Os incidentes de segurança e os vazamentos de dados no varejo mais que dobraram nos últimos três anos. Segundo relatório da Kaspersky, o setor enfrenta ameaças como roubo de identidade, fraudes em reembolsos e web skimming, técnica usada para capturar informações diretamente nas páginas de pagamento.
Os riscos também envolvem ataques de comprometimento de e-mails corporativos (BEC) e ransomware, que podem interromper operações, provocar perdas financeiras e comprometer a continuidade dos negócios. Diante desse cenário, o levantamento aponta cinco prioridades para reforçar a segurança das empresas do setor.
A proteção de dados como prioridade
No varejo, os dados são cada vez mais usados na personalização de ofertas, preços dinâmicos, campanhas segmentadas, Inteligência Artificial e automação logística. Essas aplicações dependem da coleta e análise de grandes volumes de informações de clientes e empresas.
Ao mesmo tempo, a concentração de dados, plataformas conectadas e sistemas de terceiros aumenta a exposição a ataques cibernéticos. Um vazamento pode gerar multas regulatórias, despesas jurídicas, penalidades contratuais e custos de recuperação que, em grandes empresas varejistas, podem chegar a US$ 91 milhões.
Nesse cenário, as empresas precisam conciliar a busca por experiências personalizadas com a proteção da privacidade dos consumidores, incorporando segurança e privacidade desde a concepção dos projetos.
Cultura de responsabilidade cibernética na empresa
Erros humanos continuam entre as principais causas de incidentes de cibersegurança. Em média, entre 64% e 86% dos vazamentos estão relacionados a falhas não intencionais, que vão desde o clique em e-mails de phishing e o uso de senhas fracas até o uso inadequado de credenciais de acesso.
O problema persiste no setor devido ao baixo nível de conscientização sobre cibersegurança e ao avanço das táticas de engenharia social. Entre as práticas usadas por cibercriminosos estão faturas falsas, dados bancários adulterados, scripts maliciosos em APIs e campanhas urgentes de comprometimento de e-mail corporativo, usadas para enganar funcionários do varejo, desviar recursos financeiros ou acessar redes corporativas.
Segurança nas transações financeiras
O pagamento é uma das etapas mais sensíveis para o varejo. No comércio eletrônico, os invasores podem manipular transações, roubar credenciais ou interceptar informações pessoais e financeiras durante uma compra, mesmo quando a sessão aparenta ser legítima e segura.
Nas lojas físicas, os sistemas de ponto de venda também são alvos de ataques, especialmente quando estão conectados a plataformas de clientes, programas de fidelidade ou redes corporativas. Se comprometidos, esses sistemas podem expor dados de pagamento e informações pessoais.
Também há ataques capazes de paralisar lojas virtuais ou sistemas de pagamento, com perdas que podem chegar a US$ 20 mil por hora. A proteção das transações, portanto, é necessária tanto para reduzir fraudes quanto para evitar interrupções na operação.
Confiar, mas verificar
Os ataques à cadeia de suprimentos estão entre as principais ameaças às empresas, e o varejo também está exposto a esse risco. O setor depende de fornecedores, plataformas tecnológicas, parceiros logísticos, soluções em nuvem e sistemas conectados, o que faz com que uma vulnerabilidade em um terceiro possa afetar estoques, pagamentos, entregas, disponibilidade de produtos e continuidade operacional.
De acordo com diferentes estudos, 30% dos ataques direcionados ao varejo envolveram parceiros comerciais ou fornecedores. Apesar disso, apenas 9% dos executivos consideram esse risco sua principal preocupação em cibersegurança.
Resiliência diante de ataques sofisticados
Ciberataques sofisticados costumam ser precedidos por períodos de reconhecimento, espionagem e busca por vulnerabilidades. Entre 2024 e 2025, o setor varejista registrou diversos incidentes desse tipo, que afetaram a operação de grandes marcas e provocaram períodos de indisponibilidade, perda de produtividade, custos de remediação, atualizações urgentes de infraestrutura e recuperação de backups. Em alguns casos, também houve riscos à continuidade dos negócios.
Durante anos, essas ameaças foram associadas principalmente a grandes corporações e entidades governamentais. Esse cenário mudou com a maior disponibilidade de ferramentas para executar ataques sofisticados, impulsionada por vazamentos de código, plataformas públicas e pelo uso de Inteligência Artificial. Assim, empresas de menor porte também estão expostas a esse tipo de ataque.
Imagem: Envato





