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Sob nova direção: as novas ambições da Suno Asset no agro

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Com uma trajetória de mais de 20 anos no agronegócio, Jônatas Couri é um veterano do crédito ao agronegócio. Depois de passagens por casas como Syngenta, Ecoagro e EQI, o executivo assumiu há poucos dias a cadeira de diretor de agronegócio da Suno Asset. A divisão tem hoje cerca de R$ 2 bilhões sob gestão, em fundos listados e cetipados.

“O que me empolgou é que, diante de todos os desafios do mercado, a Suno conseguiu trazer boas teses para os fundos, controlando a comunicação com os cotistas em um mercado tão desafiador”, afirma Couri ao The AgriBiz.

Hoje, a Suno é uma das poucas casas a ter um fundo listado de crédito negociado em linha com o valor patrimonial — o que tem permitido à gestora fazer follow-ons. No primeiro semestre, a Suno captou mais de R$ 300 milhões para o fundo, elevando o patrimônio líquido em 50%.

Menos de um mês atrás, a gestora também concluiu uma nova rodada de seu fundo listado de terras, o SNFZ11, em que captou R$ 53 milhões, aumentando o fundo em 40%.

São áreas que continuam no centro de prioridades do novo diretor da área, que vai buscar, junto com o que a casa já tradicionalmente faz, uma maior intersecção com as demais verticais prioritárias de investimento da asset.

“Hoje, 40% do patrimônio está em energia limpa, 25% em imobiliário e 35% no agro. A meta é que isso se equilibre, com a gente conseguindo achar intersecções entre essas áreas”, diz Couri.

Um exemplo disso pode estar, por exemplo, em operações de sale e leaseback para uma empresa de grãos (uma operação que cabe para o agro, mas também para um fundo imobiliário).

Outra tese, por exemplo, está no desenvolvimento de floresta para biomassa, uma intersecção entre agro e energia limpa — uma velha conhecida do executivo. Na EQI, Couri foi um dos responsáveis por estruturar um CRA de R$ 100 milhões para a Enebra, empresa de que fornece cavacos de madeira para indústrias de etanol de milho.

Isso não significa que o agro “raiz” será deixado de lado. Ao contrário. De olho em terras, pautas como a transformação de áreas degradadas, irrigação e desenvolvimento de novas fronteiras agrícolas seguem no radar.

“O nosso fundo de fazendas deve tomar corpo e, junto com o nosso operador do Suno Fazendas [o SNFZ11] devemos explorar isso”, adianta Couri.

Na área de crédito, a ambição é levar o que a asset fez dentro da Boa Safra para outras empresas. Em outras palavras, desintermediar a cadeia de fornecimento, adiantando pagamentos, por exemplo.

Hoje, a Boa Safra é a maior exposição individual dentro do SNAG11, representando 34% do patrimônio líquido do fundo, por meio de um CRA. Grosso modo, funciona como uma série de empréstimos a produtores parceiros da sementeira, selecionados a partir da carteira de clientes da empresa. “Vamos continuar olhando operações desse tipo”, ressalta Couri.

Hoje, a asset tem olhado para uma miríade de operações no agronegócio, incluindo o setor de insumos. No curto prazo, o foco são operações pequenas, na casa de R$ 10 milhões a R$ 20 milhões, de olho justamente em aplicar o caixa do fundo de crédito.

Nem mesmo pontos que se tornaram mais polêmicos, como o crédito ao produtor rural, escapam de um pente-fino.

“Estamos olhando o produtor rural da seguinte forma: quem virou PJ, quem possui protocolos diferenciados, quem tem culturas alternativas… Não tem problema ter 1.000 hectares de uma cultura que não seja soja ou milho, se o cara tem margem”, diz Couri.

Conforme as análises amadureçam, ao longo do tempo, o foco é encontrar espaço para novas teses de investimento dentro da gestora, preenchendo cheques de R$ 50 milhões a R$ 300 milhões, que devem se transformar em novos follow-ons.



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