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Dólar mais barato favorece emergentes e commodities, mas exige cautela do i…

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Bloomberg Línea — As apostas em um dólar mais fraco têm aumentado, favorecendo o fluxo de capital para outros mercados e ativos internacionais, enquanto Wall Street concentra sua atenção no mercado de títulos dos Estados Unidos e nas crescentes dúvidas sobre a situação fiscal do país.

“Este pode ser um momento interessante para diversificar entre dólares, índices internacionais, fundos, ações selecionadas, ouro e bitcoin”, segundo Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading.

“Mas a oportunidade deve vir acompanhada de posições limitadas, uma tese clara e uma disciplina rigorosa em relação ao risco: evitar comprar em máximas históricas e buscar recuos com uma relação favorável entre risco e retorno”, afirma ele.

O dólar registrou uma ligeira recuperação nesta segunda-feira (24), com um avanço do índice do dólar (DXY) de 0,22%, embora isso não reverta a pressão que tem marcado seu desempenho recente.

A moeda norte-americana registrou, na semana passada, sua maior queda semanal do mês de agosto.

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No curto prazo, Chaves afirmou que a desvalorização do dólar poderia se prolongar devido às decisões do Tesouro dos Estados Unidos. “A primeira notícia sobre a compra e venda de diferentes parcelas da dívida gerou uma percepção inicial de maior liquidez, embora seu efeito tenha acabado sendo relativamente neutro, já que se tratava principalmente de uma operação de gestão de passivos”.

“O dólar registrou uma desvalorização significativa na última semana, um movimento que melhorou as perspectivas de fluxo para outros ativos e mercados internacionais”, disse à Bloomberg Línea Ignacio Mieres, chefe de research do aplicativo de investimentos XTB.

“Historicamente, um dólar mais fraco tende a favorecer os mercados emergentes, as bolsas internacionais e as commodities, pois reduz os custos de financiamento globais e melhora a capacidade de investimento fora dos Estados Unidos”.

Leia também: Real e peso colombiano: as moedas de LatAm com maior carry trade, segundo o Goldman

Em particular, as commodities costumam se beneficiar nesse cenário, com destaque especial para o ouro e os metais industriais, como o cobre, que podem ser favorecidos tanto por um dólar mais fraco quanto por uma recuperação das expectativas de crescimento global.

Além disso, ele afirmou que regiões como a Europa e a Ásia podem se beneficiar de uma rotação relativa de capital, especialmente quando seus mercados mostram sinais de melhora estrutural.

No caso do peso colombiano, que é a moeda que mais se valorizou na América Latina no que vai de 2026, esse nível da taxa de câmbio favorece quem deseja fazer gastos no exterior, seja em férias ou simplesmente na compra de produtos importados.

“Isso também traz um alívio no pagamento de juros e na avaliação da dívida em moeda estrangeira para o governo e o setor privado”, disse à Bloomberg Línea Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.

Mas, ao mesmo tempo, ele afirmou que isso traz efeitos menos favoráveis, observados na menor competitividade do setor de exportação, o que leva à redução das vendas ao exterior, a um menor potencial de remessas enviadas ao país e, possivelmente, a um menor fluxo de turistas para a Colômbia, já que o país passa a ser visto, em termos relativos, como mais caro.

Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Para quem tem recursos excedentes, “é um momento de decisões difíceis”, observou Reyes.

Por um lado, no âmbito local, há taxas “muito favoráveis” em produtos de poupança e renda fixa, que podem ser uma boa alternativa para investidores conservadores.

Mas, além disso, ao ver o dólar na Colômbia em seu nível mais baixo em mais de 7 anos, surge uma alternativa adicional para realizar investimentos em moeda estrangeira.

O dilema, portanto, é onde guardar as economias e onde fazer os investimentos.

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“Durante anos, o dólar foi visto como uma moeda para viajantes ou grandes investidores”, afirmou em um comunicado o economista Iván Torroledo, cofundador da fintech Littio. “Hoje, ele faz parte da vida financeira de milhões de pessoas que pagam por plataformas digitais, recebem rendimentos do exterior, trabalham para empresas internacionais ou buscam proteger parte de seu patrimônio contra a desvalorização”.

