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Comus cobra urgência do Estado para reativar UTQ em Marília • Marília Notícia

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Hospital das Clínicas deve reativar UTQ em Marília e reassumir neurocirurgia, segundo plano anunciado em junho (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

O Conselho Municipal de Saúde de Marília (Comus) pediu urgência ao Governo do Estado de São Paulo para a reativação ou implantação de uma Unidade de Terapia de Queimados (UTQ) com leitos de UTI e enfermaria, além de um centro de reabilitação e tratamento especializado na região.

O ofício foi encaminhado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao secretário estadual da Saúde, Eleuses Vieira de Paiva, e uma cópia foi publicada na edição desta terça-feira (4) do Diário Oficial do Município de Marília (Domm).

O documento, assinado pela presidente do Comus, Tereza Aparecida Machado, foi aprovado por unanimidade durante reunião ordinária do Pleno do Conselho Municipal de Saúde, realizada na última quinta-feira (29). O órgão estabeleceu prazo de 15 dias para que o Estado apresente um posicionamento e se colocou à disposição para uma reunião sobre o tema.

O Comus argumenta ainda que a região precisa contar com um serviço de referência estruturado e solicita a habilitação e o custeio de leitos de UTI e enfermaria para tratamento de queimados em um hospital regional.

Também pede a implantação de uma equipe multiprofissional especializada, conforme as normas do Ministério da Saúde, e a pactuação do serviço na Comissão Intergestores Regional (CIR) e na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), de modo a atender os municípios da área de abrangência da Diretoria Regional de Saúde (DRS) IX – Marília.

Risco regional

No ofício, o Comus sustenta que a região de Marília possui um perfil de risco relacionado à atividade industrial, com empresas que utilizam caldeiras, fornos e produtos inflamáveis, além de apontar a ocorrência de acidentes domésticos envolvendo botijões de gás e álcool.

Para o conselho, a ausência de um serviço especializado na região representa um vazio assistencial e pode contribuir para mortes e sequelas graves em casos que exigem atendimento imediato. A entidade afirma que a macrorregião de Marília atualmente não dispõe de leitos especializados de UTI ou enfermaria para pacientes queimados.

Explosão em indústria de amendoim em Paulópolis matou três funcionários em decorrência de queimaduras graves (Foto: Divulgação)

Segundo o documento, vítimas que necessitam de tratamento de maior complexidade precisam ser removidas para outras cidades, como Bauru e São Paulo, a distâncias superiores a 300 quilômetros em determinados casos. O Comus argumenta que o tempo necessário para o deslocamento pode comprometer a sobrevida de pacientes em estado grave.

A cobrança do Comus ocorre pouco mais de dois meses após a explosão em uma indústria de processamento de amendoim em Paulópolis, distrito de Pompeia. Três pessoas morreram em decorrência da gravidade das queimaduras provocadas pelo acidente. Sem uma unidade especializada em Marília, as vítimas precisaram ser encaminhadas para atendimento em Bauru, onde existe uma unidade de referência mantida pelo governo estadual.

Promessa de retomada

A reivindicação do conselho ocorre em meio a uma promessa de retomada do atendimento especializado na própria cidade. Em 1º de junho, menos de uma semana após a explosão, o Complexo Famema anunciou um plano para implantação de uma UTQ no Hospital das Clínicas (HC), em Marília.

A instituição informou, na mesma ocasião, a intenção de retomar o serviço de neurocirurgia, que havia sido interrompido no HC. A UTQ funcionou durante décadas na Santa Casa de Misericórdia de Marília, mas deixou de operar em maio de 2023. O hospital filantrópico assumiu posteriormente os serviços de neurocirurgia, em setembro de 2024, após a interrupção do atendimento no Hospital das Clínicas.

Apesar do anúncio feito pelo Complexo Famema em junho, o Governo do Estado ainda não se manifestou oficialmente sobre a implantação do plano apresentado pela instituição. A ausência de uma definição pública mantém a região sem uma estrutura especializada própria para atendimento de vítimas de queimaduras graves, justamente em um momento em que o tema voltou ao centro das discussões após o acidente em Paulópolis.





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