A estiagem costuma transformar a água em assunto. Os dias sem chuva se acumulam, a atenção aumenta e aquilo que normalmente faz parte da rotina passa a ser percebido sob outra perspectiva. Basta que falte por algumas horas para que passe a ocupar conversas, reclamações e manchetes.
É justamente nesse momento que precisamos ir além da preocupação imediata com a falta. A estiagem nos lembra que a disponibilidade hídrica está sujeita às condições naturais e que garantir o abastecimento de uma cidade exige muito mais do que responder às situações de escassez. Água é um patrimônio coletivo, e cuidar dela precisa fazer parte do planejamento e das escolhas de todos, antes que a urgência apareça.
É com essa visão que Marília vem fortalecendo sua estrutura de abastecimento. A RIC Ambiental tem ampliado e modernizado o sistema com novos poços, recuperação de estruturas e melhorias nos sistemas de captação e distribuição, criando condições para que a cidade esteja mais preparada diante de diferentes cenários.
O poço profundo PG-08, em Lácio, é um exemplo desse esforço. Nesta primeira fase de funcionamento, já opera com capacidade de 150 mil litros por hora, e foi projetado para reforçar o abastecimento das regiões Sul e Leste, atendendo mais de 30 mil moradores.
Na Zona Norte, o PG-09, no Figueirinha, deverá injetar cerca de 200 mil litros de água por hora na rede quando entrar em operação, ainda em 2026, reforçando o abastecimento de uma região historicamente mais afetada pela intermitência.

São investimentos que traduzem uma premissa essencial: segurança hídrica não se improvisa. Ela exige infraestrutura, recursos e decisões tomadas antes que a necessidade se transforme em urgência.
Mas existe um limite que precisa ser considerado. A produção pode crescer, equipamentos podem ser modernizados e novos mananciais podem ser incorporados ao sistema. Ainda assim, a disponibilidade desse recurso permanece condicionada aos ciclos naturais e às características do território. Fortalecer a estrutura é fundamental, mas não significa que o consumo possa ocorrer descontroladamente.
É nesse ponto que entra uma responsabilidade que não cabe a um único lado. À concessionária cabe investir, operar, manter e ampliar o sistema. À população cabe contribuir por meio de escolhas mais conscientes no dia a dia. Não são responsabilidades concorrentes, mas complementares.
Por isso, o uso consciente precisa deixar de ser uma recomendação de emergência e se tornar um hábito permanente. Isso vale para todos. Vale para um banho mais curto, para a torneira que não precisa permanecer aberta enquanto uma tarefa é realizada, para o vazamento que não deve ser ignorado ou para aquela lavagem que pode esperar. São atitudes que parecem pequenas, mas que, quando multiplicadas por milhares de pessoas, ganham outra dimensão.
É nos períodos de normalidade que esses hábitos podem ser construídos, antes que a estiagem transforme uma escolha cotidiana em uma necessidade urgente.
A água que chega às nossas casas resulta de uma cadeia complexa que envolve natureza, captação, tratamento, energia, infraestrutura, profissionais e planejamento. Quando a utilizamos, estamos lidando com muito mais do que aquilo que sai de uma torneira. Estamos lidando com algo que sustenta a vida, movimenta a cidade e precisa continuar disponível para quem ainda vai chegar.
Talvez essa seja a principal reflexão que a estiagem nos oferece: não esperar a falta para reconhecer o valor daquilo que temos. Porque o verdadeiro teste de uma cidade preparada para o futuro não acontece apenas quando a água falta. Acontece também quando ela está disponível e, mesmo assim, escolhemos não desperdiçá-la.
Juntos, por Marília, para Marília.
Eng° Julio F. Neves
Superintendente Comercial e de Comunicação
RIC Ambiental – Água e Esgoto do Marília S.A.