Torroledo afirmou que, mais do que tentar prever se o dólar continuará caindo ou quando voltará a subir, o desafio está em compreender como a moeda afeta as decisões financeiras do dia a dia e em construir uma estratégia mais diversificada.

Ele ressalta que não é necessário prever o mercado para tomar melhores decisões, mas sim compreender como a taxa de câmbio influencia as despesas correntes e agir com base em informações.

Na opinião dele, a conversa deveria se concentrar menos no valor do dólar e mais em como aproveitar suas oscilações no âmbito de um planejamento financeiro de longo prazo.

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Despesas que vale a pena analisar

A Littio sugere oito despesas que vale a pena rever quando o dólar cai, como no contexto atual:

  1. Pagamentos internacionais: um dólar mais baixo reduz o custo de pagar fornecedores ou contratar serviços no exterior.
  2. Tecnologia e produtos importados: celulares, computadores, consoles e outros produtos podem ficar mais baratos quando as moedas locais se valorizam.
  3. Viagens ao exterior: passagens, hotéis, aluguel de veículos e atividades com preços cotados em dólares podem representar um gasto menor.
  4. Assinaturas digitais: serviços como Netflix (NFLX), Spotify (SPOT), ChatGPT, Adobe (ADBE) ou Microsoft 365 (MSFT) podem custar menos em moeda local.
  5. Compras internacionais: produtos adquiridos em plataformas como Amazon (AMZN), eBay (EBAY) ou Mercado Livre (MELI) podem se beneficiar de uma taxa de câmbio mais baixa.
  6. Estudos no exterior: cursos, certificações e programas acadêmicos com valores expressos em dólares podem exigir um orçamento menor.
  7. Renda em dólares: quem trabalha para empresas ou clientes no exterior pode avaliar se deve converter sua renda para a moeda local ou manter parte dela em dólares. “No fim das contas, como a maioria das recomendações financeiras, pode-se esperar uma distribuição dos recursos: parte em pesos a taxas favoráveis e parte em dólares, protegendo-se contra esse risco”, comentou Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.
  8. Publicidade digital: para empresas e empreendedores, um dólar mais baixo pode reduzir o custo em pesos das campanhas no Google (GOOGL), Meta (META), LinkedIn ou TikTok.

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Riscos da alta exposição ao dólar

Ignacio Mieres afirma que uma exposição elevada ao dólar também acarreta um risco cambial, especialmente para investidores com horizontes de curto e médio prazo.

“Embora a moeda norte-americana possa passar por fases de correção e fraqueza, as retrações observadas dentro de sua estrutura de longo prazo têm tendido a se comportar mais como movimentos corretivos do que como uma mudança estrutural definitiva”, afirmou ele.

Sua condição de principal moeda de reserva, financiamento e comércio internacional continua a lhe proporcionar um importante suporte em horizontes mais longos, na visão de Ignacio Mieres. “Por isso, é recomendável avaliar quanto risco cambial cada carteira incorpora, já que oscilações bruscas da moeda podem afetar temporariamente o desempenho dos investimentos e alterar os retornos medidos em moeda local”.

No entanto, o BBVA ressalta que, como todo investimento envolve um risco, é importante compreender que os mercados podem tomar rumos inesperados e, nesse caso, destaca que é importante avaliar os recursos comprometidos no investimento.

Entre os aspectos que devem ser sempre levados em consideração, está o fato de que o fluxo mínimo necessário para a realização da atividade principal não seja comprometido e de que se trate de recursos de livre disposição.

“Uma vez que os recursos sejam alocados em dólares, também é importante reconhecer que, mesmo que o investimento seja feito nos ativos mais estáveis, conservadores e seguros, sua valorização financeira será determinada pela moeda, portanto, o investimento passará automaticamente a ser de alto risco, já que a moeda apresenta movimentos e flutuações significativas”, concluiu Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.

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