o percurso.

Há ainda um custo particular do mercado brasileiro. Enquanto nos Estados Unidos algumas provas conseguem reunir milhares de voluntários, no Brasil, todos os staffs são remunerados.

Além disso, enquanto boa parte das competições americanas consegue fechar completamente as ruas, por aqui há percursos em que os ciclistas dividem a pista com os veículos. E o núcleo fixo responsável por coordenar essa estrutura toda tem apenas 35 pessoas.

Para melhorar as provas, aos 57 anos, Galvão continua treinando e disputando etapas no exterior. Durante essas viagens, aproveita para observar como outros eventos são organizados e o que pode ser incorporado à operação brasileira.

“Eu faço prova fora para trazer lições aprendidas. O que nós estamos fazendo melhor do que lá fora e vice-versa”, afirmou.

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