Bloomberg — O desmatamento da Amazônia no Brasil despencou 37% nos últimos 12 meses, o que coloca o país a caminho da menor perda de floresta desde o início das medições por satélite, há quase quatro décadas.
A destruição da floresta caiu para 2.874 quilômetros quadrados, área ligeiramente maior que Luxemburgo, de agosto do ano passado a julho, o calendário usado para o cálculo do desmatamento.
Esse é o menor nível da atual série do Deter, iniciada em 2015. O Deter é um sistema de monitoramento de menor resolução e praticamente em tempo real, desenvolvido principalmente para orientar ações de fiscalização de desmate. O Brasil abriga cerca de dois terços da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo.
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Os dados indica que o Brasil deve registrar oficialmente, ainda neste ano, a menor taxa anual de desmatamento da Amazônia desde 1988.
O número oficial costuma ser divulgado em outubro ou novembro e é calculado pelo sistema Prodes, que utiliza análises de maior resolução. Tanto o Deter quanto o Prodes são administrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
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A forte redução ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta nova pressão dos Estados Unidos por seu histórico ambiental.
Após uma investigação de um ano com base na Seção 301, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) concluiu em junho que algumas práticas brasileiras eram “injustificáveis ou discriminatórias” e prejudicavam o comércio dos EUA, citando o desmatamento ilegal ao lado de comércio digital, tarifas, proteção da propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
O USTR afirmou que, historicamente, o Brasil não aplicou de maneira eficaz o arcabouço legal contra o desmatamento ilegal. Uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de julho, mas as exceções incluíram a carne bovina, de longe o principal fator de desmatamento da Amazônia.
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Durante o evento para anunciar o resultado, na sede do Inpe em São José dos Campos (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o dado como um “número bonito” e disse: “Quero tirar uma foto e mandar para o Trump”.
“Agora, para cada correspondência que a gente mandar pros Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe.”
Desde o início do terceiro mandato, em 2023, intensificou o combate ao desmatamento, após a destruição da floresta atingir o maior nível em 15 anos durante o governo do antecessor, Jair Bolsonaro, aliado ferrenho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Nos três anos e meio da presidência de Lula, a área total desmatada na Amazônia, segundo o sistema Deter, chegou a 19.642 quilômetros quadrados, queda de 41% em comparação com o período de 2019 a 2022, durante o governo Bolsonaro, segundo análise do Observatório do Clima, rede formada por organizações ambientais, grupos da sociedade civil e instituições acadêmicas.
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